Edição 1 642 - 29/3/2000

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Carreira

Lazer é trabalho

O turismo cresce e cria empregos no setor hoteleiro

Monica Gailewitch

A área de turismo e hotelaria passa por grande expansão. Prevêem-se para os próximos dois anos investimentos da ordem de 6 bilhões de dólares. São 300 hotéis em construção e dez novos parques temáticos. O crescimento vai acontecer basicamente pela atuação de grandes grupos estrangeiros. O conglomerado mexicano Posadas, que há dois anos adquiriu a rede Caesar Park, está construindo cinco hotéis em São Paulo. O grupo Accor pretende abrir 57 flats e hotéis. Outras grandes redes internacionais, como Holiday Inn, Meliá e Marriott, também irão ampliar seus negócios no Brasil. Serão 400.000 empregos diretos. Dessas vagas, cerca de 20% se destinarão àqueles com formação especializada, sendo 24% para cargos de chefia média e 12% para postos de gerência. "É um dos setores que mais se desenvolvem atualmente, com enorme potencial de crescimento", avalia Herculano Iglesias, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis.

De acordo com a Embratur, no ano passado um em cada doze brasileiros empregados trabalhava em alguma área ligada ao turismo. Neste ano a previsão é de um para dez. As possibilidades de atuação nos hotéis são várias: recepção, governança, eventos e lazer, vendas e marketing, administração ou alimentos e bebidas. O salário inicial para profissionais com nível superior é de 1.000 reais. Gerentes e supervisores ganham de 4.000 a 10.000 reais; diretores de grandes hotéis, cerca de 12.000; e diretores internacionais, a partir de 21.000 reais. Por crescer a uma velocidade assombrosa, ainda faltam profissionais qualificados. Não é à toa que estão proliferando os cursos de hotelaria no país. Nos últimos nove anos, as escolas cadastradas com curso superior em turismo cresceram três vezes. Uma das mais tradicionais e bem equipadas no Brasil é a do Senac, no Grande Hotel de Águas de São Pedro, a 203 quilômetros da capital paulista. A instituição mantém convênio com escolas de prestígio internacional, como a École Hôtelière, de Lausanne, na Suíça.

Além dos cursos superiores existem os livres, conhecidos como técnicos ou de aperfeiçoamento. São mais de 2.000 espalhados por 27 Estados, com duração que varia entre uma semana e dezoito meses. Esses cursos, em geral, exigem somente o 2º grau, e o aluno pode escolher apenas as áreas de seu interesse, como atendimento ao cliente, marketing e comercialização, gestão empresarial ou alimentação e bebidas. Como não há regulamentação da profissão, os hotéis não exigem diploma para a contratação. Mas, com ou sem diploma, para ingressar no ramo hoteleiro é preciso falar no mínimo outra língua e lidar bem com informática. Depois, é aprender a trabalhar enquanto os outros se divertem.

 
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