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Diogo
Mainardi
Marcelo Netto,
Marcelo Netto
"Quem difundiu o extrato bancário
do
caseiro foi o assessor de imprensa de
Palocci, Marcelo Netto. Desde a semana
passada, todos os jornalistas sabiam disso.
Marcelo Netto é jornalista. E jornalistas
não denunciam jornalistas"
Marcelo Netto. O nome dele é
Marcelo Netto. Repetindo: Marcelo Netto, Marcelo Netto, Marcelo
Netto, Marcelo Netto.
Os jornais passaram a semana
inteira tentando descobrir quem violou o sigilo bancário
do caseiro Francenildo Costa. Está certo. Precisamos de uma
resposta urgente. Os mandantes do crime todos eles
devem ser exemplarmente punidos. Com demissão. Com cadeia.
Com tomatadas e ovadas no cocuruto. É uma questão
fundamental para o país. Pena que eu não seja a pessoa
mais indicada para tratar de questões fundamentais. Pelo
contrário. Meu negócio são as questões
menores. E, no caso, há uma questão menor que, por
dias e dias, os jornais preferiram escamotear: o nome de quem passou
à imprensa o extrato bancário do caseiro. Em todas
as reportagens publicadas ao longo da semana, sua identidade foi
cuidadosamente resguardada pelos jornalistas, sempre com a mesma
fórmula. "Quem deu publicidade aos dados bancários
do caseiro foi um assessor de Palocci." Ou: "Na quinta-feira, os
dados teriam sido encaminhados a um assessor especial do ministro".
Ou: "Na sexta-feira, um assessor do Ministério da Fazenda
já difundia a suspeita de que o caseiro poderia ter recebido
dinheiro para acusar Palocci". Ou: "Naquela mesma noite, cópias
do extrato do caseiro circularam junto aos assessores do ministro".
Ou: "Uma fonte mantida no anonimato passou a dois jornalistas de
Época o extrato de sua conta bancária".
Quem difundiu o extrato bancário
do caseiro foi o assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto.
Desde a semana passada, todos os jornalistas sabiam disso. Mas nenhum
se animou a denunciá-lo. Marcelo Netto é jornalista.
E jornalistas não denunciam jornalistas. Exatamente da mesma
maneira que deputados não cassam deputados. O escandaloso
acobertamento do nome de Marcelo Netto, porém, foi muito
mais do que um simples ato de canalhice ou de coleguismo
foi prejudicial ao próprio trabalho da imprensa. Marcelo
Netto tem de ser investigado a fundo. Ele pode explicar a origem
dos dados sigilosos sobre o caseiro. Ele pode explicar quando Lula
foi informado sobre o caso, se antes ou depois de ser veiculado
pela imprensa. Ele pode explicar, por fim, o caminho que o extrato
bancário tomou a partir do momento em que foi parar em suas
mãos. Um dos filhos de Marcelo Netto, Matheus Leitão,
é repórter da Época. O chefe da sucursal
da revista em Brasília, Gustavo Krieger, mandou-o correr
atrás do material sobre o caseiro. Ele correu. E a Época
o publicou. O episódio é ilustrativo dos esquemas
de aliciamento, apadrinhamento e cumplicidade do petismo. Um protege
o outro. Um defende o outro. Um conluia com o outro. Um contrabandeia
mercadoria ilícita para o outro. Toda essa história
surgiu porque o caseiro Francenildo Costa não sabia quem
era seu pai. O jornalista Matheus Leitão sabe perfeitamente
quem é o seu. É Marcelo Netto. Repetindo: Marcelo
Netto, Marcelo Netto, Marcelo Netto, Marcelo Netto.
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