Edição 1924 . 28 de setembro de 2005

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Espaço
Conquista da Lua, parte II

EUA anunciam novas viagens tripuladas ao
satélite. A pergunta é: Para que fazer isso?


Thereza Venturolli

NESTA REPORTAGEM
Quadro: Como será a próxima viagem à Lua

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Em Profundidade: Exploração do espaço

Os Estados Unidos anunciaram na semana passada uma nova etapa de seu programa espacial. Ele prevê uma série de viagens tripuladas à Lua a partir de 2018, as primeiras desde o fim do projeto Apollo, há 33 anos. O objetivo das futuras missões é construir uma base lunar, um laboratório que permita ao homem aprender a viver fora de seu planeta, explorar os recursos naturais da Lua e utilizá-la como ponto de apoio para uma futura viagem a Marte. Além disso, a nave a ser construída para as viagens substituiria os velhos ônibus espaciais na tarefa de levar astronautas e mantimentos para a Estação Espacial Internacional. No início do ano passado, em campanha pela reeleição, o presidente George W. Bush já anunciara as bases gerais do projeto, deixando claro que o considera estratégico para a presença americana no espaço e para a própria supremacia dos EUA.

Em 1961, quando vôos tripulados à Lua só existiam na ficção científica, um outro presidente americano, John Kennedy, foi aos microfones para falar de viagens espaciais. "Acredito que esta nação deva se comprometer com o objetivo de, até o fim da década, mandar um homem à Lua e trazê-lo de volta em segurança", disse. O discurso de Kennedy tocou fundo no brio dos americanos. Viviam-se os anos da Guerra Fria e os Estados Unidos travavam uma acirrada corrida espacial com a União Soviética – com grande risco de perdê-la. A oratória do presidente tinha a nobreza das palavras de um general que conclama seus soldados em nome da pátria. Oito anos depois, os astronautas da Apollo 11 pisavam em solo lunar.

Agora, o anúncio de novas viagens tripuladas à Lua teve um efeito bem diverso. A reação de uma parte significativa da comunidade científica foi perguntar: Para que voltar à Lua? Os robôs espaciais, hoje, são capazes de fazer praticamente todas as pesquisas e análises que antes dependiam da presença física de astronautas. Os críticos se espantam também com o custo do projeto anunciado pela Nasa: 104 bilhões de dólares. Há quem considere uma loucura investir tanto numa aventura espacial em meio às enormes despesas que representam para os EUA a guerra no Iraque e a reconstrução das regiões devastadas pelo furacão Katrina. "Com os recursos tecnológicos de que dispomos, não tem cabimento gastar tanto dinheiro para colocar vidas humanas em risco", disse a VEJA o físico americano Robert Park, da Universidade de Maryland, diretor da Sociedade Física Americana. Além do mais, a Nasa tem a tradição de estourar orçamentos.

Há defensores de novos vôos tripulados que alegam que a construção de uma base terráquea na Lua pode ser estratégica, sim, mas para a espécie humana. "Precisamos aprender a viver no espaço porque o histórico das espécies na Terra sempre aponta para sua extinção", disse a VEJA o geólogo Paul Spudis, da Universidade Johns Hopkins, coordenador da missão da sonda Clementine, que em 1994 sobrevoou a Lua e mapeou sua superfície. "A presença do ser humano em outros corpos celestes é a garantia de sua sobrevivência caso a Terra seja destruída por uma catástrofe natural", ele completa. Seja como for, dificilmente as próximas missões tripuladas mobilizarão a emoção pública como nos anos 60. O momento político é outro, e, acima de tudo, ninguém mais parece ligar para as paisagens poeirentas e estéreis do satélite terrestre.

 
 
 
 
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