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Televisão
Gugu ficou
Por que o apresentador não trocou
o SBT pela Record mesmo tendo
de aceitar um corte no salário

Marcelo Marthe
Fernando Pereira/AE
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| Gugu Liberato: ruim com o loiro, pior sem
ele |
No dia 17, Gugu Liberato renovou
seu contrato com o SBT. Ele ficará na emissora por mais quatro
anos, mas sofreu um revés na longa e dura negociação:
teve de engolir um corte significativo em sua remuneração.
Nos tempos áureos de 2001, quando batia o Domingão
do Faustão na guerra do ibope, Gugu chegou a ganhar 4
milhões de reais por mês, entre salário e merchandising.
Ele gozava de privilégios raros, como o direito de dispor
de todo o espaço publicitário dentro de seu programa
e embolsar a receita. A partir de agora, o loiro deverá ganhar
no máximo 2,5 milhões de reais por mês. Seu
salário caiu para 500.000 reais, e ele terá de dividir
os lucros do merchandising com a emissora de Silvio Santos, que
passa a controlar a venda dos comerciais (veja
quadro). "Demorou para Gugu aceitar que já
não podia faturar sozinho, às expensas do canal",
diz um funcionário do SBT. Apesar de já não
ameaçar a Globo e de já não ser a menina-dos-olhos
do mercado publicitário, Gugu não cedeu sem brigar.
Ele tinha como trunfo uma proposta de trabalho da Rede Record. Isso
pesou a seu favor e, no fim das contas, ele e Silvio Santos concluíram:
era mais sábio preservar o casamento do que partir para a
separação.
Se Gugu tivesse saído
do SBT, seria o fim de uma era na televisão. Ele trabalha
ali desde o início da carreira, há três décadas,
e levou a emissora a reinar nas tardes de domingo entre 2000 e 2002.
Nos últimos anos, é verdade, seu programa entrou numa
espiral de decadência. Os sinais de esgotamento já
eram evidentes quando sobreveio o golpe maior, em setembro de 2003:
o escândalo da falsa reportagem sobre a facção
criminosa PCC, que minou sua credibilidade. Desde então,
o valor das cotas de merchandising do Domingo Legal despencou.
"É complicado associar um produto a alguém com a imagem
tão arranhada", diz um executivo do mercado publicitário.
Num quadro desses, pode até parecer que sua saída
seria uma bênção para o SBT. Mas, bem ou mal,
Gugu ainda se mantém na vice-liderança do horário.
O domingo, com sua tradição de programas de auditório,
sempre foi um dia complicado e hoje a competição
está mais acirrada que nunca. Record, Bandeirantes e RedeTV!
dão suas mordiscadas na audiência. Sem Gugu, Silvio
teria de tirar uma alternativa da cartola. Além disso, embora
não ostente o carisma do passado, o apresentador conserva
um público cativo e poderia transferir sua média
de 11 pontos para a Record. Ou seja: se é ruim com Gugu,
seria pior sem ele.
Para o apresentador, a saída
do SBT também seria uma manobra arriscada. Na Record, uma
ala dos bispos era a favor de sua contratação, mas
outros achavam que ela traria uma "breguificação"
à imagem da rede. A Record também tinha dificuldade
em encaixar Gugu em sua programação dominical
chegou a propor-lhe uma atração diária ou aos
sábados. Ele não gostou. "Meu público acostumou-se
a me ver aos domingos", diz Gugu. É possível que algo
mais tenha pesado: aquilo que, no mercado, já é chamado
de "efeito Boris". A emissora demitiu o apresentador Boris Casoy
e está em litígio com ele por causa do pagamento da
rescisão o que deixou muita gente na televisão
com o pé atrás em relação à Record.
Depois do acerto com o SBT, Gugu
se esforça para dar uma sacudida em seu programa. Metade
da equipe do Domingo Legal deverá sair, assim como
seu atual diretor, Maurício Nunes. Ao mesmo tempo, Homero
Salles, homem de confiança de Gugu, está de volta
à atração. No melhor estilo Poliana, o apresentador
até já encontrou um aspecto positivo no fato de ter
perdido o controle sobre o merchandising de sua atração
domingueira: é o tempo livre para se dedicar à criação
de novidades. "É saudável eu me concentrar apenas
na questão artística e deixar a parte comercial a
cargo do SBT", diz. Silvio Santos também acha.
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