Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 787 - 29 de janeiro de 2003
Brasil Governo

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
 

Porto Alegre versus Davos
Juros sobem e a luta continua no governo Lula
Gushiken, o curinga de Lula
A crise com o ministro dos Transportes
As provas contra Silveirinha e cia.
Sarney e ACM a toda
Os mercadores do poder

Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03
Busca somente texto
96|97|98|99
2000
|01|02|03


Crie seu grupo




 

Vai sair e pode não voltar

O ministro dos Transportes, Anderson
Adauto, pode ser a primeira baixa
na equipe de Lula

Alexandre Oltramari

 
Valterci Santos/Gazeta do Povo/AE
Eugenio Savio
O ministro Anderson Adauto (à esq.), indicado pelo vice, José Alencar (à dir.), para moralizar o ministério: ligação com assessores suspeitos

Veja também
Nesta edição
O curinga de Lula
Na internet
Notícias diárias

O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, há duas semanas se move num labirinto. Na próxima sexta-feira, ele deixará o cargo para assumir o mandato de deputado federal pelo PL de Minas Gerais. Seu gesto será acompanhado por outros cinco ministros que foram eleitos em outubro passado. Ao contrário dos colegas, Adauto não sabe se volta. Incumbido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de moralizar o Ministério dos Transportes, transformado num covil durante a administração do PMDB, Adauto está balançando como coqueiro em vendaval. Em 1997, quando era deputado estadual, uma CPI descobriu que a prefeitura de Iturama, no interior de Minas Gerais, foi saqueada em 4 milhões de reais. Entre as empresas acusadas pelo desvio do dinheiro estava a CPA, que pertencia a Sérgio José de Souza e Rômulo Figueiredo, então assessores legislativos do deputado Adauto. Em janeiro, já como ministro, Anderson Adauto nomeou Sérgio como seu assessor especial e indicou Rômulo para o Departamento Nacional de Infra-Estrutura, o antigo DNER. É esse o começo do enredo que pode encerrar precocemente o ímpeto moralizador do ministro.

A CPI de Iturama constatou que a empresa dos amigos do ministro embolsou 260.000 reais sem ter prestado nenhum serviço à prefeitura. Parece gorjeta perto dos desvios com que Adauto se defrontaria se examinasse a fundo os cofres do ministério. Só as licitações que ele suspendeu no início do governo somam 5 bilhões de reais. Em um caso, ocorrido durante a gestão do ex-ministro Eliseu Padilha, envolvendo pagamento de precatórios, houve irregularidades com valor estimado em 120 milhões de reais. O problema de Anderson Adauto não é o valor das contas suspeitas em Iturama. É o fato de existirem contas suspeitas. O ministro vem tentando demonstrar que nada tem a esconder. Nas últimas duas semanas, ele demitiu os assessores amigos. Depois, apresentou documentos para provar que não tinha ligação alguma com a firma suspeita. Por fim, levou ao Palácio do Planalto uma certidão da Justiça mostrando que as acusações que havia contra ele foram arquivadas por falta de consistência. A principal delas, aliás, era a de que as relações entre o deputado Adauto e a CPA iam além de simples amizade. O escritório político do deputado em Uberaba funcionaria no mesmo endereço das empresas investigadas, o que sugeria uma associação de contornos mais abrangentes. O ministro alegou que aquilo era apenas uma coincidência. Segundo seu relato, em 1995 ele alugou quatro salas onde funcionavam três companhias sob suspeita. Ao ser instalada, em 1997, a CPI foi ao local e "constatou" que a empresa e o escritório do deputado funcionavam no mesmo lugar. O governo se deu por satisfeito com a explicação. O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, chegou a qualificar as denúncias de "requentadas".

Orlando Brito
O ex-ministro Eliseu Padilha, que ocupou antes a complicada pasta dos Transportes


Na semana passada, os negócios entre o ministro e seus amigos voltaram a incomodar. Em meio a rumores de que poderia deixar o cargo, Adauto revelou, depois de uma conversa com o presidente Lula e José Dirceu, que, por dois meses, foi sócio de Sérgio e Rômulo numa empresa de pesca que funcionou no mesmo endereço de Uberaba. O governo, mesmo depois de tantas indicações sobre a estreita relação de Adauto com Sérgio e Rômulo, de novo, anunciou que não via problema no fato, já que a companhia nem sequer chegou a operar. Questionado sobre a permanência do ministro, Lula declarou: "O ministro continua ministro e vai combater a corrupção". É uma convicção que, ao que parece, o presidente não conseguiu repassar ao ministro. "Em política, dois, três, quatro dias são uma eternidade. O futuro a Deus pertence. A única coisa que posso garantir é a ida. O ato de voltar depende também do presidente", afirmou. O problema maior do ministro nem são as denúncias. É a forma como ele lida com elas. Seu discurso é de quem está pensando em jogar a toalha. "Parece até que ele nem quer mais ficar no cargo", disse a VEJA uma petista com livre acesso ao Palácio do Planalto. No Palácio já houve quem defendesse a saída do ministro. Anderson Adauto foi indicado para o ministério pelo vice-presidente, José Alencar, do PL. Responsável por abrir ao PT as portas do empresariado, Alencar indicou apenas um ministro no governo – Anderson Adauto. Na semana passada, numa conversa com o vice-presidente, Adauto fez um desabafo. Disse que as denúncias não o incomodavam somente do ponto de vista pessoal. Reclamou que a suspeita lhe tirava as condições para executar a missão que o presidente lhe confiou. "Se eu não tiver credibilidade para cumprir minha missão, não tenho condições de continuar. Eu tenho vergonha na cara", disse o ministro a VEJA.

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS