|
|
Televisão
Bala perdida
A novela Bang Bang nem começou
e já
há um ferido: seu autor, Mario Prata

Ricardo Valladares
Divulgação
 |
Amancio Chiodi/AE
 |
| Fontes (em pé) em Bang
Bang, e Prata (à dir.): o ator faz um contador
corrupto. Interessante |
Antes mesmo de sua estréia,
daqui a uma semana, a novela Bang Bang já ameaça
causar tiroteio nos bastidores da Rede Globo. Na semana passada,
os manda-chuvas da emissora decidiram que o novo folhetim das sete
terá um "autor estepe" precaução tomada
sempre que o titular da história dá sinais de que
pode não agüentar o tranco. É o caso, na avaliação
da Globo, do noveleiro Mario Prata. Mal começou a escrever
Bang Bang, ele foi acometido pelo estresse: anda padecendo
de dores nas costas e tendinite. O "autor estepe" já havia
sido utilizado em Esperança: o noveleiro Walcyr Carrasco
acompanhava a trama desde o começo e a assumiu quando seu
autor, Benedito Ruy Barbosa, foi internado com enfisema pulmonar.
"Ainda não definimos quem vai monitorar Bang Bang. Talvez
nem Prata virá a saber", diz um diretor da Globo (bang, bang).
Um colapso nervoso não é o único temor. Há
dúvidas se a paródia que mistura um cenário
fajuto de Velho Oeste com gírias atuais e personagens com
nome em inglês funcionará. Autor de sucessos
como Estúpido Cupido (1976), Prata não escrevia
para a Globo desde 1985, quando fez Um Sonho a Mais. Na ocasião,
um capítulo tinha vinte páginas, metade do que ele
precisa escrever em Bang Bang. Para tanto, o autor montou
uma equipe tamanho-família. Dispõe de cinco colaboradores
ou seja, serão seis pessoas metendo a colher no texto,
o mesmo o número de tripulantes da última missão
da nave espacial Discovery. Para não falar do "autor estepe"
(bang, bang).
 |
| Kadu Moliterno, como bandido em pele de mocinha:
carona em Dona Roma? |
O capítulo de abertura
de Bang Bang contará com um desenho animado de quatro
minutos, em que será mostrado como a fictícia Albuquerque
(mesmo nome da maior cidade do estado americano do Novo México)
foi dominada por duas famílias inimigas. Diana, a protagonista,
será vivida pela modelo e apresentadora Fernanda Lima, escolha
que causa certa apreensão na Globo depois do vexame de Deborah
Secco e sua insossa Sol em América (bang, bang). Talvez
para pegar carona no sucesso de Dona Roma (bang, bang), a matrona
interpretada por um marmanjo na atual novela das sete, A Lua
Me Disse, haverá dois personagens parecidos: Kadu Moliterno
e Evandro Mesquita serão bandoleiros com disfarces femininos.
Bang Bang também terá a participação
de Guilherme Fontes, aquele diretor de um filme que ainda não
existe, Chatô, apesar de ter consumido cerca de 12
milhões de reais, em boa parte captados por leis de incentivo.
O ator será o contador Jeff Wall Street. Um contador corrupto,
ressalte-se: até um circo terá de molhar as mãos
do bandido para se apresentar em Albuquerque. Interessante (bang,
bang).
|