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Religião O
teste da batina O Vaticano quer impedir gays de
virar padres para combater casos de abuso sexual
Michael
Dwyer/AP
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padre Geoghan, acusado de molestar 130 crianças nos Estados Unidos: proteção da
Igreja |
A Igreja Católica decidiu
adotar uma medida extrema para inibir os escândalos sexuais envolvendo padres:
dificultar a ordenação de homossexuais. A decisão já
foi tomada pelo papa Bento XVI, de acordo com fontes do Vaticano, mas só
deve ser anunciada oficialmente nas próximas semanas. Como parte da nova
política, a ser aplicada em todo o mundo, uma equipe de religiosos será
enviada pelo Vaticano para investigar cada um dos 229 seminários dos Estados
Unidos em busca de "indícios de homossexualismo". A intenção
é entrevistar cada um dos 4.500 seminaristas e submetê-los a um questionário
de cinqüenta perguntas, no qual deverão expor sua opção
sexual e sua opinião sobre o celibato. As novas regras determinam que sejam
excluídos todos os seminaristas que admitam ser homossexuais, mesmo que
se comprometam a manter a castidade. "A questão são as tentações
específicas dos seminários, em que só há homens",
diz o padre Robert Silva, presidente da Federação dos Padres Americanos.
Diferentemente dos seminaristas, os padres não serão expulsos, desde
que respeitem o voto de castidade. Padre Silva diz que membros importantes da
hierarquia católica americana estão tentando dissuadir o Vaticano
de divulgar o documento, sob o argumento de que iria criar mais problemas do que
soluções entre o clero.
A Igreja
Católica considera o homossexualismo uma depravação grave.
Um documento do Vaticano, de 1961, recomenda que seminaristas com "inclinações
perversas à homossexualidade ou à pederastia" não sejam ordenados
padres. A Igreja Católica nos Estados Unidos nunca seguiu à risca
ou de modo uniforme essa determinação. Em muitos seminários
não há restrição para candidatos a padres que admitem
abertamente ser gays. Não é apenas por isso que os seminários
americanos estão recebendo atenção especial do Vaticano.
Uma enxurrada de denúncias de abusos sexuais envolvendo sacerdotes, sobretudo
casos de pedofilia, mergulhou a Igreja Católica dos Estados Unidos na maior
crise de sua história. Só no ano
passado, foram 1.092 acusações contra 756 padres. A maioria dos
casos tinha ocorrido anos antes, mas só agora as vítimas tiveram
coragem de denunciar os sacerdotes. Boa parte dos processos foi resolvida com
o pagamento de indenizações, que custaram à Igreja 1 bilhão
de dólares. Pior para o prestígio da Igreja foram as revelações
de que no passado muitos padres acusados usufruíram a proteção
de bispos e cardeais e, em muitos casos, a única punição
foi a transferência para outra paróquia. Esse foi o caso do padre
John Geoghan, finalmente condenado pelo abuso de 130 crianças. |