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Isso
é impulso
Muitos livros viram best-sellers graças a
uma estratégia que as redes de livrarias usam para vitaminar suas
vendas
Marcelo
Marthe
Claudio Rossi
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| Fila
do caixa em megastore: a hora certa de fisgar os leitores |
Nos
últimos anos, o mercado editorial brasileiro foi sacudido pelo
surgimento de um novo conceito de livraria: as megastores, lojas com mais
de 500 metros quadrados que, além de livros, vendem desde CDs até
computadores. Esses complexos atualmente há cerca de 150
deles em funcionamento no país lembram em muito os supermercados
e copiaram desses últimos uma arma para incrementar seu faturamento:
táticas para fomentar a compra por impulso. A principal delas consiste
em fazer com que os clientes que aguardam na fila do caixa deparem com
uma série de produtos colocados estrategicamente à vista.
Normalmente são livros baratos e pequenos, recheados de frases
que podem fisgar o leitor de imediato. E ele, que já está
com a carteira na mão, acaba incluindo um item não programado
na sua lista de compras. Há títulos cujas vendas se devem,
em boa medida, a esse tipo de apelo. É o caso de obras de auto-ajuda,
como Você É Insubstituível, do paulista Augusto
Cury, uma coletânea de frases motivacionais tão manjadas
quanto inofensivas, que está há 32 semanas na lista de mais
vendidos de VEJA e ultrapassou a marca dos 100.000 exemplares comercializados.
Outro campeão de vendas na boca do caixa é o manual voltado
à área de negócios Ah! Eu Não Acredito!,
que já chegou às 300.000 cópias. Boa parte delas
foi comprada por empresas onde seu autor, o consultor baiano Sérgio
Almeida, faz palestras. Mas a exposição calculada nas gôndolas
também deu um belo empurrão em suas vendagens.
A
turma do Casseta & Planeta também é beneficiada pela
compra por impulso. "A maioria das pessoas não entra na loja com
o objetivo de comprar um livro como Seu Creysson Vídia
i Óbria. Atraídas a dar uma espiada, divertem-se com
as piadas e acabam não resistindo", diz o diretor superintendente
da rede Saraiva, José Luiz Próspero. Antes do advento das
megastores não se recorria com freqüência a estratagemas
desse tipo. Minutos de Sabedoria, de Torres Pastorino, reinava
quase que sozinho como oferta de boca de caixa. Ao organizar suas lojas
num novo modelo, os livreiros passaram a estudar com mais atenção
o comportamento de seus clientes. Pesquisas internas das grandes redes
mostraram que muita gente entra nas megastores, geralmente localizadas
em shopping centers, para se entreter ou fazer prospecção
de novidades, sem compromisso. "Aproximadamente 40% dos consumidores só
decidem que vão comprar um livro quando estão na livraria",
afirma Marcarian Martins, diretor comercial da Siciliano. Impulsionar
o impulso: isso é impulso.
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