BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado








REVISTAS
VEJA
Edição 2036

28 de novembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Stephen Kanitz
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Polícia
Era segurança máxima?

A PF prende onze do bando de Beira-Mar
e revela que, mesmo atrás das grades,
ele continuou no comando


Marcelo Bortoloti

Luis Alvarenga/Ag. O Globo
Jaqueline (à dir.), a mulher de Beira-Mar, presa no Rio: visitas e negócios

O traficante Fernandinho Beira-Mar é o símbolo maior do descalabro que vive o sistema carcerário brasileiro. Preso em 2001, na Colômbia, passou os últimos seis anos trancafiado em prisões de segurança máxima ou sob esquemas policiais implacáveis. Para impedir que ele se mantivesse à frente de sua quadrilha, foi transferido de presídio oito vezes, em operações que custaram ao governo 200.000 reais. Foram cuidados adotados depois que ele, de trás das grades, comandou uma rebelião que terminou com quatro mortos, inclusive o líder de uma facção rival, e ordenou uma série de ataques no Rio de Janeiro, em 2003, cujo saldo foram 55 ônibus incendiados e lojas fechadas em vinte bairros. Achava-se que assim ele estaria fora de combate. No último ano e meio, no entanto, os policiais seguiram seus passos e descobriram que ele não apenas continuava a liderar sua quadrilha como se articulou com traficantes de outros países. Beira-Mar também tratou de organizar uma associação com bandidos de outros estados e de diferentes facções, que a polícia chamou de "partidão do crime". Essa operação, batizada de Fênix, resultou na prisão de onze pessoas na quinta-feira passada. Entre elas, Jacqueline, mulher do traficante, que se tornou chefe operacional da quadrilha.

Jamil Bittar/Reuters
Beira-Mar: na ativa, apesar do esquema de segurança


Não é difícil entender como Beira-Mar mantém seus negócios mesmo atrás das grades. O traficante continuou recebendo a visita de seus advogados com regularidade. Em certas ocasiões, as visitas eram diárias. Em Campo Grande, onde está preso no momento, ele recebia os parentes uma vez por semana, além da visita semanal de advogados e da visita íntima da mulher a cada quinze dias. Na prática, dia sim, dia não, aparecia alguém por lá para despachar. Tudo isso porque a lei brasileira impede um controle mais rígido, como revista a advogados e monitoramento das visitas. As autoridades só começaram a investigá-lo quando descobriram que, de dentro da superintendência da Polícia Federal, em Brasília, Beira-Mar se comunicava com seus comparsas por meio de um telefone celular. A PF o deixou falar à vontade e, com autorização judicial, passou a gravar suas conversas. Viu-se que ele dava as ordens em um esquema que, segundo estimativa da PF, fornece 20% da droga vendida nos morros do Rio de Janeiro e abastece os principais centros de distribuição do Comando Vermelho. Seu império movimenta mensalmente cerca de 500.000 reais. Note-se que se está falando do preso mais vigiado do país. Se Beira-Mar, uma espécie de Pablo Escobar brasileiro, continuava a trabalhar a todo o vapor, imagine-se como é o controle sobre os outros 420 000 detentos do país.




Publicidade

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |