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Espaço Conquista
da Lua, parte II EUA anunciam novas viagens
tripuladas ao satélite. A pergunta é: Para que fazer isso?
 Thereza
Venturolli
Os
Estados Unidos anunciaram na semana passada uma nova etapa de seu programa espacial.
Ele prevê uma série de viagens tripuladas à Lua a partir de
2018, as primeiras desde o fim do projeto Apollo, há 33 anos. O objetivo
das futuras missões é construir uma base lunar, um laboratório
que permita ao homem aprender a viver fora de seu planeta, explorar os recursos
naturais da Lua e utilizá-la como ponto de apoio para uma futura viagem
a Marte. Além disso, a nave a ser construída para as viagens substituiria
os velhos ônibus espaciais na tarefa de levar astronautas e mantimentos
para a Estação Espacial Internacional. No início do ano passado,
em campanha pela reeleição, o presidente George W. Bush já
anunciara as bases gerais do projeto, deixando claro que o considera estratégico
para a presença americana no espaço e para a própria supremacia
dos EUA. Em 1961, quando vôos
tripulados à Lua só existiam na ficção científica,
um outro presidente americano, John Kennedy, foi aos microfones para falar de
viagens espaciais. "Acredito que esta nação deva se comprometer
com o objetivo de, até o fim da década, mandar um homem à
Lua e trazê-lo de volta em segurança", disse. O discurso de Kennedy
tocou fundo no brio dos americanos. Viviam-se os anos da Guerra Fria e os Estados
Unidos travavam uma acirrada corrida espacial com a União Soviética
com grande risco de perdê-la. A oratória do presidente tinha
a nobreza das palavras de um general que conclama seus soldados em nome da pátria.
Oito anos depois, os astronautas da Apollo 11 pisavam em solo lunar.
Agora, o anúncio de novas viagens tripuladas à Lua teve um efeito
bem diverso. A reação de uma parte significativa da comunidade científica
foi perguntar: Para que voltar à Lua? Os robôs espaciais, hoje, são
capazes de fazer praticamente todas as pesquisas e análises que antes dependiam
da presença física de astronautas. Os críticos se espantam
também com o custo do projeto anunciado pela Nasa: 104 bilhões de
dólares. Há quem considere uma loucura investir tanto numa aventura
espacial em meio às enormes despesas que representam para os EUA a guerra
no Iraque e a reconstrução das regiões devastadas pelo furacão
Katrina. "Com os recursos tecnológicos de que dispomos, não tem
cabimento gastar tanto dinheiro para colocar vidas humanas em risco", disse a
VEJA o físico americano Robert Park, da Universidade de Maryland, diretor
da Sociedade Física Americana. Além do mais, a Nasa tem a tradição
de estourar orçamentos. Há
defensores de novos vôos tripulados que alegam que a construção
de uma base terráquea na Lua pode ser estratégica, sim, mas para
a espécie humana. "Precisamos aprender a viver no espaço porque
o histórico das espécies na Terra sempre aponta para sua extinção",
disse a VEJA o geólogo Paul Spudis, da Universidade Johns Hopkins, coordenador
da missão da sonda Clementine, que em 1994 sobrevoou a Lua e mapeou sua
superfície. "A presença do ser humano em outros corpos celestes
é a garantia de sua sobrevivência caso a Terra seja destruída
por uma catástrofe natural", ele completa. Seja como for, dificilmente
as próximas missões tripuladas mobilizarão a emoção
pública como nos anos 60. O momento político é outro, e,
acima de tudo, ninguém mais parece ligar para as paisagens poeirentas e
estéreis do satélite terrestre. |