Edição 1924 . 28 de setembro de 2005

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CINEMA

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O Virgem de 40 Anos: aflições masculinas viram motivo de piada


O Virgem de 40 Anos
(The 40-Year-Old Virgin,
Estados Unidos, 2005. Desde sexta-feira em cartaz no país) – O protagonista dessa comédia é exatamente o que o título anuncia: um sujeito que chegou invicto à metade da vida. Não porque lhe falte desejo – bem ao contrário. Mas porque, a cada tentativa malsucedida de iniciar um relacionamento amoroso, sua ansiedade foi se avolumando até o ponto do insustentável. Andy Stitzer (o ótimo Steve Carell), então, decide canalizar sua energia para outras atividades: trabalhar, colecionar bonecos de super-heróis e esconder seu segredo. O Virgem de 40 Anos não deixa escapar as várias chances de fazer humor chulo que o enredo oferece. Mas a surpresa é que o faz sem ridicularizar seus personagens e com empatia para com as aflições masculinas. Veja cenas.

 

DISCOS

 
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Lulu Santos: guitarras em alto volume  

Letra & Música, Lulu Santos (Sony/BMG) – O cantor e compositor carioca já se aventurou pelo pop acústico, pelo samba-rock, pelo blues e por ritmos eletrônicos como o drum'n'bass, entre outros. Em seu novo CD, Letra & Música, Lulu se recicla novamente. Desta vez, ele fez um disco de rock básico, com guitarras em alto e bom som – como se percebe em sua versão de Ele Falava nisso Todo Dia, de Gilberto Gil, e na instrumental Circulando. Regravou ainda Pop Star, música que o grupo João Penca & Seus Miquinhos Amestrados lançou nos anos 80 – a faixa tem sido bem executada nas rádios. Lulu também não decepciona nas composições próprias: Vale de Lágrimas e Roleta estão entre as melhores da sua produção recente.

 

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Kings: Simon & Garfunkel norueguês  

Riot on an Empty Street, Kings of Convenience (EMI Music) – O Kings of Convenience é uma versão moderninha da dupla americana Simon & Garfunkel (dos melhores momentos desta última, diga-se). Seus integrantes, os músicos e cantores Erlend Oye e Eirik Glambek Boe, fazem o tipo intelectual – Boe formou-se em psicologia há pouco tempo – e apostam num pop acústico calcado em belas harmonias vocais. Ambos vêm da Noruega e temperam suas canções com toques de música eletrônica e rock independente. É um trabalho refinado, como demonstra Riot on an Empty Street. O segundo álbum da dupla – que, no mês que vem, será atração de um festival em várias capitais brasileiras – contém baladas na medida para ouvir a dois, como I'd Rather Dance with You.

 

LIVROS

 

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Tolstoi (com os netos): cartilha utópica  

Contos da Nova Cartilha, de Leon Tolstoi (tradução de M. Aparecida B. P. Soares; Ateliê; 192 páginas; 36 reais) – O autor de Guerra e Paz e A Morte de Ivan Ilich professava um curioso ideário utópico, no qual se misturavam traços de cristianismo e anarquismo. Foi devido a suas preocupações sociais que Tolstoi (1828-1910) abriu, em 1859, uma escola em sua propriedade rural para os filhos dos servos. Também produziu cartilhas de alfabetização que fizeram grande sucesso na Rússia. Originalmente destinados a auxiliar na alfabetização de crianças, os textos recolhidos em Contos da Nova Cartilha incluem fábulas, historietas folclóricas e charadas recolhidas e reescritas pelo mestre russo. São belas narrativas, cujo encanto independe das intenções pedagógicas do autor. Leia trecho.

Disparos do Front da Cultura Pop, de Tony Parsons (tradução de Alyne Azuma; Barracuda; 360 páginas; 39 reais) – Quando se fala em crítico de rock, o inglês Tony Parsons é referência obrigatória. Ele ganhou fama como colunista do New Musical Express, o semanário musical mais influente da Inglaterra nos anos 70. Disparos reúne artigos escritos para várias publicações entre 1976 e 1994. Parsons fala sobre apresentações antológicas de artistas como Bruce Springsteen e aborda a explosão do movimento punk. Numa reportagem, narra o quebra-quebra no show dos Sex Pistols durante as comemorações do jubileu da rainha Elizabeth II. Há ainda entrevistas com figuras como George Michael – Parsons pergunta se o cantor não se acha um "cretino arrogante". Leia trecho.

Os Suicidas, de Antonio di Benedetto (tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro; Globo; 168 páginas; 32 reais) – A literatura argentina no século XX foi uma assombrosa fonte de talentos como Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e Juan José Saer. Embora menos conhecido, Benedetto (1922-1986) é um escritor poderoso. Seu romance Os Suicidas narra a angústia de um jornalista que se aproxima dos 33 anos – foi com essa idade que seu pai se matou. Sua ansiedade se agrava quando ele, incumbido de produzir uma reportagem sobre suicídio, começa a pesquisar o que a literatura e a filosofia já disseram sobre o tema. Benedetto utiliza a estranha obsessão de seu personagem para produzir uma fascinante antologia de citações sobre o ato de tirar a própria vida. Leia trecho.

 

PARA COLECIONADORES

Coleção Gângsteres – Volumes 1 e 2 (Warner) – Na passagem da euforia dos anos 20 para a Grande Depressão da década de 30, um gênero emergiu como o mais representativo do cinema americano do entreguerras: o filme de gângster. Violentas, inquietas e marcadas pelo sentimento de desorientação social e moral no qual os Estados Unidos estavam mergulhados, as seis fitas que compõem os dois volumes dessa coleção, lançadas entre 1931 e 1949, não são apenas uma seleção do melhor do período. São também uma amostra do realismo e da audácia que fizeram da Warner um estúdio singular entre os grandes de Hollywood naquele período – e, hoje, ela tem se destacado também como a mais cuidadosa na restauração de seus títulos para lançamento em DVD e na produção de extras caprichados. Quatro dos filmes são estrelados por James Cagney, o grande nome do gênero: O Inimigo Público Nº 1, Anjos de Cara Suja, Heróis Esquecidos e Fúria Sanguinária – este, talvez o melhor da coleção. Humphrey Bogart é, ao lado de Leslie Howard, o protagonista de A Floresta Petrificada, e Edward G. Robinson exala frustração e malevolência em Alma no Lodo.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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