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Tecnologia O
amigão do rosto Novo aparelho
promete um barbear mais confortável. Suas armas: cinco lâminas
e um microchip  Tiago
Cordeiro
Todos os dias,
1,7 bilhão de homens cumprem pela manhã o ritual de fazer a barba.
Para boa parte deles, os novos tipos de aparelho de barbear, que surgem de tempos
em tempos, logo se transformam em objetos do desejo como os cremes para
a pele e os batons para as mulheres. Há duas semanas, a empresa americana
Gillette anunciou que no início do ano que vem irá lançar
o mais revolucionário aparelho de barbear que já produziu. Chama-se
Fusion e sua grande novidade é ter cinco lâminas. Se essa característica
permitirá um barbear mais macio, como promete o fabricante, só se
saberá quando o Fusion chegar ao banheiro dos consumidores. De qualquer
maneira, a quantidade de lâminas nos aparelhos de barbear tornou-se o recurso
mais freqüente da indústria sempre que ela pretende inovar. Em 1971,
a Gillette fez barulho ao lançar o primeiro aparelho com duas lâminas
em vez de apenas uma. Em 1998, a sensação era o aparelho com três
lâminas. Cinco anos depois, a Schick, sua principal concorrente, transformou
num tremendo sucesso seu barbeador de quatro lâminas justamente o
que a Gillette pretende superar em vendas com seu novo produto. O Fusion tem também
uma versão com motor a pilha e um microchip, o Power, que emite leves pulsações
para deixar os pêlos eriçados e facilitar o barbear.
Cada novo aparelho de barbear que chega ao mercado exige dos fabricantes um investimento
equivalente ao das montadoras de automóveis para desenvolver mais um modelo.
A criação do Fusion custou à Gillette 750 milhões
de dólares. A Fiat gastou 500 milhões de dólares para projetar
na Itália o Idea, lançado há pouco no Brasil, enquanto a
Volkswagen empatou 1 bilhão de dólares no New Beetle, o novo Fusca.
A Gillette mantém dezesseis centros de pesquisa e desenvolvimento nos Estados
Unidos e na Inglaterra. Neles, além de pesquisarem novas tecnologias, os
funcionários se encarregam do controle de qualidade dos produtos que saem
da fábrica. Como? Barbeando-se. Diariamente, em sistema de rodízio,
100 funcionários fazem a barba num laboratório enquanto um aparelho
de raios laser mede o nível de irritação da pele do rosto
deles. O Fusion chegará às
lojas custando 10 dólares e o Fusion Power, 12 dólares. Ainda não
há previsão para o lançamento dos aparelhos no Brasil. A
Gillette não tem pressa em lançar a novidade no país porque
os barbeadores descartáveis, bem mais baratos, respondem por 66% do mercado
brasileiro. Os homens que viajarem ao exterior, porém, poderão aderir
ao novo brinquedo e praticar o que os psicólogos chamam de ritual do novo
macho. "Antigamente, a barba era um sinal de virilidade. Hoje, essa simbologia
se transferiu para os aparelhos de barbear avançados", diz o psicoterapeuta
paulista Moacir Costa. "Na imaginação masculina, um rosto bem liso
é uma arma de conquista", ele conclui. |