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Cinema Talento
visível Kátia Lund ganha
de lavada de Spike Lee e John Woo  Isabela
Boscov
Divulgação
 | | Francisco
e Vera: a capacidade de se divertir |
Entre as muitas polêmicas sobre Cidade de Deus, uma das mais ruidosas
ocorreu em 2004, quando a co-diretora Kátia Lund ficou de fora da indicação
ao Oscar concedida a Fernando Meirelles que desfez o mal-estar de forma
categórica: "Meu contrato com Kátia é claro. Eu sou o piloto,
ela é o co-piloto". Desde então, Kátia ainda não conseguiu
assinar um longa só seu. Mas, com Crianças Invisíveis
(All the Invisible Children, Itália/França, 2005),
mostra que não lhe falta preparo para tanto. O filme que estréia
nesta sexta-feira no país é uma peça de propaganda para o
Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Os sete
episódios variam entre o didático (o de Spike Lee), o esotérico
(o do inglês Ridley Scott) e o piegas (o do chinês John Woo). O do
bósnio Emir Kusturica é bom e o de Kátia, idem. Intitulado
Bilú e João, ele segue duas crianças paulistanas que
catam papel e latas para trocá-los por tijolos e, assim, melhorar seu barracão.
Há, como seria de esperar, imagens da favela emoldurada por edifícios
modernos e o retrato de uma atividade desumana. A cineasta, porém, se eleva
acima do clichê na perícia com que dirige os pequenos Francisco Anawake
e Vera Fernandez e na vivacidade com que registra algo inefável: a capacidade
infantil para a alegria, a diversão e a camaradagem. O episódio
pode ser curto. As idéias de Kátia não são. |