Edição 1949 . 29 de março de 2006

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Brasil
Era fraude mesmo

Perícia atesta que a "lista de Furnas"
não passa de falsificação grosseira


Marcelo Carneiro


Joedson Alves/AE
A assinatura falsa de Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, tem um D em forma de gota. O da verdadeira é triangular
FALSA
VERDADEIRA

Em fevereiro, um documento de cinco páginas ganhou as manchetes de jornais e ajudou a tumultuar ainda mais o conturbado cenário político. Tratava-se da "lista de Furnas", um conjunto de papéis que elencava supostas doações irregulares de campanha, no valor de 40 milhões de reais, a 156 políticos de doze partidos – a maior parte de oposição ao governo Lula. O documento trazia a assinatura de Dimas Toledo, ex-diretor da estatal, e foi saudado pelos mensaleiros petistas como a prova de que PSDB e PFL também tinham o seu caixa dois – nenhum parlamentar do PT era citado. Os papéis foram fornecidos à Polícia Federal pelo lobista Nilton Monteiro, de Minas Gerais. Monteiro nunca apresentou os originais da tal lista, apenas cópias autenticadas. Por essa razão, o documento sempre foi visto com desconfiança. Agora, sabe-se que não passava de falsificação grosseira. Uma série de laudos realizados pela PF e por peritos contratados atestou a fraude.

Um estudo do Instituto Nacional de Criminalística, órgão da Polícia Federal, já tinha chamado atenção para a existência de indícios de "montagem", "alterações" ou "implantes" em partes do documento. Mas dois laudos preparados a pedido do escritório de advocacia que defende Dimas Toledo provam que, além dessas manipulações, a assinatura e a rubrica do ex-diretor também foram falsificadas. Até o logotipo de Furnas que aparece no documento sofreu adulteração. "É falsa, indiscutivelmente falsa, a assinatura atribuída ao doutor Dimas Fabiano Toledo", atesta o perito Mauro Ricart, do Rio de Janeiro. Seu colega Celso del Picchia, de São Paulo, chegou à mesma conclusão. As diferenças entre a assinatura falsa e a verdadeira são visíveis, como mostra o quadro no início da matéria.


FALSO
VERDADEIRO
Até o logotipo era falso: a diferença está principalmente na grossura das linhas

Por meio de um programa de computador, os peritos também desmontaram outra farsa. Para dar autenticidade à lista, os fraudadores a apresentaram em papéis semelhantes aos oficiais. O logotipo de Furnas, no entanto, foi grosseiramente copiado. Os peritos compararam o desenho que ilustra a lista apresentada pelo lobista com o de documentos autênticos. Nos papéis falsificados, o logotipo tem sempre linhas mais finas. Nilton Monteiro, que é réu em onze processos, incluindo estelionato e falsificação de documentos, foi indiciado pela Polícia Civil de Minas Gerais por calúnia e difamação. Agora terá de explicar à Justiça quem foi que lhe encomendou o trabalho sujo.

 
 
 
 
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