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Edição 1 787 - 29 de janeiro de 2003
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A descoberta do Maranhão

Com florestas, campos, chapadas,
praias
e impressionantes seqüências
de dunas,
o Estado se revela uma
esquina da riqueza
geográfica
brasileira e se torna uma nova
estrela no mapa turístico do país

Leonardo Coutinho, de São Luís

 
Fotos Christian Knepper
Dunas no delta do Rio Parnaíba, na foto acima, cena do Carnaval maranhense, abaixo, à esq., e o casario restaurado de São Luís

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De um lado, o Estado do Maranhão tem a exuberância da Floresta Amazônica. De outro, o idílico litoral nordestino. Mais abaixo, chapadas e sertões. Visto assim, fica fácil entender por que o Maranhão já recebe mais de 650 000 visitantes por ano e teve um aumento de receita com turismo de quase 200% em dois anos. Bastou, para isso, que algumas ações certas fossem postas em prática na área da promoção do Estado. São Luís e Alcântara, as duas cidades com maior número de sítios de interesse histórico, receberam investimentos de 62 milhões de reais em melhorias turísticas. Desde 1999, foram inaugurados onze hotéis na capital, e as obras de outros cinco estão próximas da conclusão. Na direção do Parque dos Lençóis, uma das mais impressionantes paisagens brasileiras, inaugurou-se uma estrada, a Translitorânea, que diminuiu o tempo de viagem desde São Luís de cinco para três horas.

É verdade que o Estado é bem pobre e tem muita coisa mal resolvida, com miséria evidente nas ruas de São Luís, estradas esburacadas no caminho de alguns pontos de interesse turístico, praias sujas nas cidades e uma proverbial carência de restaurantes de qualidade. Mas os defeitos não levam quem tem visitado o Maranhão a se arrepender do passeio. O litoral, as matas e os campos possuem praticamente a mesma beleza selvagem encontrada pelos colonizadores. Ecoturistas se esbaldam nas lagoas originadas pelas chuvas no meio das dunas, no litoral. E à beira do terceiro maior delta do planeta, o do Rio Parnaíba. Ou diante de cachoeiras com a altura de prédios de quinze andares, na região sul. E também à borda da misteriosa floresta, numa área à qual ainda não chegaram as comodidades da vida urbana. Um desbravador dessas belezas é o fotógrafo alemão Christian Knepper, autor das imagens que ilustram esta reportagem. Morando em São Luís desde 1990, Knepper reuniu um acervo de milhares de fotos de impressionante beleza, 200 reproduzidas no livro Natural do Maranhão (Editora Reflexo; 160 páginas; 89 reais). "Viajei tanto pelo interior que mudei meus hábitos", ele conta. "Noutro dia me dei conta de que lá em casa só tem rede." Eis, ponto a ponto, alguns destaques turísticos do Maranhão:

 
Revoada de téu-téus sobre o Rio Preguiças, acima, barco na Baía de São Marcos e pescador em praia próxima à capital

São Luís – Fundada em 1612, por franceses, e dominada pelos holandeses entre 1641 e 1644, foi uma das principais cidades coloniais. O centro, em parte restaurado, tem 3.500 edificações que ajudam a entender por que a cidade era a quarta mais importante do país no século XIX. Uma marca regional são os azulejos nas fachadas, com suaves detalhes coloridos. Mais que decorativos, eram usados para refletir o calor do sol e amenizar a temperatura dentro das casas. Durante as chuvas, evitavam a erosão das paredes. A Igreja da Sé, de 1629, e o Teatro Arthur Azevedo, construído em 1817 e reformado nos anos 90, valem uma visita. As praias também. São mais de 30 quilômetros em torno da ilha que abriga a capital. As de Ponta d'Areia, Calhau, Olho d'Água e Araçaji são as mais bonitas e limpas. Como a cidade não tem tratamento de esgoto, as praias urbanas são apenas para admirar. A culinária regional tem mariscos, peixes e o arroz-de-cuxá, preparado com gergelim, camarão seco, gengibre e folhas de vinagreira, uma planta parecida com quiabo. Mas são raros os restaurantes que oferecem boa qualidade. Atravessando a Baía de São Marcos, em menos de uma hora de lancha se chega a Alcântara, um lugar que teve, no auge da exportação de açúcar e de algodão, riqueza e modo de vida comparáveis aos das capitais européias. Hoje, ali funciona uma base de lançamento de foguetes.

Lençóis Maranhenses – A região é chamada de "Saara brasileiro" por causa da areia, mas não tem nada de deserta. São 155.000 hectares de dunas, entremeadas de lagos de dezembro a abril, a época das chuvas. A área é um espetáculo de tons azuis, verdes e amarelos. Barreirinhas, a quatro horas de carro de São Luís, é a cidade da região em que se encontra a melhor infra-estrutura. Filme fotográfico e roupas de banho são itens indispensáveis na bagagem, sobretudo para quem sai nos passeios de barco pelo Rio Preguiças, que margeia o parque. A Lagoa Azul, uma das mais famosas do conjunto, serviu de cenário em capítulo de novela. As praias do Mangue, Moitas, Vassouras, Morro do Boi e Barra do Tatu são as mais bonitas e mais procuradas da área. Há outras, quase desertas, alcançáveis de barco.

Delta do Parnaíba – Trata-se de um labirinto de ilhas e rios em área de 270.000 hectares, com cinco braços desaguando no mar. Tem mais de oitenta ilhas. Só os rios Nilo, no Egito, e Mekong, no Vietnã, formam deltas mais amplos. A cidade de Araioses, eixo da visita à região, fica a 459 quilômetros de São Luís. De lá partem barcos que gastam três horas até a Ilha do Caju, a maior do arquipélago, considerada por seus moradores a primeira reserva ecológica do Brasil. Em 1727, um decreto real estabeleceu que a área seria preservada, sob os cuidados de seus primeiros moradores, os índios tremembés. Três décadas depois, com a expulsão dos jesuítas, os portugueses retomaram as terras, e um conflito quase extinguiu os tremembés. Os passeios a cavalo oferecidos pelas pousadas locais são o melhor meio de conhecer belos recantos. Parnaíba, a 50 quilômetros de Araioses, tem dois vôos semanais para São Luís.

Chapada das Mesas – As árvores retorcidas do cerrado lembram o sertão nordestino, mas inúmeros riachos contradizem a imagem entre as paredes de pedras e os chapadões. Na cidade de Carolina, no sul do Estado, está a Cachoeira da Pedra Caída, com mais de 50 metros de altura. Ela brota de uma fenda nas rochas e, lá embaixo, forma uma piscina natural. Outras duas cachoeiras de acesso mais difícil, a de São Romão e a do Prata, são excelentes desafios para quem curte rappel, escalada e trekking.

Hotéis – Para localizar hotéis e pacotes turísticos no Maranhão, pode-se consultar a Empresa Maranhense de Turismo, (98) 217-4073.

   
 
   
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