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Internacional ETA
quer trégua O grupo terrorista basco, enfraquecido
por prisões de líderes, anuncia cessar-fogo e pede diálogo
AFP
 | | Encapuzados
do ETA em anúncio na TV espanhola: cessar-fogo permanente |
Não faltam razões
para o governo da Espanha duvidar da sinceridade do anúncio de cessar-fogo
permanente feito pelo grupo terrorista basco ETA, na quarta-feira da semana passada.
A organização, que luta pela independência da região
basca, um conjunto de quatro províncias da Espanha e de um pedaço
do sul da França, já declarou tréguas no passado, só
para retornar aos atentados. A última, em 1998, durou pouco mais de um
ano. Nos últimos 38 anos, os separatistas bascos assassinaram mais de 800
pessoas, sobretudo políticos e policiais. O comunicado da trégua,
feito num videoteipe por três figuras mascaradas, não diz que o ETA
vai depor as armas ou renunciar em definitivo ao uso da violência. Ainda
assim, há motivos para um otimismo cauteloso.
Os separatistas bascos não matam ninguém há quase três
anos. Os atentados a bomba cometidos nesse período parecem ter sido planejados
para marcar presença e causar danos materiais, mas evitar vítimas.
Depois que o IRA depôs as armas na Irlanda do Norte, o ETA é o último
grupo terrorista tradicional (isto é, com exceção dos islâmicos)
da Europa Ocidental. Parece mais anacrônico do que nunca lutar pela criação
de um novo país dentro da União Européia, cuja característica
é exatamente a de diluir as fronteiras nacionais. O mais importante é
a virada na opinião pública. Se ainda havia alguma dúvida
no País Basco sobre a legitimidade do uso da violência como instrumento
de luta nacionalista, ela desapareceu com o atentado da Al Qaeda que matou 190
pessoas, em março de 2004.
Rafa
Rivas/AFP
 | | Protesto
contra o ETA em Andoain, no País Basco, em 2003: sem apoio popular |
A disposição em negociar a paz pode ser um sinal do enfraquecimento
do ETA, fruto também da política de bate-e-assopra do primeiro-ministro
José Luis Rodriguez Zapatero. Em seu governo, a polícia prendeu
o principal líder do ETA e outros vinte dirigentes. A Justiça fez
sua parte, condenando dois separatistas bascos a 2.775 anos de prisão por
um atentado de 2003. Em outra frente, Zapatero foi o primeiro governante espanhol
a conseguir do Parlamento a aprovação de uma estratégia de
negociação com o ETA, sob a condição de que o grupo
renunciasse à violência. O primeiro-ministro foi cuidadoso ao comentar
o anúncio do grupo na semana passada, dizendo que há ainda um longo
e difícil processo de paz pela frente. Com certeza, ele tem razão.
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