
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
A arma supersecreta
Prontos
para ir à guerra sem
o apoio da ONU, os Estados Unidos
podem testar contra o Iraque
a
bomba de microondas

Veja também |
|
|
|
O vilão
da história deveria ser Saddam Hussein. O ditador do Iraque invadiu
dois países (Irã e Kuwait), usou gases venenosos para massacrar
a minoria curda e, suspeita-se, esconde com propósitos malignos
armas de destruição em massa. O malvado internacional do
momento, no entanto, é o presidente dos Estados Unidos, George
W. Bush. A razão é sua insistência em fazer a qualquer
custo a guerra contra o Iraque, apesar da relutância do restante
do mundo. Na segunda-feira 27, os inspetores da ONU encarregados de procurar
arsenais de armas de destruição em massa no Iraque vão
apresentar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas
o primeiro relatório sobre o levantamento que fizeram. Devem informar
que não encontraram as provas da existência de arsenais clandestinos
e pedir prazo maior para investigar. Dois dias depois, o Conselho decidirá
o que fazer. Os americanos gostariam de obter logo o respaldo da organização
para um ataque militar ao Iraque. Se for no voto, os Estados Unidos perdem
com certeza. A maioria dos quinze países que compõem o órgão
máximo da ONU está disposta a conceder mais tempo aos inspetores.
Na semana passada, numa reunião entre seus chefes de Estado, a
França (que tem direito de veto no Conselho) e a Alemanha anunciaram
que não vêem justificativa para a guerra. Sem se importar,
Bush deixou claro que está disposto a correr todos os riscos para
cumprir a promessa de varrer do poder e logo seu desafeto
iraquiano. Com ou sem a aprovação da ONU.
AFP
 |
| Montagem
com fotos de Bush e Blair em Londres: protestos em todo o mundo |
Bush parece
ter optado pelo caminho mais rápido para se livrar de Saddam. Sua
estratégia é aproveitar a fragilidade militar do Iraque,
que ainda não se recuperou da surra levada na Guerra do Golfo,
em 1991, para liquidar rapidamente a fatura e, com isso, aplacar as críticas
internas e externas à guerra. Para a Casa Branca, é preferível
derrubá-lo já, antes que o ditador iraquiano se alie ao
terrorismo islâmico ou adquira tecnologia nuclear para ameaçar
os Estados Unidos e os países vizinhos como a Coréia
do Norte está fazendo agora. O Pentágono deverá usar
contra Saddam suas armas mais sofisticadas, algumas que nem sequer foram
testadas na campanha do Afeganistão, concluída há
um ano. Uma vedete da nova geração do ultramoderno arsenal
americano é a bomba de microondas um segredo guardado a
sete chaves pelo Pentágono que promete revolucionar a estratégia
de combate. A bomba de microondas não é uma munição
convencional, e sim uma arma de energia direta. Não abala prédios
nem estruturas. O que faz é danificar circuitos eletrônicos,
por meio da emissão de pulsos de energia eletromagnética.
Queima equipamentos de comunicação e computadores, mesmo
os que se encontram em locais fechados ou subterrâneos. Em teoria,
pode inutilizar as armas químicas e biológicas, que dependem
de equipamentos eletrônicos para ser utilizadas. Até o sistema
de ignição dos tanques inimigos deixa de funcionar. Com
isso, os iraquianos seriam privados de comunicação, veículos
ou lançadores de foguete. Teriam de lutar às cegas, apenas
com armas pessoais.
Alvos fixos
não têm defesas contra uma arma como a bomba de microondas.
Os EUA já desenvolveram sofisticados softwares, com mapas tridimensionais
de Bagdá e de outras cidades iraquianas, com destaque para instalações
militares e possíveis depósitos de armas químicas
e biológicas. Com o auxílio de um GPS, o sistema de navegação
por satélite, basta programar os ataques. Em tese, os pulsos emitidos
pela bomba de energia não são letais para humanos. O nível
de energia suficiente para danificar ou destruir um circuito eletrônico
é menor que o mínimo necessário para queimar a pele
de um ser humano. Mas, como a bomba de microondas nunca foi utilizada
em situação de combate, seu efeito real é uma incógnita.
Uma coisa sabida é que tem efeito devastador sobre marca-passos
cardíacos e aparelhos hospitalares de sustentação
da vida. Há dois tipos de bomba de microondas. A versão
mais antiga libera energia através de uma explosão, mas
seu foco não é preciso. Chamada de e-bomb, é ofertada
por fabricantes russos em feiras internacionais de armamentos e pode ser
transportada em mísseis teleguiados, como o Tomahawk.
Reuters
 |
| Soldados
americanos em treinamento: concentração de tropas no Golfo |
Já
a arma ultra-secreta desenvolvida pelo Pentágono faz uso do mesmo
princípio, mas emite um único feixe de energia. "É
um raio de energia composto de três partes: um gerador, uma máquina
para gerar a onda na freqüência desejada e uma antena para
direcionar o feixe de energia", disse a VEJA o analista militar Loren
Thompson, diretor do Instituto Lexington, um centro de estudos com sede
em Washington. Por se propagar à velocidade da luz (300.000
quilômetros por segundo), atinge o alvo antes que o militar designado
para acioná-la tenha tido tempo de tirar o dedo do gatilho. O flash
de energia é invisível e gera 2 bilhões de watts
o suficiente para acender simultaneamente 20 milhões de
lâmpadas de 100 watts. Seu poder de destruição é
limitado a um raio de 300 metros, e parte da energia gerada é dissipada
em sua trajetória até atingir o alvo. Tecnicamente, ela
pode ser acionada do solo. Por motivos de segurança, tudo indica
que a bomba será acoplada a um avião os militares
americanos temem que, se for disparada de um navio, a arma possa danificar
os chips da própria embarcação.
A atual
concentração de mais de 100.000
soldados americanos no Golfo Pérsico é um sinal de que o
ataque é para breve. Uma autoridade americana, citada pelo jornal
inglês The Guardian, diz que, no que se refere à data
do início da guerra, "meses é uma palavra proibida". Em
Washington "só se fala em semanas". Se uma nova guerra no Golfo
parece iminente, os motivos para provocá-la ainda não convenceram
nem mesmo aliados tradicionais dos Estados Unidos. O presidente americano
afirma ter razões de sobra para derrubar o ditador de Bagdá
a quem considera uma fonte permanente de tensão no Oriente
Médio desde que assumiu o poder, 23 anos atrás. Por enquanto,
Bush conta apenas com o apoio de Inglaterra, Itália, Espanha e
Austrália para dar início a uma ofensiva militar contra
Saddam. A França ameaçou exercer seu poder de veto no Conselho
de Segurança da ONU no caso de Washington tentar impor uma resolução
propondo intervenção militar no Iraque. China e Rússia,
que também fazem parte do Conselho de Segurança, já
avisaram que preferem o caminho da negociação diplomática
ao da guerra. O mesmo serve para os países árabes, sensíveis
às turbulências que um novo conflito traria à região
do Oriente Médio. Bush perdeu apoio a sua causa até mesmo
nos Estados Unidos. Pesquisas mostram que sete em cada dez americanos
só aprovam uma invasão do Iraque com respaldo da ONU. De
quebra, Bush foi alvo de manifestações de protesto em várias
regiões dos Estados Unidos as maiores desde a Guerra do
Vietnã. Mesmo assim, o presidente americano manteve a retórica
belicosa. Mandou na semana passada mais 36.000
soldados para o Golfo e reforçou a pressão psicológica
contra Saddam. Num recado inusitado aos militares iraquianos, Bush ameaçou
julgá-los por crimes de guerra caso insistam em defender o Iraque
durante a invasão americana. Não é à toa que
Bush é o vilão da hora.
|
|
 |