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O curinga de Lula
Quem é
o assessor de governo
que reforça ministros, faz indicações
para a equipe econômica e fala em
nome do presidente
Felipe
Patury e Thaís Oyama
Antonio Milena
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Luiz
Gushiken
Idade: 52 anos
Saúde:
teve câncer e sofreu 1 infarto
Família:
filho de um imigrante japonês, é o primogênito
de sete irmãos. Casado com a bancária Elizabeth, tem
três filhos
Formação: administração
de empresas
Carreira:
foi office-boy, bancário, presidente do Sindicato dos Bancários
e deputado federal. Fundou o PT e coordenou três das quatro
campanhas de Lula ao Palácio do Planalto das quais participou
Amigos no governo: além
do presidente Lula, o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini,
o da Fazenda, Antônio Palocci, e o das Cidades, Olívio
Dutra |

Veja também |
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No
papel, o ministro de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken,
ocupa uma pasta com atribuições vagas. Entre elas, a "formulação
da concepção estratégica nacional" e o "controle
de planos, programas e projetos de natureza estratégica". Na prática,
vem recebendo de Lula algumas das missões mais delicadas do governo.
Há dez dias, Gushiken chamou o ministro da Segurança Alimentar,
José Graziano, para uma conversa sobre o Fome Zero. O lançamento
do projeto social mais importante de Lula estava atrasado, e a proposta
do ministro vinha recebendo muitas críticas, até mesmo da
igreja, de ONGs e de petistas influentes. Deixando claro que falava em
nome do presidente, Gushiken fez dois "pedidos" ao ministro Graziano:
que o programa fosse acelerado e que Graziano "ouvisse mais a sociedade".
Logo depois, a data de lançamento do programa foi anunciada. Gushiken
também entrou em ação quando o ministro da Previdência,
Ricardo Berzoini, defendeu o fim do regime especial de aposentadorias
para militares e juízes. Berzoini ouviu do ministro que estava
"equivocado", foi lembrado de que o presidente Lula era favorável
ao regime especial e aconselhado a recuar. No dia seguinte, o Ministério
da Previdência convocou uma reunião com os militares para
anunciar que o regime especial seria mantido. Na Esplanada dos Ministérios
já se sabe que Gushiken é um dos raros colaboradores de
Lula que falam em nome do presidente.
Quando foi
chamado por Lula, ele pediu um cargo burocrático no governo. Alegou
que não tinha condições de assumir grandes responsabilidades
porque estava mal de saúde. Agora tem dito para amigos que está
assustado com a dimensão de suas atribuições. Além
das operações de resgate, ele já foi chamado para
ajudar a encaixar peças em várias áreas do governo.
Gushiken auxiliou na escolha dos dois mais importantes ministros do governo:
o da Fazenda, Antônio Palocci, seu amigo desde os anos 70, e Berzoini,
a quem apoiou no movimento sindical e ajudou a eleger deputado federal.
Um outro amigo, Adacir Reis, ex-assessor de Gushiken na Câmara dos
Deputados, assumiu a Secretaria de Previdência Complementar
posto de onde se controlam os poderosos fundos de pensão. O ministro
também é consultado sobre nomeação para cargos
importantes nos bancos federais e estatais. Dois diretores do Banco do
Brasil passaram pelo seu crivo. Nos últimos dias, ele ajudava a
escolher os futuros dirigentes da Previ, o fundo de pensão dos
funcionários do Banco do Brasil, e da Petros, dos empregados da
Petrobras.
Ana Araujo
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| A
família Gushiken: há mais de dez anos, reuniões
todos os domingos, sempre às 8 da manhã |
Gushiken
é o ministro que tem mais vínculos com o presidente. Os
dois se conheceram há mais de vinte anos, no movimento sindical.
Lula liderava as greves dos metalúrgicos no ABC paulista, e Gushiken
dirigia os bancários. Foram vizinhos de cela quando estiveram presos
em decorrência de suas atividades políticas durante a ditadura.
Fundaram juntos o PT e nunca se distanciaram. Em 1989, Lula avisou que
só concorreria ao Planalto com Gushiken na presidência do
partido. "China", como Lula o chama, acabou assumindo a coordenação
de três das quatro campanhas presidenciais petistas das quais participou.
Em razão de seu estado de saúde, relutou em aceitar o convite
para participar da campanha no ano passado. Lula mandou o PT montar uma
superestrutura para tê-lo por perto. Foram contratados uma enfermeira
e um motorista, e alugou-se um flat a dois quarteirões do comitê
eleitoral para hospedá-lo. Hoje, Gushiken é dos poucos amigos
do presidente convidados a freqüentar o sítio de Marisa, na
Represa Billings, em São Paulo. Também é um dos poucos
que têm liberdade para criticá-lo.
Há
dois anos, ele vem enfrentando graves problemas de saúde. Gushiken
teve um infarto em outubro de 2001. Meses depois, soube que estava com
câncer. Em fevereiro de 2002, submeteu-se a uma cirurgia para retirada
de todo o estômago. No pós-cirúrgico, contraiu uma
septicemia que quase o matou. Por causa da operação, hoje
tem uma série de restrições: tem de comer de duas
em duas horas e precisa ir ao banheiro com tanta freqüência
que fica constrangido, por exemplo, quando tem de viajar de avião.
Antonio Milena
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Ana Araujo
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Graziano,
do Fome Zero, e Berzoini, da Previdência: apoio de Gushiken
na condução de projetos vitais
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Luiz Gushiken
entrou no movimento sindical pelas correntes mais radicais da esquerda
e foi um dos líderes sindicais mais temidos do Brasil. Em 1985,
sob sua liderança, mais de 700.000 bancários
cruzaram os braços. Antes dos computadores, essas greves paralisavam
a economia. O Sindicato dos Bancários de São Paulo tornou-se
um dos mais fortes do mundo. No campo teórico, ele percebeu que
era possível unir o prestígio dos metalúrgicos do
ABC à força dos bancários, que tinham uma rede nacional,
para unificar o movimento sindical. Esse foi o embrião da Central
Única dos Trabalhadores (CUT). Deputado federal eleito três
vezes pelo PT, Gushiken foi contra os principais pontos da reforma da
Previdência quando proposta pelo governo FHC. Mais recentemente,
transformou-se num dos mentores do PT light. Abandonou quase todas as
suas velhas propostas sobre a Previdência.
O ministro
de Lula veio de família modesta. A mãe, já morta,
era dona-de-casa. O pai, nascido em Okinawa, no Japão, foi dono
de um bar e, mais tarde, vendedor de bebidas. Chegou a ter uma fábrica
de macarrão na cidade de Osvaldo Cruz, no interior de São
Paulo, mas o negócio faliu antes de Gushiken nascer. Primogênito
de sete filhos, começou a trabalhar aos 14 anos, como office-boy.
Aos 20 anos, mudou-se para São Paulo e tornou-se funcionário
do Banco do Estado de São Paulo (Banespa). Nesse período,
cursou filosofia na Universidade de São Paulo e administração
na Fundação Getúlio Vargas. O primeiro curso ele
abandonou depois de um ano. O segundo, seis meses antes de se formar.
É casado há 24 anos e tem três filhos, o mais velho
com 19 anos. A pedido do petista, a família em breve se muda da
cidade paulista de Indaiatuba para Brasília. Gushiken reclama que,
morando em hotel e sem a mulher ao lado, é impossível seguir
o regime prescrito pelo médico.
O ex-ateu
Gushiken dedica-se há mais de vinte anos ao estudo das religiões.
É capaz de passar horas discutindo assuntos como a cabala judaica
ou a diferença entre o zen-budismo e o budismo tibetano. Certa
vez, correu São Paulo em busca de um especialista que pudesse lhe
explicar o motivo de uma diferença de tradução entre
duas versões que havia adquirido do Corão. Os filhos
e a mulher seguem a religião bahai, doutrina que nasceu na Pérsia,
atual Irã, no século XIX e tem por princípio a defesa
da união de todos os credos, povos e governos. Gushiken não
se considera um bahai, mas admira a doutrina. Há mais de dez anos,
a família do ministro preserva um ritual curioso. Todos os domingos,
às 8 da manhã, os Gushiken se encontram para uma oração,
seguida de uma reunião em que a família discute problemas
e projetos. É exatamente o que o chefe da família faz durante
a semana em Brasília, em nome do presidente da República.
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