Edição 1949 . 29 de março de 2006

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Cinema
Talento visível

Kátia Lund ganha de lavada
de Spike Lee e John Woo


Isabela Boscov

 
Divulgação
Francisco e Vera: a capacidade de se divertir

Entre as muitas polêmicas sobre Cidade de Deus, uma das mais ruidosas ocorreu em 2004, quando a co-diretora Kátia Lund ficou de fora da indicação ao Oscar concedida a Fernando Meirelles – que desfez o mal-estar de forma categórica: "Meu contrato com Kátia é claro. Eu sou o piloto, ela é o co-piloto". Desde então, Kátia ainda não conseguiu assinar um longa só seu. Mas, com Crianças Invisíveis (All the Invisible Children, Itália/França, 2005), mostra que não lhe falta preparo para tanto. O filme que estréia nesta sexta-feira no país é uma peça de propaganda para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Os sete episódios variam entre o didático (o de Spike Lee), o esotérico (o do inglês Ridley Scott) e o piegas (o do chinês John Woo). O do bósnio Emir Kusturica é bom – e o de Kátia, idem. Intitulado Bilú e João, ele segue duas crianças paulistanas que catam papel e latas para trocá-los por tijolos e, assim, melhorar seu barracão. Há, como seria de esperar, imagens da favela emoldurada por edifícios modernos e o retrato de uma atividade desumana. A cineasta, porém, se eleva acima do clichê na perícia com que dirige os pequenos Francisco Anawake e Vera Fernandez e na vivacidade com que registra algo inefável: a capacidade infantil para a alegria, a diversão e a camaradagem. O episódio pode ser curto. As idéias de Kátia não são.

 
 
 
 
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