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Vai
sair e pode não voltar
O
ministro dos Transportes, Anderson
Adauto,
pode ser a primeira baixa
na equipe de Lula

Alexandre Oltramari
Valterci Santos/Gazeta do Povo/AE
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Eugenio Savio
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| O
ministro Anderson Adauto (à esq.), indicado pelo vice,
José Alencar (à dir.), para moralizar o ministério:
ligação com assessores suspeitos |

Veja também |
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O
ministro dos Transportes, Anderson Adauto, há duas semanas se move
num labirinto. Na próxima sexta-feira, ele deixará o cargo
para assumir o mandato de deputado federal pelo PL de Minas Gerais. Seu
gesto será acompanhado por outros cinco ministros que foram eleitos
em outubro passado. Ao contrário dos colegas, Adauto não
sabe se volta. Incumbido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
de moralizar o Ministério dos Transportes, transformado num covil
durante a administração do PMDB, Adauto está balançando
como coqueiro em vendaval. Em 1997, quando era deputado estadual, uma
CPI descobriu que a prefeitura de Iturama, no interior de Minas Gerais,
foi saqueada em 4 milhões de reais. Entre as empresas acusadas
pelo desvio do dinheiro estava a CPA, que pertencia a Sérgio José
de Souza e Rômulo Figueiredo, então assessores legislativos
do deputado Adauto. Em janeiro, já como ministro, Anderson Adauto
nomeou Sérgio como seu assessor especial e indicou Rômulo
para o Departamento Nacional de Infra-Estrutura, o antigo DNER. É
esse o começo do enredo que pode encerrar precocemente o ímpeto
moralizador do ministro.
A CPI de Iturama constatou que a empresa dos amigos do ministro embolsou
260.000 reais sem ter prestado nenhum serviço à prefeitura.
Parece gorjeta perto dos desvios com que Adauto se defrontaria se examinasse
a fundo os cofres do ministério. Só as licitações
que ele suspendeu no início do governo somam 5 bilhões de
reais. Em um caso, ocorrido durante a gestão do ex-ministro Eliseu
Padilha, envolvendo pagamento de precatórios, houve irregularidades
com valor estimado em 120 milhões de reais. O problema de Anderson
Adauto não é o valor das contas suspeitas em Iturama. É
o fato de existirem contas suspeitas. O ministro vem tentando demonstrar
que nada tem a esconder. Nas últimas duas semanas, ele demitiu
os assessores amigos. Depois, apresentou documentos para provar que não
tinha ligação alguma com a firma suspeita. Por fim, levou
ao Palácio do Planalto uma certidão da Justiça mostrando
que as acusações que havia contra ele foram arquivadas por
falta de consistência. A principal delas, aliás, era a de
que as relações entre o deputado Adauto e a CPA iam além
de simples amizade. O escritório político do deputado em
Uberaba funcionaria no mesmo endereço das empresas investigadas,
o que sugeria uma associação de contornos mais abrangentes.
O ministro alegou que aquilo era apenas uma coincidência. Segundo
seu relato, em 1995 ele alugou quatro salas onde funcionavam três
companhias sob suspeita. Ao ser instalada, em 1997, a CPI foi ao local
e "constatou" que a empresa e o escritório do deputado funcionavam
no mesmo lugar. O governo se deu por satisfeito com a explicação.
O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, chegou a qualificar
as denúncias de "requentadas".
Orlando Brito
 |
| O
ex-ministro Eliseu Padilha,
que ocupou antes
a complicada pasta
dos Transportes |
Na semana passada, os negócios entre o ministro e seus amigos voltaram
a incomodar. Em meio a rumores de que poderia deixar o cargo, Adauto revelou,
depois de uma conversa com o presidente Lula e José Dirceu, que,
por dois meses, foi sócio de Sérgio e Rômulo numa
empresa de pesca que funcionou no mesmo endereço de Uberaba. O
governo, mesmo depois de tantas indicações sobre a estreita
relação de Adauto com Sérgio e Rômulo, de novo,
anunciou que não via problema no fato, já que a companhia
nem sequer chegou a operar. Questionado sobre a permanência do ministro,
Lula declarou: "O ministro continua ministro e vai combater a corrupção".
É uma convicção que, ao que parece, o presidente
não conseguiu repassar ao ministro. "Em política, dois,
três, quatro dias são uma eternidade. O futuro a Deus pertence.
A única coisa que posso garantir é a ida. O ato de voltar
depende também do presidente", afirmou. O problema maior do ministro
nem são as denúncias. É a forma como ele lida com
elas. Seu discurso é de quem está pensando em jogar a toalha.
"Parece até que ele nem quer mais ficar no cargo", disse a VEJA
uma petista com livre acesso ao Palácio do Planalto. No Palácio
já houve quem defendesse a saída do ministro. Anderson Adauto
foi indicado para o ministério pelo vice-presidente, José
Alencar, do PL. Responsável por abrir ao PT as portas do empresariado,
Alencar indicou apenas um ministro no governo Anderson Adauto.
Na semana passada, numa conversa com o vice-presidente, Adauto fez um
desabafo. Disse que as denúncias não o incomodavam somente
do ponto de vista pessoal. Reclamou que a suspeita lhe tirava as condições
para executar a missão que o presidente lhe confiou. "Se eu não
tiver credibilidade para cumprir minha missão, não tenho
condições de continuar. Eu tenho vergonha na cara", disse
o ministro a VEJA.
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