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28 de novembro de 2007
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Brasil
Presente de Natal

A oposição adia o julgamento de Renan, mas
sua absolvição já está decidida pelos senadores


Otávio Cabral

José Cruz/ABR
Renan Calheiros: clima de camaradagem com os colegas no plenário

O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros, já não esconde mais a euforia. Na semana passada, ele foi ao plenário, conversou com aliados, abraçou adversários, confabulou com supostos inimigos, riu e se movimentou como se nada o incomodasse. Renan está seguro da absolvição. Nem o adiamento da sessão que iria julgar o terceiro processo que ele responde por quebra do decoro parlamentar foi capaz de alterar seu bom humor. Acusado de usar laranjas para ocultar um grupo de comunicação que comprou em Alagoas, Renan Calheiros está tranqüilo porque sabe que, se depender da disposição de seus colegas, continuará ocupando o cargo de senador da República nos próximos três anos. Seu julgamento deve acontecer na primeira semana de dezembro, mas o resultado já foi combinado entre os líderes dos dois principais partidos do Congresso. PT e PMDB estão unidos para livrar o senador da cassação. "O principal cabo eleitoral agora é a rua", diz o senador José Agripino, líder do DEM. "Aqui, o clima é favorável a Renan."

É pouco provável que as ruas possam mudar alguma coisa. O futuro de Renan Calheiros, como se sabe, vai ser decidido em votação secreta. As ruas, portanto, não ficarão sabendo de que lado está cada um dos senhores senadores. No primeiro processo contra Renan – o do lobista que pagava suas despesas pessoais –, o que as ruas queriam não fez a menor diferença. Protegidos pelo anonimato, quarenta senadores votaram pela absolvição de Renan Calheiros e outros seis se abstiveram. Quem são eles? Só é possível afirmar com certeza que os abstêmios que salvaram o senador são parlamentares petistas. E isso só foi possível saber por uma razão curiosa: por exigência de Renan Calheiros, os petistas tiveram de explicitar sua posição. O palco já está montado para repetir a encenação. Petistas e peemedebistas fecharam acordo para aprovar a prorrogação da CPMF. É igual àquela brincadeira de amigo oculto de Natal. Os petistas darão a Renan a absolvição de presente. Os peemedebistas retribuirão com o empenho para aprovar a CPMF. As ruas que se danem.




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