Os EUA fecham
o cerco ao sódio usado na comida industrializada
Biscoito
aperitivo: o perigo da vez é o sal "escondido"
Depois
do fumo e das gorduras trans, chegou a vez de o sal entrar na lista negra da Food
and Drug Administration (FDA), agência que regula a venda de alimentos e
remédios nos Estados Unidos. Há tempos os médicos recomendam
moderação no uso do tempero, particularmente nocivo para quem tem
predisposição a hipertensão arterial uma das principais
causas de infarto e doenças cardiovasculares. Mas, agora, o alvo não
é o saleiro à mesa. A FDA começa, ainda neste mês,
a rever suas políticas em relação à utilização
de sódio (o principal componente do sal de cozinha) pela indústria.
A Associação Americana de Medicina pressiona para que a agência
restrinja a quantidade adicionada aos alimentos prontos e exija que as embalagens
venham com informações sobre possíveis danos à saúde,
a exemplo do cigarro. Em média, os americanos ingerem 3 400 miligramas
de sódio por dia. O nível recomendado é 2 300 miligramas.
Boa parte vem do sal "escondido" em produtos industrializados. Isso
não acontece só com os previsíveis tira-gostos: como é
excelente conservante, o sal está presente até nas fórmulas
de adoçantes.
No
Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária estuda mudanças
na regulamentação da publicidade e da venda de alimentos com quantidade
elevada de sódio. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC),
nove em cada dez produtos submetidos à entidade, que confere um selo de
certificação de alimentos, são reprovados no quesito sal.
"Normalmente, eles têm o dobro da quantidade recomendada", diz
Marcus Bolívar Malachias, diretor de hipertensão arterial da SBC.
É mesmo de amargar.