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Edição 1 787 - 29 de janeiro de 2003
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Outro deixa-disso

Nem Carter convence Chávez e oposição
a
negociar um compromisso na Venezuela

 
Fotos AP
Passeata pró-Chávez: ele não negocia com os grevistas

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Como a turma do deixa-disso pode apartar uma briga se os dois lados só pensam em trocar sopapos? Na semana passada, mais um mediador de peso surgiu para tentar o diálogo entre o presidente Hugo Chávez e a barulhenta oposição venezuelana, que há sete semanas mantém o país paralisado por uma greve geral: o ex-presidente americano Jimmy Carter, Nobel da Paz de 2002. Ele apresentou duas propostas: a realização de um referendo em agosto que decidiria a permanência de Chávez ou uma emenda constitucional que encurtaria seu mandato de seis anos e meio para quatro, com eleições presidenciais no ano que vem. Governo e oposição só viram defeitos na proposta.

O que não falta na crise da Venezuela são mediadores internacionais e propostas sensatas. A iniciativa mais importante é a do Clube de Amigos, formado por Brasil, Estados Unidos, México e Chile, com Espanha e Portugal como observadores. Sua primeira reunião foi na sexta-feira passada – mas sua eficácia está ameaçada pela má vontade de Chávez. Apesar de o Clube ser o resultado de uma sugestão sua ao governo brasileiro, o presidente venezuelano não está satisfeito com sua composição. Chávez insiste que reúne mais inimigos do que amigos dentro do Clube e quer incluir Rússia, França e China. No sábado 18, ele apareceu em Brasília para pedir ao presidente Lula uma nova composição do grupo de mediadores. Lula mandou-o de volta a Caracas sem lhe dar nada em troca – ele já descobriu que Chávez é uma amolação.

Carter: referendo em agosto ou mandato menor

Chávez também era esperado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, no fim de semana – sua terceira viagem ao Brasil em pouco mais de vinte dias. O impasse continua a destruir a economia da Venezuela. O bolívar, a moeda venezuelana, desvalorizou-se 30% ante o dólar em apenas vinte dias. Na quarta-feira passada, Chávez suspendeu o mercado cambial por cinco dias para evitar mais uma desvalorização da moeda nacional. Nem o estrangulamento econômico faz o presidente pensar em negociar. "Chávez percebeu que a greve geral perde fôlego e se sente vitorioso. Ele nunca quis negociar, não faz seu estilo", disse a VEJA o professor de ciências políticas Vicente Carrasquero, da Universidade Simón Bolívar, em Caracas. Como demonstração de força, Chávez organizou uma manifestação enorme, que reuniu 300.000 pessoas na capital venezuelana para apoiar seu governo. Os dois lados insistem em continuar no caos.

 


 
 
   
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