Se
você não aprendeu isso na escola, aqui vai um resumo: o mito da fundação
de Roma tem como protagonistas os gêmeos Rômulo e Remo. Abandonados
em um cesto nas águas do Rio Tibre, eles foram salvos por uma loba, que
os amamentou e os viu crescer. Adulto, Rômulo matou Remo e, em seguida,
fundou Roma oito séculos antes de Cristo. A lenda de Rômulo e Remo
voltou ao noticiário na semana passada, com o anúncio de que arqueólogos
encontraram a gruta na qual os irmãos foram aleitados pela loba, de acordo
com a crença dos antigos romanos. Ela foi localizada a 16 metros de profundidade,
debaixo das ruínas do palácio do imperador Otávio Augusto,
numa das encostas do Palatino, uma das sete colinas de Roma. Autores clássicos,
como os gregos Dionísio de Halicarnasso e Plutarco, relatam que os primeiros
romanos a transformaram num templo. A gruta tornou-se palco de um ritual chamado
Lupercália. Todo fevereiro, animais eram sacrificados em homenagem a Luperco
uma divindade associada ao Pã grego e dois jovens do patriciado
eram ungidos com sangue e leite de cabra. Acreditava-se que esse ritual garantia
colheita farta e ajudava as mulheres a arranjar marido e a ter filhos. A tradição
manteve-se até o século V, quando foi banida pela Igreja Católica.
Os
textos de Dionísio e Plutarco, que apontavam estar a gruta situada próximo
ao Palatino, levaram o arqueólogo italiano Rodolfo Lanciani a deduzir,
no começo do século XX, que ela deveria estar sob as ruínas
do palácio construído por Otávio Augusto, o primeiro imperador
romano. Mas foi apenas há dois anos que os arqueólogos passaram
a explorar o local com sondas subterrâneas. Em julho, um dos aparelhos detectou
um espaço vazio, a 16 metros de profundidade. Era uma câmara circular,
com 7 metros de altura e 6,5 de diâmetro, coberta por uma cúpula.
Uma filmadora controlada a distância revelou os deslumbrantes mosaicos que
cobrem o teto e as paredes, feitos de mármore e conchas. A gruta será
desobstruída e estudada detidamente antes de ser aberta à visitação
dentro de cinco anos. "Nossos estudos indicam que essa é mesmo a gruta
reverenciada pelos antigos romanos como o local onde vivia a loba que salvou Rômulo
e Remo", disse a VEJA o superintendente arqueológico de Roma, Angelo
Bottini. Os subterrâneos de Roma continuam a ser fonte de grandes
e belas surpresas.