Edição 1949 . 29 de março de 2006

Índice
Millôr
Claudio de Moura Castro
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Internacional
ETA quer trégua

O grupo terrorista basco, enfraquecido por
prisões de líderes, anuncia cessar-fogo
e pede diálogo  

 

AFP
Encapuzados do ETA em anúncio na TV espanhola: cessar-fogo permanente  

EXCLUSIVO ON-LINE
Em Profundidade: Terror Internacional

Não faltam razões para o governo da Espanha duvidar da sinceridade do anúncio de cessar-fogo permanente feito pelo grupo terrorista basco ETA, na quarta-feira da semana passada. A organização, que luta pela independência da região basca, um conjunto de quatro províncias da Espanha e de um pedaço do sul da França, já declarou tréguas no passado, só para retornar aos atentados. A última, em 1998, durou pouco mais de um ano. Nos últimos 38 anos, os separatistas bascos assassinaram mais de 800 pessoas, sobretudo políticos e policiais. O comunicado da trégua, feito num videoteipe por três figuras mascaradas, não diz que o ETA vai depor as armas ou renunciar em definitivo ao uso da violência. Ainda assim, há motivos para um otimismo cauteloso.

Os separatistas bascos não matam ninguém há quase três anos. Os atentados a bomba cometidos nesse período parecem ter sido planejados para marcar presença e causar danos materiais, mas evitar vítimas. Depois que o IRA depôs as armas na Irlanda do Norte, o ETA é o último grupo terrorista tradicional (isto é, com exceção dos islâmicos) da Europa Ocidental. Parece mais anacrônico do que nunca lutar pela criação de um novo país dentro da União Européia, cuja característica é exatamente a de diluir as fronteiras nacionais. O mais importante é a virada na opinião pública. Se ainda havia alguma dúvida no País Basco sobre a legitimidade do uso da violência como instrumento de luta nacionalista, ela desapareceu com o atentado da Al Qaeda que matou 190 pessoas, em março de 2004.

Rafa Rivas/AFP
Protesto contra o ETA em Andoain, no País Basco, em 2003: sem apoio popular


A disposição em negociar a paz pode ser um sinal do enfraquecimento do ETA, fruto também da política de bate-e-assopra do primeiro-ministro José Luis Rodriguez Zapatero. Em seu governo, a polícia prendeu o principal líder do ETA e outros vinte dirigentes. A Justiça fez sua parte, condenando dois separatistas bascos a 2.775 anos de prisão por um atentado de 2003. Em outra frente, Zapatero foi o primeiro governante espanhol a conseguir do Parlamento a aprovação de uma estratégia de negociação com o ETA, sob a condição de que o grupo renunciasse à violência. O primeiro-ministro foi cuidadoso ao comentar o anúncio do grupo na semana passada, dizendo que há ainda um longo e difícil processo de paz pela frente. Com certeza, ele tem razão.

 
 
 
 
topovoltar