Edição 1949 . 29 de março de 2006

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Guia
Vestibular
A fórmula dos campeões

Nos próximos meses, mais de 5 milhões
de jovens brasileiros estarão diante de
um dos desafios mais difíceis na vida
estudantil: o vestibular.


Monica Weinberg

Nunca tantas universidades abriram concursos nesse período do ano – entre os meses de maio e julho. Com o objetivo de fornecer pistas sobre como obter sucesso no vestibular, VEJA conversou com estudantes que alcançaram a maior pontuação em suas respectivas áreas, em três dos concursos mais concorridos do país: os das universidades federais de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul e o da Fuvest, em São Paulo. Eles fizeram, de forma bastante prática, uma avaliação sobre o que pesou em favor do bom resultado no vestibular. Os três casos chamam atenção por dois motivos: são exemplos claros de esforço e disciplina, mas também jogam luz na importância da preservação de um tempo para o lazer. O excesso de estudo costuma atrapalhar, afirmam os especialistas ouvidos por VEJA. Na página 120, eles também falam sobre as estratégias que consideram mais eficientes para que os jovens vençam sem traumas essa difícil etapa da vida acadêmica.

Regis Filho


DIEGO DOS SANTOS SENISE,
18 anos,
primeiro lugar no curso de publicidade da Fuvest

Rotina de estudos: além da escola, estudava em média cinco horas diárias por conta própria

Como relaxava: jogava futebol com os amigos

O que foi decisivo para o bom desempenho no concurso, segundo ele:
Assistir a aulas especiais dadas em um cursinho sobre as obras literárias que seriam citadas no vestibular da Fuvest (informação publicada no manual do concurso)
Prestar o vestibular duas vezes antes dessa, apenas para treinar e fazer um diagnóstico de suas lacunas acadêmicas

Método que usou para resolver a prova:
Leu o teste inteiro para detectar as perguntas mais fáceis. Responder a elas antes deu-lhe segurança para enfrentar as questões mais difíceis

O que o ajudou na escolha da carreira: na dúvida entre publicidade e administração de empresas, ele foi à universidade, conversou com professores e assistiu a aulas dos dois cursos. "Isso me ajudou a tomar essa decisão tão difícil"

Liane Neves


ANDRESSA CARDOSO DE AZEREDO,
18 anos, primeiro lugar no curso de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Rotina de estudos: como não passou para a faculdade que mais queria na primeira tentativa, ficou um ano inteiro voltada para o vestibular – assistiu a aulas num cursinho em período integral

Como relaxava: nos fins de semana, visitava os pais em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul e saía com o namorado

O que foi decisivo para o bom desempenho no concurso, segundo ela:
Ter estudado todas as matérias com a mesma dedicação – e não apenas aquelas ligadas às ciências biomédicas
Fazer com seriedade os simulados aplicados pelo cursinho

Método que usou para resolver a prova:
Nas questões de múltipla escolha, quando não sabia a resposta de pronto, adotou como técnica a eliminação daquelas que pareciam mais ilógicas

O que a ajudou na escolha da carreira: o fato de ter acompanhado de perto a carreira do pai, inclusive freqüentando hospitais

Nelio Rodrigues/1º Plano

FRANCIELE ANTONIETA LEIDENZ, 18 anos, primeiro lugar no curso de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais

Rotina de estudos: como não passou para a faculdade que mais queria na primeira tentativa, decidiu dedicar-se exclusivamente ao vestibular no ano seguinte – fazia cursinho pela manhã e estudava em casa à tarde

Como relaxava: navegava na internet e saía com os amigos nos fins de semana

O que foi decisivo para o bom desempenho no concurso, segundo ela:
Além do cursinho, fez aulas de reforço em química e história – matérias em que apresentava mais deficiências
Acompanhou com disciplina o noticiário diário na televisão e nos jornais

Método que usou para resolver a prova:
Leu o enunciado das questões mais de uma vez. Segundo ela, muitos de seus colegas erraram porque, por distração, não leram a pergunta com atenção

O que a ajudou na escolha da carreira: o fato de ter convivido com médicos em sua família. "Optei pela medicina com uma idéia bastante concreta do que era a profissão"

 

O PERFIL DOS VESTIBULANDOS

Quem são os jovens que chegam ao
vestibular e como eles mudam de
hábito ao estudar para o concurso

63% são do sexo feminino

A maioria vem de famílias cuja renda é
de 600 a 1 500 reais por mês

60% trabalham, além de estudar

80% fizeram o ensino médio em escola pública

80% dormem menos e têm a vida social alterada

A metade muda a rotina alimentar

Fontes: MEC e pesquisa realizada pelo especialista Daniel Guzinski
com base em uma amostra de 1046 estudantes

 

ONDE A DISPUTA É MAIOR

Os dez cursos mais concorridos no
vestibular, segundo levantamento
do Ministério da Educação (MEC)

Medicina

Agronomia

Mecânica

Geologia

Veterinária

Odontologia

Biblioteconomia

Ciências Sociais

Estatística

10º Física

 
 
 
 
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