A oposição adia
o julgamento de Renan, mas sua absolvição já está
decidida pelos senadores
Otávio
Cabral
José Cruz/ABR
Renan
Calheiros: clima de camaradagem com os colegas no plenário
O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros, já não esconde
mais a euforia. Na semana passada, ele foi ao plenário, conversou com aliados,
abraçou adversários, confabulou com supostos inimigos, riu e se
movimentou como se nada o incomodasse. Renan está seguro da absolvição.
Nem o adiamento da sessão que iria julgar o terceiro processo que ele responde
por quebra do decoro parlamentar foi capaz de alterar seu bom humor. Acusado de
usar laranjas para ocultar um grupo de comunicação que comprou em
Alagoas, Renan Calheiros está tranqüilo porque sabe que, se depender
da disposição de seus colegas, continuará ocupando o cargo
de senador da República nos próximos três anos. Seu julgamento
deve acontecer na primeira semana de dezembro, mas o resultado já foi combinado
entre os líderes dos dois principais partidos do Congresso. PT e PMDB estão
unidos para livrar o senador da cassação. "O principal cabo
eleitoral agora é a rua", diz o senador José Agripino, líder
do DEM. "Aqui, o clima é favorável a Renan."
É
pouco provável que as ruas possam mudar alguma coisa. O futuro de Renan
Calheiros, como se sabe, vai ser decidido em votação secreta. As
ruas, portanto, não ficarão sabendo de que lado está cada
um dos senhores senadores. No primeiro processo contra Renan o do lobista
que pagava suas despesas pessoais , o que as ruas queriam não fez
a menor diferença. Protegidos pelo anonimato, quarenta senadores votaram
pela absolvição de Renan Calheiros e outros seis se abstiveram.
Quem são eles? Só é possível afirmar com certeza que
os abstêmios que salvaram o senador são parlamentares petistas. E
isso só foi possível saber por uma razão curiosa: por exigência
de Renan Calheiros, os petistas tiveram de explicitar sua posição.
O palco já está montado para repetir a encenação.
Petistas e peemedebistas fecharam acordo para aprovar a prorrogação
da CPMF. É igual àquela brincadeira de amigo oculto de Natal. Os
petistas darão a Renan a absolvição de presente. Os peemedebistas
retribuirão com o empenho para aprovar a CPMF. As ruas que se danem.