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Justiça Na
cadeia, Maluf faz política... ...de boa vizinhança.
Chama as faxineiras de princesa e os presos pelo nome  Camila
Pereira
Felipe
Araújo/AE
 | | Maluf:
banho de três minutos em chuveiro coletivo |
Presos há quinze dias, Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo, e
seu filho Flávio sofreram mais uma derrota judicial na semana passada.
Na quarta-feira, o Superior Tribunal de Justiça decidiu manter a prisão
preventiva de ambos: negou o pedido de habeas corpus feito por seus advogados.
Maluf e o filho estão detidos desde o dia 10 de setembro por intimidação
de testemunhas e tentativa de obstrução do trabalho da Justiça,
num processo que investiga o desvio de dinheiro público na execução
de obras da prefeitura paulistana. Maluf e Flávio
dividem uma cela na sede da Superintendência da Polícia Federal,
em São Paulo, com um preso libanês acusado de tráfico de drogas.
Maluf parece adaptado à rotina do cárcere. Conversa com todos, chama
as faxineiras responsáveis pela limpeza das celas de "minhas princesas"
e, segundo um ex-preso ouvido por VEJA (que, por alguns dias, dividiu a cela com
o ex-prefeito), dorme "como um anjo". Todos os dias, ao acordar, veste calça
e camisa social, da marca Ralph Lauren. Demonstra irritação apenas
no momento das refeições e do banho. Não raro, recusa a comida
oferecida pelos carcereiros e almoça apenas biscoitos de morango, do tipo
wafer. A rotina da chuveirada quando os presos se postam em fila indiana,
com direito a apenas três minutos de banho também não
o agrada. Ele tentou obter autorização para usar o banheiro dos
carcereiros. Não conseguiu. O comportamento de Maluf é diferente
do exibido por seu filho Flávio. Deprimido, Flávio alterna momentos
de choro e completo mutismo. Fala praticamente só com o pai e, nos momentos
em que pode sair da cela, faz cooper no pátio, ouvindo música em
um iPod. Agliberto
Lima/AE
 | | Flávio:
pouco sono e três antidepressivos |
As celas da Superintendência da PF são divididas em duas alas. A
primeira é conhecida por Alphaville, em referência a um condomínio
de luxo da região metropolitana de São Paulo. A segunda, com uma
quantidade maior de detentos por cela, é chamada de Alfavela. Os Maluf
ficaram em Alphaville. Até a semana passada, o ex-prefeito só havia
lido jornais e revistas, embora tivesse dado entrevistas dizendo que vinha lendo
a Bíblia. Sua chegada à carceragem da PF foi tensa. Muitos
dos presos não queriam dividir a cela com ele. Para piorar, as notícias
de que a família tinha privilégios fizeram com que os detentos passassem
a ser submetidos a um regime mais rigoroso. Telefonemas, por exemplo, antes permitidos
uma vez por semana, foram proibidos. Para amenizar a situação, Maluf
recorre ao seu estilo característico: distribui apertos de mão,
experimenta as comidas que outros presos lhe oferecem e chama todos pelo nome.
Até agora, só não aceitou o convite para participar da pelada
que acontece todos os dias no pátio. Na semana que vem, seus advogados
tentarão uma nova cartada para tirá-lo da prisão: devem entrar
com outro pedido de habeas corpus, desta vez no Supremo Tribunal Federal. As chances
de ter o pedido aceito são pequenas. |