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Guia Doador
vivo, receptor também
Otávio Dias de Oliveira  |
É possível doar em vida órgãos
como fígado, medula óssea, pâncreas, rim e pulmão.
A lei autoriza a doação ao cônjuge, a parentes até
o quarto grau ou mesmo a pessoas sem nenhum parentesco. Neste último caso,
para evitar venda de órgãos, é preciso autorização
judicial, com base em um relatório médico e análise, pelo
juiz, da motivação pessoal de quem se oferece como doador. Em qualquer
hipótese, há avaliações clínicas da compatibilidade
imunológica e de eventuais riscos. Normalmente, o candidato a doador tem
de ser maior de idade, mas há exceções nos casos de doações
a parentes autorizadas pelo responsável legal. O Sistema Único de
Saúde (SUS) banca o processo. O doador tem direito a afastamento remunerado
do trabalho. Exceto no caso do pulmão, a doação não
interfere nos hábitos nem na saúde do doador. Quem doa um dos pulmões
jamais poderá tornar-se fumante. A recuperação é geralmente
rápida. "Os riscos são os mesmos de qualquer operação",
esclarece Walter Antonio Pereira, presidente da Associação Brasileira
de Transplante de Órgãos e chefe do departamento de cirurgia da
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Alternativas como
o implante de células-tronco para a regeneração de órgãos
como fígado e rins são promissoras, mas estão no estágio
inicial de pesquisa. Outra doação comum, a de sangue, ainda é
insuficiente. Calcula-se que 1,8% dos brasileiros doe sangue, enquanto o índice
considerado ideal é de 3% a 5%.
O
fim da rejeição
Ernesto Rodrigues/AE  |
| O ator Norton Nascimento: submetido a um transplante
de coração em 2003, ele superou o risco da rejeição graças a imunodepressores,
que aumentam o índice de sucesso | Transplantes
de medula óssea exigem altíssima compatibilidade imunológica
entre doador e receptor. No caso de irmãos, a chance de sucesso é
de uma em três. Quando é preciso encontrar um doador na população
em geral, a probabilidade de compatibilidade é de uma em 100 000. Por isso
cada país tem um registro de doadores de medula óssea. No Brasil,
há 130 000 pessoas catalogadas. No mundo, são 10 milhões
registradas. Qualquer pessoa entre 18 e 55 anos, com boa saúde, pode se
cadastrar procurando uma central de notificação. O site www.inca.gov.br,
do Instituto Nacional de Câncer, presta informações (é
preciso clicar no banner da parte de baixo da página principal).
O caso da medula, hoje, é uma exceção.
Durante décadas, a rejeição do organismo ao órgão
transplantado foi um dos maiores problemas enfrentados pelos médicos. Nesse
processo, o sistema imunológico do paciente reage à presença
de um órgão de outra pessoa e o ataca, pondo em risco o transplante.
Hoje esse problema está reduzido. Na maioria dos casos, basta que o tipo
sanguíneo do doador seja compatível com o do paciente. (Com o transplante
de córnea, nem isso é preciso.) A razão da vitória
contra a rejeição são medicamentos chamados imunodepressores.
"Em certos transplantes, como o de rim, o índice de sucesso é quase
o mesmo tanto quando o doador é parente do transplantado como quando não
é", explica Valter Duro Garcia, chefe do serviço de transplante
de rim e pâncreas da Santa Casa de Porto Alegre.
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