Edição 1949 . 29 de março de 2006

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Televisão
Gugu ficou

Por que o apresentador não trocou
o SBT pela Record – mesmo tendo
de aceitar um corte no salário


Marcelo Marthe


Fernando Pereira/AE
Gugu Liberato: ruim com o loiro, pior sem ele


No dia 17, Gugu Liberato renovou seu contrato com o SBT. Ele ficará na emissora por mais quatro anos, mas sofreu um revés na longa – e dura – negociação: teve de engolir um corte significativo em sua remuneração. Nos tempos áureos de 2001, quando batia o Domingão do Faustão na guerra do ibope, Gugu chegou a ganhar 4 milhões de reais por mês, entre salário e merchandising. Ele gozava de privilégios raros, como o direito de dispor de todo o espaço publicitário dentro de seu programa e embolsar a receita. A partir de agora, o loiro deverá ganhar no máximo 2,5 milhões de reais por mês. Seu salário caiu para 500.000 reais, e ele terá de dividir os lucros do merchandising com a emissora de Silvio Santos, que passa a controlar a venda dos comerciais (veja quadro). "Demorou para Gugu aceitar que já não podia faturar sozinho, às expensas do canal", diz um funcionário do SBT. Apesar de já não ameaçar a Globo e de já não ser a menina-dos-olhos do mercado publicitário, Gugu não cedeu sem brigar. Ele tinha como trunfo uma proposta de trabalho da Rede Record. Isso pesou a seu favor e, no fim das contas, ele e Silvio Santos concluíram: era mais sábio preservar o casamento do que partir para a separação.

Se Gugu tivesse saído do SBT, seria o fim de uma era na televisão. Ele trabalha ali desde o início da carreira, há três décadas, e levou a emissora a reinar nas tardes de domingo entre 2000 e 2002. Nos últimos anos, é verdade, seu programa entrou numa espiral de decadência. Os sinais de esgotamento já eram evidentes quando sobreveio o golpe maior, em setembro de 2003: o escândalo da falsa reportagem sobre a facção criminosa PCC, que minou sua credibilidade. Desde então, o valor das cotas de merchandising do Domingo Legal despencou. "É complicado associar um produto a alguém com a imagem tão arranhada", diz um executivo do mercado publicitário. Num quadro desses, pode até parecer que sua saída seria uma bênção para o SBT. Mas, bem ou mal, Gugu ainda se mantém na vice-liderança do horário. O domingo, com sua tradição de programas de auditório, sempre foi um dia complicado – e hoje a competição está mais acirrada que nunca. Record, Bandeirantes e RedeTV! dão suas mordiscadas na audiência. Sem Gugu, Silvio teria de tirar uma alternativa da cartola. Além disso, embora não ostente o carisma do passado, o apresentador conserva um público cativo – e poderia transferir sua média de 11 pontos para a Record. Ou seja: se é ruim com Gugu, seria pior sem ele.

Para o apresentador, a saída do SBT também seria uma manobra arriscada. Na Record, uma ala dos bispos era a favor de sua contratação, mas outros achavam que ela traria uma "breguificação" à imagem da rede. A Record também tinha dificuldade em encaixar Gugu em sua programação dominical – chegou a propor-lhe uma atração diária ou aos sábados. Ele não gostou. "Meu público acostumou-se a me ver aos domingos", diz Gugu. É possível que algo mais tenha pesado: aquilo que, no mercado, já é chamado de "efeito Boris". A emissora demitiu o apresentador Boris Casoy e está em litígio com ele por causa do pagamento da rescisão – o que deixou muita gente na televisão com o pé atrás em relação à Record.

Depois do acerto com o SBT, Gugu se esforça para dar uma sacudida em seu programa. Metade da equipe do Domingo Legal deverá sair, assim como seu atual diretor, Maurício Nunes. Ao mesmo tempo, Homero Salles, homem de confiança de Gugu, está de volta à atração. No melhor estilo Poliana, o apresentador até já encontrou um aspecto positivo no fato de ter perdido o controle sobre o merchandising de sua atração domingueira: é o tempo livre para se dedicar à criação de novidades. "É saudável eu me concentrar apenas na questão artística e deixar a parte comercial a cargo do SBT", diz. Silvio Santos também acha.

 


 
 
 
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