Eleições

À espera da TV

Avanço de FHC transforma o horário eleitoral
gratuito na última esperança da oposição

 



Fotos: Orlando Brito/Frederic Jean

 

O Instituto Vox Populi, em parceria com os Diários Associados, concluiu na semana passada uma nova pesquisa sobre a sucessão presidencial. De acordo com os números, o presidente Fernando Henrique Cardoso tem hoje 41% das intenções de voto e seu principal adversário, Luís Inácio Lula da Silva, do PT, está com 24%. O resultado mostra que, a pouco mais de dois meses da eleição, o presidente recuperou-se completamente do abalo sofrido por sua popularidade em maio. Lula, por sua vez, perdeu tudo que ganhara com a queda de Fernando Henrique. A pesquisa traz outra notícia animadora para o comitê da reeleição e perturbadora para os aliados do PT. A porção do eleitorado que aposta na vitória de Fernando Henrique em outubro está crescendo e já representa dois terços do total. Isso significa que a maioria dos eleitores, incluindo boa parte dos que pretendem votar em Lula, acha que a eleição já está resolvida e duvida da capacidade da oposição de reagir no pouco tempo que lhe resta.

Especialistas como o cientista político Marcos Coimbra, diretor do Vox Populi, suspeitam que essa expectativa poderá acentuar-se nas próximas semanas. Assim, os eleitores chegariam a agosto, quando começará a propaganda eleitoral na televisão, sem muita curiosidade pelo que os candidatos a presidente terão a dizer. Esse desinteresse poderia levar as pessoas a prestar mais atenção nas disputas estaduais, especialmente em lugares como São Paulo, onde o desfecho da eleição para governador é imprevisível (veja quadro). Os especialistas acreditam que dificilmente haverá mudanças na situação dos candidatos antes do início do horário gratuito. "A não ser que ocorram fatos novos e inesperados, capazes de sacudir a monotonia do processo eleitoral, os números sugerem que Fernando Henrique pode até subir mais um pouco", diz Coimbra.

Como outros institutos de pesquisa também vêm indicando, o presidente tem hoje mais votos do que precisa para repetir a façanha de 1994 e liquidar a disputa no primeiro turno. Para conseguir isso, ele tem de receber pelo menos um voto a mais do que a soma dos votos obtidos pelos outros candidatos. Segundo o Vox Populi, Fernando Henrique já supera por 4 pontos o bloco formado por seus adversários. Essa diferença preocupa mais o comando da campanha petista do que a vantagem de 17 pontos aberta por Fernando Henrique sobre Lula. Na ausência de fatos novos, o PT acha que terá no horário gratuito sua última chance de deter o avanço do presidente e levá-lo ao segundo turno.

Os aliados de Lula acreditam que candidatos como Ciro Gomes, do PPS, e Enéas Carneiro, do Prona, que hoje somam 12% dos votos, tendem a ganhar pelo menos 1 ou 2 pontos quando aparecerem na televisão. Junto com uma eventual reação de Lula, isso seria suficiente para eliminar ou até inverter a atual vantagem de Fernando Henrique sobre os adversários, garantindo o segundo turno. Duas coisas podem impedir esse plano de funcionar como o PT gostaria. Primeiro, nada impede que Fernando Henrique cresça mais ainda com o horário gratuito, em que ele terá quase metade do tempo total reservado para a campanha presidencial. Além disso, as simulações feitas até agora pelos institutos indicam que o único efeito de um segundo round seria confirmar a vitória de Fernando Henrique, com a manutenção da atual vantagem sobre Lula.

O efeito Collor

Seis anos depois de ser afastado da Presidência, o ex-presidente Fernando Collor ainda conserva uma parcela de sua antiga força eleitoral. Uma simulação feita pelo Vox Populi paup.js">