Edição 1924 . 28 de setembro de 2005

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Doador vivo, receptor também

Otávio Dias de Oliveira


É possível doar em vida órgãos como fígado, medula óssea, pâncreas, rim e pulmão. A lei autoriza a doação ao cônjuge, a parentes até o quarto grau ou mesmo a pessoas sem nenhum parentesco. Neste último caso, para evitar venda de órgãos, é preciso autorização judicial, com base em um relatório médico e análise, pelo juiz, da motivação pessoal de quem se oferece como doador. Em qualquer hipótese, há avaliações clínicas da compatibilidade imunológica e de eventuais riscos. Normalmente, o candidato a doador tem de ser maior de idade, mas há exceções nos casos de doações a parentes autorizadas pelo responsável legal. O Sistema Único de Saúde (SUS) banca o processo. O doador tem direito a afastamento remunerado do trabalho. Exceto no caso do pulmão, a doação não interfere nos hábitos nem na saúde do doador. Quem doa um dos pulmões jamais poderá tornar-se fumante. A recuperação é geralmente rápida. "Os riscos são os mesmos de qualquer operação", esclarece Walter Antonio Pereira, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e chefe do departamento de cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Alternativas como o implante de células-tronco para a regeneração de órgãos como fígado e rins são promissoras, mas estão no estágio inicial de pesquisa. Outra doação comum, a de sangue, ainda é insuficiente. Calcula-se que 1,8% dos brasileiros doe sangue, enquanto o índice considerado ideal é de 3% a 5%.

 

 

O fim da rejeição


Ernesto Rodrigues/AE
O ator Norton Nascimento: submetido a um transplante de coração em 2003, ele superou o risco da rejeição graças a imunodepressores, que aumentam o índice de sucesso

Transplantes de medula óssea exigem altíssima compatibilidade imunológica entre doador e receptor. No caso de irmãos, a chance de sucesso é de uma em três. Quando é preciso encontrar um doador na população em geral, a probabilidade de compatibilidade é de uma em 100 000. Por isso cada país tem um registro de doadores de medula óssea. No Brasil, há 130 000 pessoas catalogadas. No mundo, são 10 milhões registradas. Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos, com boa saúde, pode se cadastrar procurando uma central de notificação. O site www.inca.gov.br, do Instituto Nacional de Câncer, presta informações (é preciso clicar no banner da parte de baixo da página principal).

O caso da medula, hoje, é uma exceção. Durante décadas, a rejeição do organismo ao órgão transplantado foi um dos maiores problemas enfrentados pelos médicos. Nesse processo, o sistema imunológico do paciente reage à presença de um órgão de outra pessoa e o ataca, pondo em risco o transplante. Hoje esse problema está reduzido. Na maioria dos casos, basta que o tipo sanguíneo do doador seja compatível com o do paciente. (Com o transplante de córnea, nem isso é preciso.) A razão da vitória contra a rejeição são medicamentos chamados imunodepressores. "Em certos transplantes, como o de rim, o índice de sucesso é quase o mesmo tanto quando o doador é parente do transplantado como quando não é", explica Valter Duro Garcia, chefe do serviço de transplante de rim e pâncreas da Santa Casa de Porto Alegre.

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Onde se cadastrar como doador de medula óssea

 
 
 
 
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