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Brasil
Era fraude mesmo
Perícia atesta que a "lista de Furnas"
não passa de falsificação grosseira

Marcelo Carneiro
Em fevereiro, um documento de
cinco páginas ganhou as manchetes de jornais e ajudou a tumultuar
ainda mais o conturbado cenário político. Tratava-se
da "lista de Furnas", um conjunto de papéis que elencava
supostas doações irregulares de campanha, no valor
de 40 milhões de reais, a 156 políticos de doze partidos
a maior parte de oposição ao governo Lula.
O documento trazia a assinatura de Dimas Toledo, ex-diretor da estatal,
e foi saudado pelos mensaleiros petistas como a prova de que PSDB
e PFL também tinham o seu caixa dois nenhum parlamentar
do PT era citado. Os papéis foram fornecidos à Polícia
Federal pelo lobista Nilton Monteiro, de Minas Gerais. Monteiro
nunca apresentou os originais da tal lista, apenas cópias
autenticadas. Por essa razão, o documento sempre foi visto
com desconfiança. Agora, sabe-se que não passava de
falsificação grosseira. Uma série de laudos
realizados pela PF e por peritos contratados atestou a fraude.
Um estudo do Instituto Nacional
de Criminalística, órgão da Polícia
Federal, já tinha chamado atenção para a existência
de indícios de "montagem", "alterações" ou
"implantes" em partes do documento. Mas dois laudos preparados a
pedido do escritório de advocacia que defende Dimas Toledo
provam que, além dessas manipulações, a assinatura
e a rubrica do ex-diretor também foram falsificadas. Até
o logotipo de Furnas que aparece no documento sofreu adulteração.
"É falsa, indiscutivelmente falsa, a assinatura atribuída
ao doutor Dimas Fabiano Toledo", atesta o perito Mauro Ricart, do
Rio de Janeiro. Seu colega Celso del Picchia, de São Paulo,
chegou à mesma conclusão. As diferenças entre
a assinatura falsa e a verdadeira são visíveis, como
mostra o quadro no início da matéria.
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FALSO
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VERDADEIRO
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| Até o logotipo era falso:
a diferença está principalmente na grossura das
linhas |
Por meio de um programa de computador,
os peritos também desmontaram outra farsa. Para dar autenticidade
à lista, os fraudadores a apresentaram em papéis semelhantes
aos oficiais. O logotipo de Furnas, no entanto, foi grosseiramente
copiado. Os peritos compararam o desenho que ilustra a lista apresentada
pelo lobista com o de documentos autênticos. Nos papéis
falsificados, o logotipo tem sempre linhas mais finas. Nilton Monteiro,
que é réu em onze processos, incluindo estelionato
e falsificação de documentos, foi indiciado pela Polícia
Civil de Minas Gerais por calúnia e difamação.
Agora terá de explicar à Justiça quem foi que
lhe encomendou o trabalho sujo.
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