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De mentirinha
Fidel
faz eleições em que só
os camaradas do PC têm vez
AP
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| Castro
na urna: 609 candidatos para 609 vagas na Assembléia
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Não
pode haver nenhuma surpresa no resultado das eleições em
Cuba. O presidente Fidel Castro, 76 anos, há 44 no poder, sempre
ganha. No domingo 19, os cubanos foram às urnas para eleger os
candidatos apresentados pelo governo e nenhum outro. Havia exatamente
609 candidatos para as 609 vagas da Assembléia Nacional. Metade
deles foi escolhida diretamente entre os quadros do único partido
existente no país, o Comunista. O restante da lista foi selecionado
entre os vereadores e celebridades. Foram eleitos um cantor de sucesso,
uma campeã olímpica e o garçom Miguel González,
pai de Elian, o menino que foi pivô de uma disputa com os Estados
Unidos entre 1999 e 2000. A Assembléia Nacional reúne-se
apenas duas vezes por ano e durante uns poucos dias. Uma de suas tarefas
é escolher o Conselho de Estado, que, por sua vez, irá ratificar
Fidel na Presidência até 2007.
A democracia
à cubana é semelhante a toda ditadura. Em matéria
de resultados eleitorais, por exemplo, segue a receita do regime iraquiano,
que garante sempre 99% dos votos para Saddam Hussein, o ditador do país.
Em ambos os países, Iraque e Cuba, não há possibilidade
de o voto ser usado como expressão de descontentamento ou dissidência.
Em Cuba, o processo de votação é acompanhado de perto
pelos Comitês de Defesa da Revolução. A organização
por quarteirão permite que seus agentes conheçam pessoalmente
cada eleitor. Apesar de o voto não ser obrigatório, quem
não comparece às urnas corre o risco de ser considerado
dissidente e enfrentar a ira do regime. Nas eleições de
domingo, compareceram 97% dos 8 milhões de eleitores. Viva el
comandante.
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