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Rogério Montenegro
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| Sala
do Cinemark: em apenas cinco anos, a rede americana tornou-se líder
disparada no Brasil |
As
salas confortáveis, com ar
condicionado e som de primeira,
espalham-se pelo interior do Brasil
e ajudam a atrair aos cinemas
o maior público em uma década
Adriana
Carvalho

Veja também |
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Contrariando
todas as expectativas, o público de cinema no Brasil saltou de
74 milhões em 2001 para 90 milhões em 2002. O crescimento
foi de 21%. É o maior número já registrado nos últimos
dez anos. O faturamento acompanhou o mesmo ritmo e alcançou 529,5
milhões de reais, um avanço de 25% em relação
ao ano anterior. Muitos analistas calculavam que, com o barateamento e
a explosão da venda de televisores, videocassetes e, mais recentemente,
de DVDs e de equipamentos de home theater, os brasileiros iriam com menos
freqüência ao cinema. Contavam também com a competição
da popularização da internet como mais um fator para afastar
os espectadores das salas de exibição. Os analistas erraram
feio. O que salvou o negócio de exibição de filmes
foi a revolução de conforto, que levou à construção
de centenas de novas salas de cinema em todo o Brasil. Simplesmente as
tecnologias domésticas ainda não conseguem reproduzir em
casa as experiências sensoriais de uma sessão de cinema numa
moderna sala de exibição, como as que se espalharam pelo
Brasil nos últimos anos.
Esse foi o grande fenômeno. "Por melhor e mais esperado que fosse
um filme, era difícil ter casa lotada por causa da falta de conforto
e da tecnologia ultrapassada", diz Paulo Sérgio Almeida, diretor
da Filme B, empresa de análise do mercado de cinema. Essa realidade
começou a mudar com a entrada de grandes grupos estrangeiros no
mercado brasileiro, a partir da metade da década de 90. Construíram
novas salas, as chamadas multiplex. Com cada fileira de cadeiras num nível,
a visão da tela só é atrapalhada se alguém
com a estatura de Shaquille O'Neal, o astro do basquete americano, sentar-se
na frente, algo extremamente improvável. Os estrangeiros trouxeram
também a tendência de aumentar o tamanho dos assentos. Nas
melhores salas eles são reclináveis e têm espaço
especialmente recortado no braço da poltrona para colocar refrigerantes
e guloseimas. Investiram em projetores de filmes mais modernos e na tecnologia
do som digital, a mais moderna disponível hoje em dia. Criaram
uma rede de serviços que vai da venda de pipoca à comodidade
dos ingressos antecipados. Ao optar por instalar os novos cinemas dentro
de shopping centers, ofereceram também segurança aos espectadores.
O Cinemark o terceiro grupo no ranking americano tornou-se
o maior exibidor do Brasil, com 264 salas e um faturamento que em 2002
chegou a 200 milhões de reais. Para os grupos estrangeiros, a atração
do mercado brasileiro vai além dos resultados de 2002. Todos miram
no potencial de crescimento. O sucesso dos grupos estrangeiros no Brasil
mexeu com os concorrentes nacionais. A corrida para instalar novas salas
foi inevitável. O mais tradicional exibidor brasileiro, com 86
anos de história, teve de adequar sua estratégia para não
ser varrido do mapa pela concorrência estrangeira. Severiano Ribeiro
fez associações internacionais e correu atrás das
inovações. Hoje o grupo, que exibiu o primeiro filme falado
no Brasil, no fim dos anos 20, se vangloria de operar em uma de suas salas
um equipamento de projeção digital. Mesmo nos Estados Unidos
são raras as salas dotadas de projetores digitais, em que as velhas
bobinas de filmes são substituídas por discos ópticos
de grande capacidade ou por outro meio digital de gravação.
Além da preocupação de estar na vanguarda das inovações
tecnológicas, os exibidores de cinema estão levando o conforto,
antes restrito às salas das capitais, ao interior do país.
"Os exibidores estão investindo no desbravamento dos mercados do
interior e das capitais do Nordeste", diz José Carlos Oliveira,
diretor executivo da UCI no Brasil, a terceira na lista dos maiores exibidores.
Assim como o Cinemark, a UCI chegou em 1997 ao Brasil.
Ag. Folha
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| Cine
Paramount, em São Paulo, nos anos 50: o conforto e a tecnologia
só chegaram há poucos anos |
Outra
previsão errônea dava conta de que os pequenos exibidores
tenderiam a desaparecer pela entrada no mercado de concorrentes estrangeiros,
com mais dinheiro e alta tecnologia. Pois os pequenos não apenas
sobreviveram como cresceram e aderiram às inovações
tecnológicas. Eles dominam o mercado em cidades com menos de 250.000
habitantes e nos bairros de periferia das capitais, praças que
não interessam aos grandes exibidores. Um exemplo é o grupo
São Luiz de Cinemas, que tem 28 salas no interior de São
Paulo e de Minas Gerais. "Antes precisávamos batalhar um espaço
dentro dos shoppings. Hoje são eles que correm atrás da
gente", explica Marcelo Jorge de Lima, diretor da rede. Assim como acontece
nos shoppings das grandes capitais, os estabelecimentos do interior se
deram conta de que os bons cinemas trazem público não só
para os filmes, mas também para as compras. Por isso, costumam
oferecer aos exibidores a construção do esqueleto das salas
em troca de uma porcentagem na bilheteria.
O mercado americano, o maior do mundo em faturamento, também teve
um ótimo 2002. No ano passado, o setor faturou 9,2 bilhões
de dólares, ou 10% a mais que em 2001, a taxa mais alta em doze
anos. O público também aumentou e chegou a 1,5 bilhão
de espectadores. "A razão do renascimento do cinema é simples.
Os filmes melhoraram e as salas ficaram mais confortáveis", diz
Paul Dergarabedian, presidente da Exhibitor Relations, empresa de Los
Angeles especializada em estudos estatísticos sobre a indústria
cinematográfica. Pelo que dizem os números, o potencial
do mercado brasileiro é muito grande. O México tem uma sala
de cinema para 37.000 habitantes. O Brasil tem uma para 105.000 habitantes.
Massao Goto Filho
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Lucas Digital Sound
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| À
esquerda , o presidente da Cinemark no Brasil, Valmir Fernandes. Ao
lado, Jerry Steckling, da Lucas Digital: novas tecnologias |
O
mercado americano é o laboratório de inovações.
É também onde as tecnologias se tornam populares. As telas
Imax, que podem ter altura equivalente à de um prédio de
oito andares, antes eram raras nos Estados Unidos. Agora estão
espalhadas por dezenas de cidades de grande porte. A Lucas Digital, a
companhia do mago do cinema George Lucas, é uma das que mais apostam
na digitalização dos filmes e das salas para atrair e manter
o público. A empresa de Lucas, criador da série Guerra
nas Estrelas, ajudou a desenvolver o sistema de som EX, da Dolby.
Esse sistema tem um canal de som extra, localizado na parte de trás
da sala. Dessa maneira, os produtores conseguem efeitos sonoros que envolvem
o espectador e acompanham mais realisticamente as cenas. "O controle sobre
o som é hoje tão perfeito que temos de simplificá-lo
um pouco, de modo que o espectador se lembre de que está numa sala
de cinema, e não metido numa situação real", diz
Jerry Steckling, engenheiro de som da Lucas Digital.
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