Edição 1949 . 29 de março de 2006

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Brasil
Quem será o vice de Alckmin?

O PFL discute o nome para compor
a chapa com o PSDB e cobra o
apoio dos tucanos nos estados


Marcelo Carneiro

 
Fotos Alaor Filho/AE, Gustavo Miranda/Ag. O Globo e Celso Junior/AE
Candidatos a vice: os senadores José Jorge e José Agripino (de óculos) e seus padrinhos – Jorge Bornhausen e Antonio Carlos Magalhães


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Quebra-cabeça

Depois do duelo José Serra versus Geraldo Alckmin, um novo embate movimenta o cenário eleitoral: a disputa, dentro do PFL, para saber quem será o vice na chapa do governador Alckmin, o escolhido dos tucanos para enfrentar Lula nas eleições de outubro. Até o momento, dois senadores da bancada pefelista no Nordeste surgem como os nomes mais prováveis: José Agripino Maia, do Rio Grande do Norte, e José Jorge, de Pernambuco – cada um deles já devidamente apadrinhado. O senador Antonio Carlos Magalhães abraçou o nome de Agripino assim que ele surgiu. Para o ex-governador baiano, apadrinhar o vice numa chapa presidencial seria uma forma de "dar a volta por cima". Isso porque o poder do senador, assim como sua influência dentro do PFL, segue em rota declinante desde que ele teve de renunciar ao mandato, em 2001, acusado de violar o painel de votação do Senado. Já com Jorge Bornhausen aconteceu o contrário. O presidente do PFL ganhou força dentro do partido na medida em que conseguiu fazer com que ele fosse alçado à categoria de "verdadeira oposição" ao governo no último ano. Ajudaram-no, além da eclosão do escândalo do mensalão, a pusilanimidade com que os tucanos trataram a questão. Na semana passada, ficou decidido que a escolha do vice do PFL será feita a partir de uma lista com cerca de dez nomes, a ser apresentada em breve. Com lista ou sem lista, no entanto, o pano de fundo da questão continua sendo a briga pela hegemonia do partido. Nela, até agora, quem leva vantagem é Bornhausen – e, claro, seu candidato, José Jorge.

A parceria com o PFL é fundamental para Alckmin. O partido de Bornhausen e ACM é especialmente forte no Nordeste (mais da metade da bancada pefelista no Congresso vem de lá), região em que o governador de São Paulo apresenta seu pior desempenho no confronto direto com Lula. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal de manter a verticalização, na semana passada, os partidos que fizerem coligações para a corrida presidencial ficarão impedidos de contrariá-las nas disputas estaduais. Com isso, tucanos e pefelistas, caso selem mesmo uma aliança no plano federal, terão duas alternativas nos estados: não lançar candidato e apoiar o nome da sigla aliada ou lançar candidato próprio, sabendo do impedimento de se coligar com qualquer sigla adversária da chapa na disputa presidencial.

A partir de agora, portanto, a prioridade do PSDB passa a ser conciliar os seus interesses com os dos futuros aliados nos estados. As negociações começaram bem. Na semana passada, o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), que havia prometido só desistir da própria candidatura à Presidência no caso de ser Serra o presidenciável tucano, recebeu Alckmin. Depois de uma conversa para lá de amistosa, anunciou que abre mão da candidatura. Ele prometeu a Alckmin que coordenará, no Rio, a montagem de um "muro blindado" em torno da candidatura do tucano. Dessa união de forças poderão participar, além do PFL e do PSDB, o PP e o PMDB, caso a governadora Rosinha Garotinho não concorra à reeleição. Maia disse ainda ao governador paulista que aceita até mesmo que os tucanos lancem candidato próprio ao governo do Rio. A única coisa que ele não quer de jeito nenhum é que o PSDB apóie uma eventual candidatura da deputada federal Denise Frossard (PPS).

Com a questão fluminense bem encaminhada, permanece o impasse, em maior ou em menor grau, em pelo menos outros seis estados (veja o quadro abaixo). Nesses casos, o papel de conciliador deve caber ao presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati. Ele e Alckmin iniciarão nesta semana uma série de conversas com lideranças tucanas de todo o país. Ao pedir o apoio de Tasso para lidar com o imbróglio das alianças regionais, Alckmin mostra que está atento a outro problema: a baixa densidade política do grupo que hoje gravita em torno de sua candidatura. O governador já se deu conta de que, para eleger-se presidente, terá de ampliar o leque de articulações. Nos primeiros dias após a sua vitória, chegou-se a ensaiar a criação de uma espécie de República de Pindamonhangaba – alusão ao grupo formado por assessores que acompanham o governador desde os tempos em que fazia política na cidade natal. A idéia não prosperou. O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, João Carlos Meirelles, que sonhava com o papel de coordenador nacional da campanha, por exemplo, foi logo chamado à realidade. O posto, claro, é de Tasso. O PSDB sabe que não tem tempo a perder.

 
 
 
 
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