Edição 1924 . 28 de setembro de 2005

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Tecnologia
O amigão do rosto

Novo aparelho promete um barbear
mais confortável. Suas armas: cinco
lâminas e um microchip


Tiago Cordeiro

NESTA REPORTAGEM
Quadro: A evolução dos barbeadores

Todos os dias, 1,7 bilhão de homens cumprem pela manhã o ritual de fazer a barba. Para boa parte deles, os novos tipos de aparelho de barbear, que surgem de tempos em tempos, logo se transformam em objetos do desejo – como os cremes para a pele e os batons para as mulheres. Há duas semanas, a empresa americana Gillette anunciou que no início do ano que vem irá lançar o mais revolucionário aparelho de barbear que já produziu. Chama-se Fusion e sua grande novidade é ter cinco lâminas. Se essa característica permitirá um barbear mais macio, como promete o fabricante, só se saberá quando o Fusion chegar ao banheiro dos consumidores. De qualquer maneira, a quantidade de lâminas nos aparelhos de barbear tornou-se o recurso mais freqüente da indústria sempre que ela pretende inovar. Em 1971, a Gillette fez barulho ao lançar o primeiro aparelho com duas lâminas em vez de apenas uma. Em 1998, a sensação era o aparelho com três lâminas. Cinco anos depois, a Schick, sua principal concorrente, transformou num tremendo sucesso seu barbeador de quatro lâminas – justamente o que a Gillette pretende superar em vendas com seu novo produto. O Fusion tem também uma versão com motor a pilha e um microchip, o Power, que emite leves pulsações para deixar os pêlos eriçados e facilitar o barbear.

Cada novo aparelho de barbear que chega ao mercado exige dos fabricantes um investimento equivalente ao das montadoras de automóveis para desenvolver mais um modelo. A criação do Fusion custou à Gillette 750 milhões de dólares. A Fiat gastou 500 milhões de dólares para projetar na Itália o Idea, lançado há pouco no Brasil, enquanto a Volkswagen empatou 1 bilhão de dólares no New Beetle, o novo Fusca. A Gillette mantém dezesseis centros de pesquisa e desenvolvimento nos Estados Unidos e na Inglaterra. Neles, além de pesquisarem novas tecnologias, os funcionários se encarregam do controle de qualidade dos produtos que saem da fábrica. Como? Barbeando-se. Diariamente, em sistema de rodízio, 100 funcionários fazem a barba num laboratório enquanto um aparelho de raios laser mede o nível de irritação da pele do rosto deles.

O Fusion chegará às lojas custando 10 dólares e o Fusion Power, 12 dólares. Ainda não há previsão para o lançamento dos aparelhos no Brasil. A Gillette não tem pressa em lançar a novidade no país porque os barbeadores descartáveis, bem mais baratos, respondem por 66% do mercado brasileiro. Os homens que viajarem ao exterior, porém, poderão aderir ao novo brinquedo e praticar o que os psicólogos chamam de ritual do novo macho. "Antigamente, a barba era um sinal de virilidade. Hoje, essa simbologia se transferiu para os aparelhos de barbear avançados", diz o psicoterapeuta paulista Moacir Costa. "Na imaginação masculina, um rosto bem liso é uma arma de conquista", ele conclui.

 

 

 
 
 
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