Edição 1924 . 28 de setembro de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
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Gente
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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

• GOVERNO

Enfim, a transposição
Está prevista para segunda-feira a concessão pelo Ibama da licença ambiental que permitirá o início da polêmica transposição do Rio São Francisco. Se tudo ocorrer como o previsto, a obra (que será tocada pelo Exército nesta fase inicial) começará já na primeira semana de outubro.

De banho tomado
A Presidência da República está fazendo uma licitação para a compra de materiais para "atender às necessidades da oficina de manutenção e obras". Prevê gastar 1,7 milhão de reais. O estoque deve estar zerado. Por exemplo: serão comprados 152 chuveiros elétricos, sendo 132 deles "tipo maxiducha". Deve ser suficiente para tirar toda a lama acumulada. Não é só: o edital prevê a aquisição de 220 torneiras, sessenta vasos sanitários e 130 válvulas de descarga.

 

• PSDB

A paz tucana
Estimulado por Aécio Neves e por FHC, um jantar na quinta-feira, em São Paulo, selou a paz entre José Serra e Tasso Jereissati. Tendo apenas FHC como testemunha, ficou acertado que Tasso presidirá o partido a partir de novembro.

 

• CPI

Muy amigo
Mensagem postada às 15h12 de terça-feira passada no blog Amigos do Zé Dirceu, criado, em princípio, para tecer loas ao ex-ministro: "Camarada Zé, vem para Cuba plantar cana. No Brasil, você é um defunto político. Não tem futuro. Assinado: Fidel". Algumas horas depois, o carinhoso conselho foi retirado do blog.

Velhos companheiros
Antonio Palocci jantou com José Dirceu na quarta-feira, no apartamento do ex-ministro, em Brasília. Ao encontro deveria comparecer também Luiz Gushiken, que na última hora não pôde ir.  

Lobbies incessantes 1
Até a véspera do depoimento de Daniel Dantas, PSDB e PFL fizeram tudo o que puderam para adiar o comparecimento do banqueiro na CPI dos Correios.

Lobbies incessantes 2
É amplo o arco de pressões para que seja desmarcado o depoimento do presidente do Citibank, Gustavo Marin, na CPI do Mensalão – vai do ministro Antonio Palocci à Telemar.  

Auditoria externa
Deve ser anunciada nesta semana a contratação da consultoria KPMG para fazer a auditagem dos documentos relativos às transações externas e internas que estão hoje em mãos da CPI dos Correios.  

Novos tempos
É tamanha a concentração de advogados nas CPIs que já tem gente atualizando a expressão "advogado de porta de cadeia" para "advogado de porta de CPI".

 

"Fique tranqüilo, ministro"

Victor Soares/ABR
Bastos: aviso do contínuo ao ministro

Na noite de quarta-feira, Márcio Thomaz Bastos deixava o Palácio do Planalto quando um contínuo, agitado e ofegante, o abordou. "Ministro, o senhor pode ficar tranqüilo: o Toninho da Barcelona o absolveu no depoimento dele na CPI..." Quando um contínuo "tranqüiliza" desse modo um ministro é sinal de que as coisas continuam de pernas para o ar.

 

• ELEIÇÕES 2006

100 anos sem paulistas
Geraldo Alckmin tem manejado um argumento histórico quando, em suas andanças pelo país, alguém faz objeção a eleger "mais um presidente paulista". Ele lembra que o último presidente da República nascido em São Paulo foi Rodrigues Alves, que deixou o governo em 1906. No ano que vem, portanto, completam-se 100 anos sem um paulista de fato na Presidência. Nesse período, o cargo foi ocupado por "paulistas" de Macaé (RJ), como Washington Luís, e de Campo Grande (MS), como Jânio Quadros. Ou ainda do Rio de Janeiro, como FHC, e de Garanhuns (PE), caso de Lula. É um argumento interessante – o problema para Alckmin é que serve para o também paulista José Serra...

 

• ECONOMIA

Tempo nublado
A direção da Varig acha que, se nesta semana não for fechada a encrencada venda da Varig Log (sua subsidiária de cargas) ao fundo americano Matlin Patterson, haverá problemas de caixa na companhia.  

Busca difícil
A procura de um novo presidente para o Pão de Açúcar está agitando o mercado de altos executivos. Alguns executivos de primeiríssima linha já recusaram a oferta para se mudar de armas e bagagens para a empresa de Abilio Diniz e do Casino. A busca continua.

 

Dilma versus Palocci

Joedson Alves/AE
Dilma e Palocci: ela quer abrir a torneira dos gastos; ele não

Tão logo acabe a crise política (será que acaba?), os holofotes deverão iluminar uma nova guerra. Desta vez, os protagonistas são Dilma Rousseff e o Ministério da Fazenda. Já começam a sair faíscas da relação. Motivo: gastos do governo. Ela quer abrir a torneira. Antonio Palocci quer mantê-la fechada. Não é só: nas reuniões fechadas, a ministra-chefe da Casa Civil tem demonstrado alguma desconfiança dos números apresentados pela Fazenda. A ministra vem adotando um discurso "desenvolvimentista", parecido, aliás, com o que José Dirceu tinha quando ocupava o mesmo cargo. Na quarta-feira passada, numa reunião no Palácio do Planalto, da qual participaram Dilma, Palocci, Jaques Wagner, Paulo Bernardo e Lula, as divergências afloraram novamente. Apesar da confiança de Lula em Palocci, não se descarta a possibilidade de o próprio presidente estar incentivando a postura de Dilma.

 

 

Foto Luis Gomes

 

 
 
 
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