Edição 1949 . 29 de março de 2006

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DVD
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As vendagens de DVDs dão novo alento
aos mercados de jazz e música erudita


AFP
Cena de La Traviata: ópera vende mais em DVD que em CD

Surgido há apenas nove anos, o DVD provocou uma revolução no mundo do entretenimento. Suas vendas já ultrapassaram as bilheterias de cinema nos Estados Unidos, onde o setor fatura mais de 15 bilhões de dólares anuais. O Brasil trilha o mesmo caminho – por aqui, as vendas de DVDs foram de 650 milhões de reais em 2005. Esse efeito revitalizador também se faz sentir na indústria fonográfica. No mercado nacional, a comercialização de DVDs musicais cresceu mais de 1.300% entre 2000 e 2004, último dado divulgado pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD). Foram 7,2 milhões de unidades em 2004, contra 500.000 em 2000, o que fez do Brasil o sétimo no ranking dos países que mais consomem DVDs musicais. Um fenômeno peculiar ocorre nessa área. Os DVDs de shows e clipes de música pop representam uma fonte de lucros para as gravadoras, mas não são peças essenciais de seus catálogos. Em nichos como a música clássica e o jazz, contudo, eles se tornaram uma tábua de salvação.

Sabe-se que hoje a vendagem média de um DVD de música erudita na Europa e nos Estados Unidos chega a 50.000 unidades – três vezes mais que a dos CDs. O DVD leva várias vantagens sobre os CDs nesses nichos. Para as gravadoras, o custo de produção é mais baixo que o de um disco – em vez de gastar meses em estúdio, basta filmar uma apresentação ao vivo. Casas de ópera se unem a produtoras de TV para registrar e lançar seus espetáculos. Para os consumidores, é mais atraente comprar um disco que, além de sons, contém imagens. Quem possuía gravações de óperas, concertos e shows de jazz em disco ou em vídeo agora as adquire em DVD, num fenômeno semelhante ao da troca dos vinis por CDs nos anos 90. Na contramão das tendências, as companhias brasileiras ainda não se animaram a investir. Apenas a EMI e a Universal lançam DVDs de ópera e o jazz é defendido por selos independentes como o ST2. Mas demanda não falta. No ano passado, a rede Fnac vendeu mais de 10 000 DVDs de música erudita. "Como tenho poucos produtos nacionais, vendo os importados", diz Márcio Custódio, gerente da empresa.

 
 
 
 
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