Tchau, pagode
Depois do axé, é o samba
mauricinho que desanda
Sérgio Martins
Realmente
o país está melhorando. Primeiro foi a axé
music que entrou em decadência. Agora é o pagode
mauricinho que começa a dar sinais de cansaço.
Os principais artistas do gênero tiveram uma queda
média de 50% nas vendagens de seus últimos
CDs (veja quadro). Estima-se que em 1999 o mercado
de discos encolheu 12,7% em relação a 1998,
o que ajudou a derrubar esses grupos. Há, no entanto,
outras razões para o fenômeno, na avaliação
dos executivos de gravadora. Uma é a superexposição
dos cantores do gênero na mídia. Quem ainda
agüenta ver pagodeiro participando de gincana televisiva?
O segundo motivo é o próprio chororô
meloso que o estilo se tornou. A prova disso é que
os fãs de samba estão se voltando para os
artistas considerados "de raiz". Veteranos como Zeca Pagodinho,
Jorge Aragão e Beth Carvalho nunca venderam tanto.
Aos adeptos do pagode mauricinho resta mudar a maneira de
tocar. Alguns já estão se mexendo nesse sentido.
O grupo Negritude Júnior, por exemplo, contratou
o produtor Lincoln Olivetti para colocar uma pitada de soul
music em seu próximo disco.