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Brasil Não bastam as
viagens à nossa custa, o empreguismo,
Na quarta-feira da semana passada, um dos deputados acusados na farra das passagens aéreas pediu para falar no plenário da Câmara. Dedo em riste, rosto contrito, ele tomou o microfone e pôs-se a defender com vigor a honra da família. Sua mãe fora citada pelo Ministério Público como beneficiária de uma viagem para Nova York: "É uma mentira grosseira, leviana, envolvendo o nome da minha mãe, uma octogenária. No meu gabinete só quem usa a cota de passagens sou eu". Em seguida, acossado por jornalistas que pediam mais explicações, o deputado respondeu: "Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados. Pode escrever aí: Ministério Público é o c...". O autor dessas barbaridades, deputado Ciro Gomes, não é um desconhecido, muito menos um neófito na política. Foi ministro do governo Lula e candidato à Presidência da República em 2002 eleição na qual perdeu qualquer chance ao chamar um cidadão de "burro". E havia mais: instigado a comentar a possibilidade de mudanças nas regras para o uso das passagens, o deputado encerrou sua peroração com a delicadeza de sempre: "Até ontem era tudo lícito. O que mudou? É um bando de babaca". Ciro liderou a reação dos nanicos e assumiu o tamanho de todos os que pensam como ele. Muitos se juntaram ao deputado cearense no coro das lamúrias. Entre eles, destacou-se o corregedor da Câmara, o deputado ACM Neto, do DEM da Bahia, que não deu bobeira e aproveitou a cota para dar um pulinho em Paris, levando a mulher a tiracolo. ACM Neto também ficou exasperado com as cobranças: "A Casa toda fez. Estão colocando nomes de pessoas sérias como se fossem bandidos! Acho que a imprensa quer fechar o Congresso". Eis, pasme-se!, quem deveria cobrar ética dos colegas. Nesse quesito, a maior decepção ficou por conta do deputado Fernando Gabeira, um atento defensor dos bons costumes na Câmara. Até ele gastou sua cota de passagens e de asneiras. "Como a Câmara não é um grande anunciante, como o Executivo, toda a pressão se volta contra nós, porque aqui é possível criticar sem que se seja ameaçado de perder seus anúncios", disse Gabeira. Coube ao deputado Silvio Costa, do PMN (sim, é um partido) de Pernambuco, verbalizar em público o que seus cada vez mais numerosos colegas de baixo clero conversam às escondidas. Disse ele, sobre as ameaças de proibir as ilegalidades: "Quando entrei aqui, falaram que a cota era minha. Não é justo proibir minha mulher e meus filhos de virem a Brasília comigo. Querem que eu me separe para continuar na política? Vamos derrubar essa palhaçada no plenário". O deputado Domingos Dutra, do PT do Maranhão, resumiu bem o espírito do baixo clero: "Daqui a pouco, vão querer que eu ande de jegue, more em casa de palafita e mande mensagem por pombo-correio". Não é preciso. Basta se comportar como um nobre parlamentar.
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