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O emprego
está nas micros
Pesquisa
mostra que 53%
dos postos de trabalho no
Brasil estão em empresas com
até dezenove funcionários
Monica
Weinberg
Antonio Milena
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Claudio Rossi
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| Indústria
automobilística: a produtividade enxugou o quadro de empregados |
Clínica
veterinária na Zona Leste de São Paulo: apenas dois
funcionários |

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Uma
detalhada radiografia do mundo do emprego no Brasil feita recentemente
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
mostrou em números o que muitos economistas vinham pressentindo
há algum tempo. A pesquisa revela os efeitos da combinação
do aumento da produtividade com a desaceleração da economia
brasileira. Hoje as empresas fazem mais com menos empregados. Quando se
soma a isso a retração da economia, o resultado é
o que a pesquisa estampa: o número médio de empregados nas
companhias brasileiras caiu 15% em comparação com o mesmo
indicador de cinco anos atrás. A reestruturação da
economia, conforme aponta o estudo do BNDES, levou o foco da geração
de empregos para as chamadas microempresas lojas, fábricas,
bares e confecções com até dezenove funcionários.
Esse segmento emprega atualmente 53% de toda a força de trabalho
no Brasil com carteira assinada contra 46% em 1995.
Dados recentes mostram que os estabelecimentos brasileiros que usam mão-de-obra
intensiva, as grandes empresas industriais, foram as companhias que mais
se esmeraram em obter ganhos de eficiência na última década.
Entre as cinco primeiras da lista, quatro estão ligadas à
indústria de transportes, que, na década de 90, enxugou
22% de suas vagas. Segundo os especialistas, o rearranjo da economia brasileira
em função do aumento da produtividade começa a dar
sinais de estabilização. "O choque de reestruturação
produtiva completou-se no Brasil. Agora é hora de crescer", diz
Luiz Parreiras, economista do Ipea.
O trabalho do BNDES listou as típicas empresas que compõem
o heterogêneo cenário das microfirmas brasileiras e as colocou
num ranking. Entre as que apresentam o menor quadro de funcionários
estão clínicas veterinárias, postos de gasolina,
açougues, brechós e auto-escolas. Por princípio,
não é ruim que as microempresas tenham um peso tão
elevado na estrutura produtiva de um país. Nos Estados Unidos e
em países europeus, elas são tradicionais alavancadoras
de emprego. Uma característica típica do Brasil nesse setor
torna a realidade mais árdua do que em outros países. As
microempresas brasileiras têm mais dificuldade de sobreviver. De
acordo com uma estatística recente, metade delas fecha as portas
antes de completar quatro anos de vida. Em um país como o Brasil,
em que 93% dos estabelecimentos são micros, isso é preocupante.
Nos Estados Unidos, esse número não é tão
diferente: 87% das firmas são micros. A diferença é
que boa parcela dessas empresas americanas prospera, portanto cresce e
passa a gerar mais empregos. Esse dinamismo, embalado por taxas de crescimento
econômico na casa dos 4%, ajuda a explicar por que a média
de empregos gerados numa companhia americana subiu no mesmo período
em que, no Brasil, ela caiu. Aqui não houve crescimento econômico
comparável ao americano.
Por trás da queda no número de empregados nas firmas brasileiras
está também o acirramento da competição. Elas
passaram a precisar elevar sua produtividade às alturas, usando
mais tecnologia e menos mão-de-obra. A modernização
da indústria de transformação podou mais de meio
milhão de vagas na década de 90. As grandes empresas brasileiras
adotaram a estratégia da terceirização, cuja idéia
é ganhar produtividade, concentrando-se na fabricação
de carros ou aviões, e pagar outras empresas para lhes prestar
serviços. A reestruturação levou ao emagrecimento
do quadro das grandes companhias e fez nascer outras menores que gravitam
em torno das gigantes. Isso contribuiu para a diminuição
do número de empregados por estabelecimento brasileiro, como mostra
o estudo do BNDES. A economia brasileira passou na última década
pelo mesmo processo vivido há vinte anos nos Estados Unidos. "O
Brasil se encontra num estágio anterior ao americano em sua reestruturação
capitalista. Os Estados Unidos já estão na fase 2", observa
a economista Sheila Najberg, autora do estudo e gerente executiva na área
de emprego do BNDES.
Os índices de desemprego no Brasil nunca foram altos em comparação
com os de economias mais maduras. Na década de 80, os desempregados
equivaliam a 5% da força de trabalho. Hoje, a taxa quase dobrou:
está em 9,4%. A tendência à redução
das vagas no mercado de trabalho em conseqüência do ganho de
eficiência na produção não é um problema
exclusivamente brasileiro. Aconteceu no mundo inteiro. A questão
no Brasil se complicou porque a economia vem patinando em taxas de crescimento
medíocres.
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