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A descoberta
do Maranhão
Com
florestas, campos, chapadas,
praias e
impressionantes seqüências
de dunas, o
Estado se revela uma
esquina da riqueza geográfica
brasileira e se torna uma nova
estrela no mapa turístico do país
Leonardo
Coutinho, de São Luís
Fotos Christian Knepper
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| Dunas
no delta do Rio Parnaíba, na foto acima, cena do Carnaval maranhense,
abaixo, à esq., e o casario restaurado de São Luís |

Veja também |
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De
um lado, o Estado do Maranhão tem a exuberância da Floresta
Amazônica. De outro, o idílico litoral nordestino. Mais abaixo,
chapadas e sertões. Visto assim, fica fácil entender por
que o Maranhão já recebe mais de 650 000 visitantes por
ano e teve um aumento de receita com turismo de quase 200% em dois anos.
Bastou, para isso, que algumas ações certas fossem postas
em prática na área da promoção do Estado.
São Luís e Alcântara, as duas cidades com maior número
de sítios de interesse histórico, receberam investimentos
de 62 milhões de reais em melhorias turísticas. Desde 1999,
foram inaugurados onze hotéis na capital, e as obras de outros
cinco estão próximas da conclusão. Na direção
do Parque dos Lençóis, uma das mais impressionantes paisagens
brasileiras, inaugurou-se uma estrada, a Translitorânea, que diminuiu
o tempo de viagem desde São Luís de cinco para três
horas.
É
verdade que o Estado é bem pobre e tem muita coisa mal resolvida,
com miséria evidente nas ruas de São Luís, estradas
esburacadas no caminho de alguns pontos de interesse turístico,
praias sujas nas cidades e uma proverbial carência de restaurantes
de qualidade. Mas os defeitos não levam quem tem visitado o Maranhão
a se arrepender do passeio. O litoral, as matas e os campos possuem praticamente
a mesma beleza selvagem encontrada pelos colonizadores. Ecoturistas se
esbaldam nas lagoas originadas pelas chuvas no meio das dunas, no litoral.
E à beira do terceiro maior delta do planeta, o do Rio Parnaíba.
Ou diante de cachoeiras com a altura de prédios de quinze andares,
na região sul. E também à borda da misteriosa floresta,
numa área à qual ainda não chegaram as comodidades
da vida urbana. Um desbravador dessas belezas é o fotógrafo
alemão Christian Knepper, autor das imagens que ilustram esta reportagem.
Morando em São Luís desde 1990, Knepper reuniu um acervo
de milhares de fotos de impressionante beleza, 200 reproduzidas no livro
Natural do Maranhão (Editora Reflexo; 160 páginas;
89 reais). "Viajei tanto pelo interior que mudei meus hábitos",
ele conta. "Noutro dia me dei conta de que lá em casa só
tem rede." Eis, ponto a ponto, alguns destaques turísticos do Maranhão:
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| Revoada
de téu-téus sobre o Rio Preguiças, acima, barco na Baía de São Marcos
e pescador em praia próxima à capital |
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São Luís Fundada em 1612, por franceses, e
dominada pelos holandeses entre 1641 e 1644, foi uma das principais cidades
coloniais. O centro, em parte restaurado, tem 3.500 edificações
que ajudam a entender por que a cidade era a quarta mais importante do
país no século XIX. Uma marca regional são os azulejos
nas fachadas, com suaves detalhes coloridos. Mais que decorativos, eram
usados para refletir o calor do sol e amenizar a temperatura dentro das
casas. Durante as chuvas, evitavam a erosão das paredes. A Igreja
da Sé, de 1629, e o Teatro Arthur Azevedo, construído em
1817 e reformado nos anos 90, valem uma visita. As praias também.
São mais de 30 quilômetros em torno da ilha que abriga a
capital. As de Ponta d'Areia, Calhau, Olho d'Água e Araçaji
são as mais bonitas e limpas. Como a cidade não tem tratamento
de esgoto, as praias urbanas são apenas para admirar. A culinária
regional tem mariscos, peixes e o arroz-de-cuxá, preparado com
gergelim, camarão seco, gengibre e folhas de vinagreira, uma planta
parecida com quiabo. Mas são raros os restaurantes que oferecem
boa qualidade. Atravessando a Baía de São Marcos, em menos
de uma hora de lancha se chega a Alcântara, um lugar que teve, no
auge da exportação de açúcar e de algodão,
riqueza e modo de vida comparáveis aos das capitais européias.
Hoje, ali funciona uma base de lançamento de foguetes.
Lençóis Maranhenses A região
é chamada de "Saara brasileiro" por causa da areia, mas não
tem nada de deserta. São 155.000 hectares de dunas, entremeadas
de lagos de dezembro a abril, a época das chuvas. A área
é um espetáculo de tons azuis, verdes e amarelos. Barreirinhas,
a quatro horas de carro de São Luís, é a cidade da
região em que se encontra a melhor infra-estrutura. Filme fotográfico
e roupas de banho são itens indispensáveis na bagagem, sobretudo
para quem sai nos passeios de barco pelo Rio Preguiças, que margeia
o parque. A Lagoa Azul, uma das mais famosas do conjunto, serviu de cenário
em capítulo de novela. As praias do Mangue, Moitas, Vassouras,
Morro do Boi e Barra do Tatu são as mais bonitas e mais procuradas
da área. Há outras, quase desertas, alcançáveis
de barco.
Delta do Parnaíba Trata-se de um labirinto
de ilhas e rios em área de 270.000 hectares, com cinco braços
desaguando no mar. Tem mais de oitenta ilhas. Só os rios Nilo,
no Egito, e Mekong, no Vietnã, formam deltas mais amplos. A cidade
de Araioses, eixo da visita à região, fica a 459 quilômetros
de São Luís. De lá partem barcos que gastam três
horas até a Ilha do Caju, a maior do arquipélago, considerada
por seus moradores a primeira reserva ecológica do Brasil. Em 1727,
um decreto real estabeleceu que a área seria preservada, sob os
cuidados de seus primeiros moradores, os índios tremembés.
Três décadas depois, com a expulsão dos jesuítas,
os portugueses retomaram as terras, e um conflito quase extinguiu os tremembés.
Os passeios a cavalo oferecidos pelas pousadas locais são o melhor
meio de conhecer belos recantos. Parnaíba, a 50 quilômetros
de Araioses, tem dois vôos semanais para São Luís.
Chapada das Mesas As árvores retorcidas do
cerrado lembram o sertão nordestino, mas inúmeros riachos
contradizem a imagem entre as paredes de pedras e os chapadões.
Na cidade de Carolina, no sul do Estado, está a Cachoeira da Pedra
Caída, com mais de 50 metros de altura. Ela brota de uma fenda
nas rochas e, lá embaixo, forma uma piscina natural. Outras duas
cachoeiras de acesso mais difícil, a de São Romão
e a do Prata, são excelentes desafios para quem curte rappel, escalada
e trekking.
Hotéis Para localizar hotéis e pacotes
turísticos no Maranhão, pode-se consultar a Empresa Maranhense
de Turismo,
(98) 217-4073.
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