Personagem do escândalo
do mensalinho
tem o restaurante fechado por falta de higiene
Ricardo Brito
Ana Araujo
Sebastião Buani: "É pura perseguição"
O empresário Sebastião Buani teve seu minuto
de fama há dois anos, quando confessou que pagava propina
ao presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti,
para manter seu restaurante funcionando dentro do Parlamento.
Severino, que recebia um mensalinho de 10 000
reais, renunciou à presidência. Buani perdeu
a concessão e fechou seu restaurante. Corrupto e corruptor
se candidataram nas eleições do ano passado.
Severino teve 53 000 votos,
o que lhe garantiu a suplência e a possibilidade de
assumir o mandato de deputado caso alguém da bancada
pernambucana necessite se ausentar. Buani se saiu pior. Amargou
os últimos lugares de sua coligação em
Brasília, com apenas 803 votos. Na semana passada,
o empresário reapareceu no papel de vilão. Um
de seus restaurantes, o que funciona no Ministério
da Fazenda, foi fechado pela Vigilância Sanitária
por falta de higiene. Fiscais encontraram no estabelecimento
facas, panelas e utensílios de cozinha enferrujados.
Os funcionários se vestiam com roupas sujas e não
tinham sequer sabonete para lavar as mãos. Havia alimentos
estragados e com o prazo de validade vencido. Uma barata morta
foi encontrada embaixo de um dos freezers.
"É pura
perseguição", defendeu-se Buani, insinuando
que os fiscais interditaram o restaurante em retaliação
às denúncias que ele fez à época
contra Severino Cavalcanti. É uma teoria sem sentido.
Afinal, Buani, embora tenha assumido o papel de protagonista
do escândalo que levou o deputado à renúncia,
nunca foi o personagem central. O mensalinho foi descoberto
graças a um ex-gerente do restaurante, que, demitido,
decidiu revelar detalhes do que testemunhou durante vários
meses. Buani só confirmou o pagamento de propina a
Severino após ser confrontado com documentos que não
deixavam dúvidas sobre o esquema. Depois disso, ele
chorou, se disse vítima de extorsão e encarnou
o papel de herói. O restaurante de Sebastião
Buani serve 700 refeições por dia aos funcionários
do Ministério da Fazenda. Antes da interdição,
os fiscais já haviam notificado o estabelecimento sobre
as irregularidades, mas nenhuma das recomendações
feitas foi atendida. "As condições de higiene
do local são péssimas", diz Ângela
Cristina Amaral, chefe do Núcleo de Inspeção
Sanitária e responsável pela fiscalização
do restaurante. Fazia muito tempo que os funcionários
do Ministério da Fazenda reclamavam do estabelecimento,
que foi reaberto dois dias depois. O ministro Guido Mantega
nunca almoçou por lá. Sorte dele. Buani mostrou
que sujeira não é coisa só da política.