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Edição 1 787 - 29 de janeiro de 2003
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De mentirinha

Fidel faz eleições em que só
os camaradas do PC têm vez

 
AP
Castro na urna: 609 candidatos para 609 vagas na Assembléia

Não pode haver nenhuma surpresa no resultado das eleições em Cuba. O presidente Fidel Castro, 76 anos, há 44 no poder, sempre ganha. No domingo 19, os cubanos foram às urnas para eleger os candidatos apresentados pelo governo – e nenhum outro. Havia exatamente 609 candidatos para as 609 vagas da Assembléia Nacional. Metade deles foi escolhida diretamente entre os quadros do único partido existente no país, o Comunista. O restante da lista foi selecionado entre os vereadores e celebridades. Foram eleitos um cantor de sucesso, uma campeã olímpica e o garçom Miguel González, pai de Elian, o menino que foi pivô de uma disputa com os Estados Unidos entre 1999 e 2000. A Assembléia Nacional reúne-se apenas duas vezes por ano e durante uns poucos dias. Uma de suas tarefas é escolher o Conselho de Estado, que, por sua vez, irá ratificar Fidel na Presidência até 2007.

A democracia à cubana é semelhante a toda ditadura. Em matéria de resultados eleitorais, por exemplo, segue a receita do regime iraquiano, que garante sempre 99% dos votos para Saddam Hussein, o ditador do país. Em ambos os países, Iraque e Cuba, não há possibilidade de o voto ser usado como expressão de descontentamento ou dissidência. Em Cuba, o processo de votação é acompanhado de perto pelos Comitês de Defesa da Revolução. A organização por quarteirão permite que seus agentes conheçam pessoalmente cada eleitor. Apesar de o voto não ser obrigatório, quem não comparece às urnas corre o risco de ser considerado dissidente e enfrentar a ira do regime. Nas eleições de domingo, compareceram 97% dos 8 milhões de eleitores. Viva el comandante.

 
 
   
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