Edição 1924 . 28 de setembro de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Veja essa
Auto-retrato
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Televisão
Bala perdida

A novela Bang Bang nem começou e já
há um ferido: seu autor, Mario Prata


Ricardo Valladares


Divulgação
Amancio Chiodi/AE
Fontes (em pé) em Bang Bang, e Prata (à dir.): o ator faz um contador corrupto. Interessante

Antes mesmo de sua estréia, daqui a uma semana, a novela Bang Bang já ameaça causar tiroteio nos bastidores da Rede Globo. Na semana passada, os manda-chuvas da emissora decidiram que o novo folhetim das sete terá um "autor estepe" – precaução tomada sempre que o titular da história dá sinais de que pode não agüentar o tranco. É o caso, na avaliação da Globo, do noveleiro Mario Prata. Mal começou a escrever Bang Bang, ele foi acometido pelo estresse: anda padecendo de dores nas costas e tendinite. O "autor estepe" já havia sido utilizado em Esperança: o noveleiro Walcyr Carrasco acompanhava a trama desde o começo e a assumiu quando seu autor, Benedito Ruy Barbosa, foi internado com enfisema pulmonar. "Ainda não definimos quem vai monitorar Bang Bang. Talvez nem Prata virá a saber", diz um diretor da Globo (bang, bang). Um colapso nervoso não é o único temor. Há dúvidas se a paródia – que mistura um cenário fajuto de Velho Oeste com gírias atuais e personagens com nome em inglês – funcionará. Autor de sucessos como Estúpido Cupido (1976), Prata não escrevia para a Globo desde 1985, quando fez Um Sonho a Mais. Na ocasião, um capítulo tinha vinte páginas, metade do que ele precisa escrever em Bang Bang. Para tanto, o autor montou uma equipe tamanho-família. Dispõe de cinco colaboradores – ou seja, serão seis pessoas metendo a colher no texto, o mesmo o número de tripulantes da última missão da nave espacial Discovery. Para não falar do "autor estepe" (bang, bang).

Kadu Moliterno, como bandido em pele de mocinha: carona em Dona Roma?

O capítulo de abertura de Bang Bang contará com um desenho animado de quatro minutos, em que será mostrado como a fictícia Albuquerque (mesmo nome da maior cidade do estado americano do Novo México) foi dominada por duas famílias inimigas. Diana, a protagonista, será vivida pela modelo e apresentadora Fernanda Lima, escolha que causa certa apreensão na Globo depois do vexame de Deborah Secco e sua insossa Sol em América (bang, bang). Talvez para pegar carona no sucesso de Dona Roma (bang, bang), a matrona interpretada por um marmanjo na atual novela das sete, A Lua Me Disse, haverá dois personagens parecidos: Kadu Moliterno e Evandro Mesquita serão bandoleiros com disfarces femininos. Bang Bang também terá a participação de Guilherme Fontes, aquele diretor de um filme que ainda não existe, Chatô, apesar de ter consumido cerca de 12 milhões de reais, em boa parte captados por leis de incentivo. O ator será o contador Jeff Wall Street. Um contador corrupto, ressalte-se: até um circo terá de molhar as mãos do bandido para se apresentar em Albuquerque. Interessante (bang, bang).

 
 
 
 
topovoltar