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Eles
estão de volta
O ex-presidente José Sarney
e o ex-senador Antonio Carlos
Magalhães ressuscitam com
força e poder pelas mãos do PT
Maurício
Lima
Ana Araujo
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Veja também |
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A
trajetória dos senadores José Sarney e Antonio Carlos Magalhães
é notavelmente semelhante desde sua gênese. Eles estrearam
na vida pública no mesmo ano: 1954. Durante quase meio século,
galgaram praticamente todos os postos possíveis na política
deputado federal, senador, governador e até presidente da
República, no caso de Sarney. Ambos construíram oligarquias
poderosas em seu Estado e alargaram sua esfera de influência para
níveis nacionais. Curiosamente, o destino de um sempre teve fortes
pontos de contato com a sorte do outro. Quando estavam no paraíso,
Sarney chegou à Presidência e nomeou ACM para o Ministério
das Comunicações. Até quando foram ao inferno, chegaram
quase ao mesmo tempo: durante o segundo mandato do governo Fernando Henrique
Cardoso. Depois dessa última queda, apostava-se abertamente no
fim da carreira política de ambos. Mas o improvável aconteceu.
Por força de seus votos e dos apoios políticos que carregam
e também pelas mãos do Partido dos Trabalhadores, que sempre
os combateu ferozmente, Sarney e ACM estão aí de novo. De
braços dados, voltaram ao centro dos acontecimentos na condição
de protagonistas da política nacional.
A retomada da velha força pôde ser observada nas últimas
semanas. Primeiro, nas articulações políticas. Se
nenhum imprevisto ocorrer, caberá a Sarney a presidência
do Congresso Nacional. Será sua segunda eleição para
o cargo, desta vez fortemente impulsionada pela ajuda do governo. Para
Antonio Carlos já está previsto um papel de destaque não
só de aliado, mas também como conselheiro político
do governo. ACM teve intensa participação nos bastidores
das eleições para a presidência da Câmara e
a do Senado. Para a candidatura de José Sarney, hipotecou o apoio
do PFL um trunfo que pode definir o resultado. Na indicação
do petista João Paulo Cunha para presidir a Câmara, ACM impediu
a formação de um bloco de seu partido com o PSDB, o que
poderia representar uma ameaça aos planos do governo. Os agradecimentos
pela atuação de ACM foram publicados no Diário
Oficial. O senador baiano vetou a nomeação de um desafeto
para a diretoria de habitação da Caixa Econômica Federal
e manteve intactos alguns de seus feudos na Bahia. Sarney também
recebeu mimos: manteve afilhados em cargos políticos e conseguiu
nomear mais alguns novos (veja quadro abaixo).
De Jesus
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A
ressurreição de ACM e a de Sarney comprovam mais uma vez
o grande senso de oportunismo político das duas figuras. Ao ver
a candidatura da filha Roseana destroçada por denúncias
de corrupção, Sarney se sentiu vítima de uma armação
dos tucanos e rompeu com o governo. No meio da campanha, agarrou-se à
candidatura de Lula feito bote salva-vidas e empenhou-se para trazer votos
ao petista. No segundo turno, Lula recebeu 1,2 milhão de votos
no Maranhão, um Estado sem tradição de apoio ao partido.
Já ACM foi o todo-poderoso presidente do Congresso no governo Fernando
Henrique, com quem rompeu no final por causa da preferência do governo
pelo desafeto Jader Barbalho. Em seguida, o senador baiano envolveu-se
no escândalo da violação do painel do Senado e foi
obrigado a renunciar. Na campanha presidencial, começou a bordo
da canoa de Ciro Gomes. Pouco antes do primeiro turno, percebendo que
seu candidato não tinha mais chance, ACM já havia liberado
seus aliados para apoiar Lula. No segundo turno, declarou formalmente
seu apoio ao petista. A fidelidade de ambos ao candidato vencedor lhes
valeu a condição privilegiada de agora.
ACM e Sarney são aliados de peso para qualquer governo que precise
aprovar emendas constitucionais e projetos de seu interesse. Com uma atuação
que transcende os limites de suas bancadas regionais, eles dominam uma
parte significativa do Congresso Nacional. Juntos, influenciam os votos
de mais de 10% da Câmara dos Deputados e 16% do Senado Federal.
Apesar desse cartel respeitável, maior que o de muitos partidos,
o PT, se quisesse, não precisaria necessariamente ter ACM e Sarney
no mesmo barco. No governo FHC, os tucanos eram dependentes dessas bancadas
porque não conseguiam apoio entre deputados e senadores das legendas
de centro-esquerda. Desde o início do período Fernando Henrique,
a oposição atuou numa postura de confronto muito mais clara
do que se vê até agora com o novo governo. Pelo menos por
enquanto, o PT tem uma rede de apoio tão extensa no Congresso Nacional
que vai de um lado a outro do espectro ideológico partidário
e lhe dá maioria com folga. Mesmo assim, o PT não quer arriscar
e prefere ter ACM e Sarney a seu lado. "É um pacto com o diabo.
Eles ajudam a obter importantes vitórias, mas cobram a fatura dia-a-dia",
alerta um tucano que ocupou a secretaria-geral da Presidência. Pelo
tamanho do desafio que terá de enfrentar na aprovação
de suas propostas no Congresso, o PT acha o preço baixo.
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