
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Clone,
mas diferente
Animal clonado não é cópia fiel
do original nem
na aparência nem no temperamento
AP
 |
| Rainbow
e Cc: iguais somente no teste de DNA |
"Rainbow"
é uma gatinha malhada, com manchas castanhas, marrons e douradas.
O pêlo de "Cc" (de cópia carbono) só tem listras cinza.
Rainbow é uma gata circunspecta. Cc é mais magra, curiosa
e brincalhona. As diferenças não chamariam a atenção
se a gata Cc não fosse o clone de Rainbow. Mais do que isso, trata-se
do primeiro clone de animal doméstico, cujo nascimento foi financiado
por uma empresa americana, a Genetic Savings & Clone. O dono da companhia,
o milionário John Sperling, gastou 3,7 milhões de dólares
no projeto com dois objetivos. O primeiro foi clonar sua cadela, uma vira-lata
chamada "Missy" experiência que ainda não deu certo.
O segundo era oferecer às pessoas a oportunidade de clonar seus
animais de estimação. Na semana passada, os veterinários
da Universidade do Texas A&M, responsáveis pelo nascimento
de Cc, anunciaram a conclusão surpreendente: apesar de compartilharem
o mesmo código genético, os animais clonados não
são cópias fiéis dos originais.
As causas dessa diferença ainda não estão claras,
mas é possível que se encontrem nas técnicas de clonagem.
"Não há controle sobre o que acontece com o DNA nesse processo",
diz o geneticista Salmo Raskin. Os códigos genéticos da
matriz e do clone podem ser comparados a livros com as mesmas letras dispostas
em seqüências idênticas mas nem sempre as mesmas
letras (os genes) se tornam ativas em cada animal. É uma espécie
de loteria. No caso dos gatos, ter o mesmo DNA não é garantia
de conseguir um padrão idêntico de pelagem, pois fatores
ambientais contam na definição das cores. Mas a diferença
de personalidade é inteiramente inesperada. A mesma universidade
acompanhou o comportamento de ninhadas de porcos clonados e descobriu
que têm temperamentos tão distintos entre si quanto os animais
normais. "Eles preferiam alimentos diferentes, guinchavam de maneira diversa
e nenhum reagia aos tratadores do mesmo jeito", conta o pesquisador Greg
Archer, responsável pela experiência. A conclusão
é decepcionante para quem gostaria de trazer de volta um animal
de estimação ou, até mesmo, um filho que morreu.
O próprio Sperling, desapontado com o fracasso da clonagem de sua
cadelinha, cortou a verba da universidade. Os pesquisadores da Texas A&M,
por sua vez, avisaram que agora vão se dedicar a clonar gado e
animais selvagens, que ninguém vai dar a mínima se reconhecem
o dono ou não.
|
|
 |
|
 |

|
 |