A Amazon lança
o Kindle, o leitor digital que recebe livros pela onda do celular
Carlos
Rydlewski
Mark
Lennihan/AP
Jeff
Bezos, o dono da Amazon: "O Kindle pode não substituir os livros,
mas faz mais coisas do que eles"
Os
primeiros livros feitos com tipos móveis renováveis, predecessores
das publicações atuais, surgiram no século XV e semearam
uma revolução. Transformaram a leitura em algo popular. Estaremos
assistindo a uma nova revolução no conceito de livro? Na semana
passada, a Amazon, a maior entre as livrarias on-line, lançou o Kindle,
aparelho para ser usado na leitura de textos em formato digital. Não é
o primeiro desse tipo de produto, chamado genericamente de e-reader. Mas tem um
encanto especial: a conexão direta com a Amazon sem a intermediação
de um computador. A livraria oferece 88.000 títulos para download. Há
também uma seleção de jornais americanos e europeus, 250
blogs e a Wikipedia, a enciclopédia da web. Nenhum concorrente chega perto
em número de publicações.
O
conteúdo é baixado para o Kindle por telefonia celular, sem custo
para o usuário. Já os livros e jornais precisam ser pagos. Um título
recém-lançado sai por 9,99 dólares. Obras de catálogo
são vendidas por menos de 1 dólar. Seja qual for o número
de páginas da obra, o tempo de download não chega a ser um problema.
O aparelho armazena em torno de 200 livros. O teclado permite consulta a textos
arquivados e à Wikipedia. "O Kindle pode não substituir os
livros, mas faz coisas que eles não fazem", disse Jeff Bezos, dono
da Amazon, no lançamento do produto. O Kindle não é barato
custa 399 dólares, o preço de um iPhone. Pesa 300 gramas.
É ligeiramente mais grosso que um lápis e tem o formato aproximado
de um livro-padrão. Ou seja, pode ser carregado numa pasta sem causar incômodo.
O visor, com 15 centímetros na diagonal, usa tecnologia criada pela E-Ink,
empresa que nasceu no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). A tela é
constituída por cápsulas microscópicas, preenchidas por pigmentos
pretos e brancos. Estes são ativados por uma corrente elétrica,
formando as letras. Ao contrário dos computadores e dos celulares, quanto
mais claro o ambiente, mais nítida fica a tela.
Os
e-readers surgiram no fim dos anos 90. Nenhum deles emplacou. Pioneiros como o
SoftBook e o Rocket eBook eram caros (500 dólares), pesados (1,5 quilo)
e tímidos em termos tecnológicos (nem sonhavam com downloads por
rede sem fio). A Sony produziu duas versões de livros digitais entre 2004
e 2006: o Librié e o Reader. O primeiro naufragou. O segundo tem vendas
modestas. Tornou-se um produto de nicho. Em 2006, surgiu o iLiad, da iRex Technologies.
Era mais leve que os primogênitos, mas ainda assim pesado: quase 400 gramas.
A oferta de amplo conteúdo permite à dupla Kindle-Amazon um sonho
mais ambicioso: representar para o mercado editorial o que outra dupla, a Apple-iPod,
significou para a indústria fonográfica uma reviravolta monumental.
Fotos
divulgação
Limitado O
iLiad foi lançado em 2006, mas era pesado e o conteúdo se limitava
ao jornal belga De Tijd
Para
poucos Leve, o e-reader, da Sony, pesa
apenas 200 gramas. Foi lançado no ano passado, mas nunca se tornou popular