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Especial Jogo
sujo VEJA revela o maior escândalo já
visto no futebol brasileiro: em conluio com empresários, dois juízes
– um deles árbitro da Fifa – fraudavam resultados de partidas para
lucrar com apostas  André
Rizek e Thaís Oyama Antonio
Milena
 | | O
juiz da Fifa Edilson Pereira de Carvalho: 15 000 reais por jogo "vendido" |
O Gaeco (Grupo
de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado do Ministério
Público de São Paulo) e a Polícia Federal estão a
ponto de desmantelar uma quadrilha montada com o objetivo de manipular resultados
de partidas de futebol do Campeonato Brasileiro e do Paulista. Ela envolve um
grupo de empresários, donos de bingos em São Paulo e Piracicaba
(no interior paulista) e o árbitro Edilson Pereira de Carvalho, um dos
dez juízes brasileiros pertencentes aos quadros da Federação
Internacional de Futebol (Fifa), que reúne a elite da arbitragem mundial.
Com os resultados acertados com o juiz, a quadrilha lucrava em apostas milionárias
em sites de jogatina na internet. É o maior golpe na paixão dos
brasileiros pelo futebol e um escândalo de repercussão internacional.
Gravações telefônicas mostram
que Edilson, em conluio com os empresários, "vendeu" e, em outras oportunidades,
tentou "vender" os resultados de muitas das 25 partidas que apitou desde janeiro
deste ano nos que são alguns dos mais importantes torneios do futebol mundial,
entre eles as copas Libertadores e Sul-Americana. Com base nos resultados combinados
com o juiz, os empresários faziam apostas milionárias em dois sites
de futebol na internet que oferecem loterias eletrônicas. A existência
e o funcionamento desses sites no Brasil são proibidos e as apostas ocorrem
de forma clandestina. O Gaeco já sabe que pelo menos mais um árbitro
Paulo José Danelon, ligado à Federação Paulista
de Futebol e que apitou no Campeonato Paulista fazia parte da quadrilha.
Dois bandeiras, da mesma federação, também estão sendo
investigados sob suspeita de participação no esquema. A quadrilha,
segundo o Gaeco, teria lucrado com as fraudes mais de 1 milhão de reais
nos últimos seis meses. André
Penner
 | | Os
promotores José Reinaldo Guimarães Carneiro (à esq.)
e Roberto Porto: ação conjunta com a PF |
As
investigações sobre a máfia do apito tiveram origem em uma
apuração jornalística iniciada por VEJA em abril deste ano.
Informado sobre o trabalho, o Gaeco obteve autorização judicial
para monitorar as ligações telefônicas da quadrilha com ajuda
da Polícia Federal. Os diálogos, gravados desde agosto deste ano,
revelaram a existência de uma trama destinada a encher os bolsos de um grupo
de apostadores à custa da boa-fé de milhares de torcedores que,
ao adquirir ingressos para um espetáculo esportivo, se tornaram figurantes
involuntários de uma fraude. Nela, a principal autoridade no campo, em
vez de garantir a justeza do resultado e fazer com que o melhor time vença,
dedicava-se a ajeitar o resultado da partida de acordo com seus interesses financeiros
e os da quadrilha. Um juiz pode interferir decisivamente no resultado de um jogo.
Ele pode forjar pênaltis, expulsar jogadores injustamente, validar gols
ilegais e anular gols legítimos. Edilson Pereira de Carvalho e seus asseclas
faziam essas tramóias, maculando a alegria de milhões de brasileiros,
em troca de propinas que variavam entre 10.000 e 15.000 reais por partida.
Os juízes do esquema agiam da seguinte maneira: assim que eram escalados
para um jogo (a escolha se dá por sorteio), comunicavam o fato ao empresário
Nagib Fayad, de Piracicaba. Conhecido piloto de kart na cidade, ele é apontado
pela investigação como um dos cabeças da máfia do
apito. Avisado sobre a escalação do juiz comprado, Fayad ligava
para os seus sócios três donos de casas de bingo de São
Paulo cujos nomes permanecem sob sigilo , a fim de combinar o placar e o
valor da aposta. Em seguida, Fayad registrava o palpite em dois sites de apostas:
o Aebet e o Futbet. Ambos são clandestinos. Como se sabe, a lei brasileira
proíbe jogos de azar. Segundo as investigações,
o Aebet, embora registre sede em Montreal, no Canadá, funciona, na realidade,
no Rio de Janeiro. É aberto a qualquer internauta e recebe apostas para
jogos de futebol ao redor do mundo, com versões em português, inglês
e espanhol. Para apostar nele, basta preencher um cadastro e escolher a forma
de pagamento das apostas: depósito bancário ou cartão de
crédito. Quando o apostador ganha, seu dinheiro é depositado na
conta bancária que ele usou para se registrar. O site aceita palpites também
para corridas de Fórmula 1, lutas de boxe e jogos de basquete no Brasil
e em outros países. O Futbet é um site fechado. Seu domínio
está registrado em nome da empresa BR Ltda, de São Paulo, mas o
Gaeco já sabe que seu verdadeiro proprietário mora em Piracicaba
a mesma cidade de Fayad. Os sites, pelo que se apurou até agora,
não teriam participação no esquema. Antonio
Milena
 | | Acima,
Edilson xinga o zagueiro Sebá (o primeiro à esquerda com o uniforme
do Corinthians). Abaixo, o juiz Danelon apita jogo do Santos, no Paulistão
| Luludi/Lux
 |
O
lucro da máfia do apito variava de acordo com o jogo em questão.
Tanto o site Aebet quanto o Futbet estabelecem o valor do prêmio a ser pago
aos apostadores (via depósito bancário) de acordo com a lógica
das bolsas de aposta convencionais: se um time é considerado favorito em
uma determinada partida, mais pessoas apostarão nele. E o prêmio,
portanto, será menor no caso dos sites usados pelo esquema, em torno
de uma vez e meia o valor bancado pelo apostador. Já por um palpite numa
equipe com menos chances de vitória, o Aebet e o Futbet pagavam até
mais de seis vezes o valor apostado. A tática da quadrilha era apostar
quantias vultosas entre 150.000 e 200.000 reais , na maioria das
vezes em times tidos como favoritos. "Dessa forma, caberia aos árbitros
do esquema apenas garantir que não haveria as chamadas 'zebras'", explica
o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Gaeco. A desfaçatez
da quadrilha era tamanha que, em um dos diálogos gravados pela polícia
(veja
trechos), Edilson garante a Fayad que ele pode "jogar até os carros"
que tem na vitória do Vasco, que enfrentou o Figueirense na 18ª rodada
do Campeonato Brasileiro. "Vê o limite que você pode jogar e mete
ferro, que eu meto ferro dentro de campo", diz Edilson. O árbitro promete
que irá fazer o resultado combinado "nem que tenha de sair do estádio
sob escolta". As escutas telefônicas
mostram que, em algumas partidas, como aquela em que o Figueirense venceu o Juventude
por 4 a 1, no último mês de julho, o juiz Edilson não conseguiu
produzir o resultado combinado com seus cúmplices. Em uma das conversas
captadas pela PF, o árbitro Edilson lembra ao empresário Fayad que
tentou favorecer o Juventude com um pênalti mas "eles erraram". Na partida,
o árbitro marcou um pênalti a favor do Juventude. A bola chutada
pelo atacante Zé Carlos foi defendida pelo goleiro do Figueirense.
As gravações da polícia indicam ainda que a ação
da quadrilha despertou a atenção de pessoas fora do âmbito
da investigação. Pelo menos um dos dois sites usados pela quadrilha,
o Aebet, vinha recusando apostas em jogos apitados pelo juiz Edilson. Duas das
partidas que ele arbitrou na 21ª e na 24ª rodadas do Campeonato Brasileiro
(Internacional x Coritiba e São Paulo x Corinthians) permaneceram fechadas
para apostas no site. Foram os únicos jogos não liberados para palpite
entre as 22 partidas das duas rodadas. A interdição
não passou despercebida pela quadrilha. Em um dos diálogos captados
pela investigação, Fayad diz a Edilson que eles terão de
"dar um jeito", já que, como o grupo apostou "pesado nos últimos
três jogos" apitados pelo juiz, "eles (os proprietários do site)
estão desconfiados". O Gaeco e a PF já sabem que Edilson foi apresentado
à máfia do apito por outro árbitro, Paulo José Danelon,
que já atuava no esquema antes dele. Esse segundo árbitro apita
atualmente na segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Mora em Piracicaba
e era secretário da Faculdade de Odontologia da Unicamp, até ser
demitido no início deste mês por justa causa. Como Edilson e Fayad,
ele poderá ter a prisão decretada ainda nesta semana.
O artigo 275 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva determina
que as partidas cujos resultados sofram alteração em conseqüência
de má-fé do árbitro deverão ser anuladas. Nesse caso,
o Campeonato Brasileiro que vinha registrando aumento de público
e uma das maiores médias de gols de toda a sua história sofreria
uma mudança na sua tabela de classificação. Se as partidas
apitadas por Edilson forem anuladas, conforme determina o Código, o Internacional
perderia a liderança isolada e Vasco e Cruzeiro ficariam mais perto da
zona de rebaixamento para a segunda divisão (veja
quadro). O resultado do Campeonato Paulista, encerrado no último
mês de abril, também teria de ser alterado no que diz respeito à
relação dos times rebaixados à segunda divisão: União
Barbarense, União São João, Atlético Sorocaba e Inter
de Limeira. As revelações sobre as fraudes cometidas pelos árbitros
Edilson e Danelon neste torneio, no entanto, não tirariam o título
do São Paulo. O time venceu o campeonato com uma vantagem de oito pontos
sobre o segundo colocado, o Corinthians. Mesmo a anulação das partidas
apitadas pelos árbitros flagrados vendendo sua honra e seus apitos não
reverteria essa situação. Edilson
sempre gozou de boa reputação como árbitro. Ultimamente,
porém, vinha chamando atenção mais por suas atitudes controversas.
No início do mês, durante uma partida entre Corinthians e São
Paulo, ele foi acusado de ter xingado o zagueiro Sebá e o atacante Tevez,
ambos argentinos, de "gringos de m...". O Corinthians entrou com uma ação
contra ele no Superior Tribunal de Justiça Desportiva. O julgamento será
realizado na semana que vem. Em 2003, o árbitro havia sido acusado de apresentar
à Federação Paulista um falso diploma de conclusão
do 2º grau a instrução mínima exigida para os
juízes brasileiros. O caso morreu. Não chegou sequer a ser investigado
pela Federação. Quarenta e três
anos, casado, pai de uma filha e morador de um condomínio fechado de padrão
classe média em Jacareí (interior de São Paulo), Edilson
é um lateral-esquerdo frustrado. Na juventude, tentou ser jogador de futebol.
Fez testes no São José, mas nunca conseguiu ser contratado. Tornou-se
árbitro em 1991. Em 1994, apitou seu primeiro jogo profissional, no Campeonato
Paulista. Em 1999, indicado pela Confederação Brasileira de Futebol
(CBF), entrou para os quadros da Fifa, conquistando a graduação
máxima para um juiz. Os árbitros da Fifa que, no Brasil,
ganham 2.500 reais por jogo apitado são os únicos aptos a
trabalhar em competições internacionais, como a Copa do Mundo. Edilson
nunca participou de nenhuma, mas arbitrou partidas importantes da Copa Libertadores
(o mais relevante torneio sul-americano de clubes). Ele foi o juiz dos dois jogos
da semifinal de 2000, entre Palmeiras e Corinthians, considerados embates históricos
na história dos dois tradicionais clubes. Fora do campo, Edilson (também)
é comerciante tem uma frota de carros de aluguel e uma pequena fábrica
de brinquedos. Religioso, Edilson costuma cumprir
um ritual antes do início de cada jogo que apita: levanta seus cartões
amarelos e vermelhos personalizados com a inscrição "Deus
é Fiel" e reza no centro do gramado. Agora, não adianta rezar:
ele deverá ser indiciado pelos crimes contra a economia popular, de estelionato
e formação de quadrilha. Afirma Roberto Porto, promotor do Gaeco:
"As vítimas dele e do seu bando são, além dos próprios
sites de aposta, os torcedores que pagaram ingresso no estádio para assistir
a uma enganação". Em janeiro deste
ano, um escândalo semelhante ao da máfia do apito brasileira explodiu
na Alemanha. O árbitro Robert Hoyzer foi preso sob acusação
de manipular cinco resultados de jogos da segunda e terceira divisões e
da Copa da Alemanha, todos em 2004. Investigações do Ministério
Público daquele país concluíram que o juiz foi aliciado por
uma gangue de apostadores supostamente originária da Croácia
e, a exemplo da máfia brasileira, ligada a loterias eletrônicas clandestinas
da Europa. Hoyzer admitiu o crime, foi afastado definitivamente do futebol e agora
responde a um processo que pode lhe render até dez anos de cadeia. Por
determinação da Justiça, o Hamburgo, um dos times eliminados
da Copa da Alemanha por causa da arbitragem fraudulenta de Hoyzer, foi indenizado
pela federação alemã. Outros países, como Finlândia,
Cingapura e Vietnã, também tiveram seu futebol recentemente conturbado
por denúncias de compra de resultados. O aumento da manipulação
das partidas por apostadores de loterias eletrônicas assim como o
da lavagem de dinheiro de clubes por parte de investidores do Leste Europeu
está hoje entre as principais preocupações da Fifa. Em um
Congresso realizado no início do mês, em Zurique, na Suíça,
a entidade criou um grupo de trabalho para estudar meios de combater os dois problemas.
O grupo é presidido pelo brasileiro Ricardo Teixeira, presidente da CBF.
Antonio
Milena
 | | Edilson,
em sua casa, ao lado de imagem do jogo do Vasco, fraudado em troca de propina,
segundo a investigação |
As loterias esportivas eletrônicas existem há pelo menos dez anos
na internet substituíram bolsas de aposta clandestinas como a italiana
Totonero, que, nos anos 80, foi pivô do maior escândalo de corrupção
do futebol mundial (veja boxe). Por meio desse
novo sistema, internautas vietnamitas hoje podem apostar em jogos do Campeonato
Brasileiro, italianos podem dar palpites em partidas de torneios israelenses,
e assim por diante. Atualmente, o principal domicílio das loterias eletrônicas
é a Inglaterra. Lá, a prática é permitida por lei
e virou mania entre a população. VEJA apurou que a quadrilha do
apito se preparava para lucrar em euros apostando no LiveScore, um dos mais famosos
sites ingleses. Pode-se dizer a favor da profissão
de árbitro de futebol que o fato de apenas Edilson Pereira de Carvalho
e Paulo José Danelon terem sido pegos diretamente pela investigação
é uma prova de que os demais são corretos. Sim. Mas a descoberta
da ação da máfia do apito é um duro golpe contra a
credibilidade de toda a arbitragem brasileira. Ela lança uma sombra de
desconfiança sobre os gramados dos estádios nacionais. Em quase
todas as rodadas dos campeonatos, erros graves cometidos por juízes costumam
virar tema de intermináveis discussões nas mesas-redondas de domingo.
Até o momento, no entanto, acreditava-se que isso ocorria apenas por deficiência
técnica dos árbitros. Mas, a partir das revelações
contidas nesta reportagem, os torcedores têm o direito de achar que os erros
podem estar a serviço de uma quadrilha de espertalhões. Um gol legítimo
anulado ou um pênalti escandaloso não marcado podem decidir uma partida
ou um campeonato. Como saber se o espetáculo não foi manipulado
pelo árbitro em troca de dinheiro? Como saber se a alegria de uns torcedores
e as frustrações de outros foram decididas pela qualidade e pelo
empenho dos jogadores em uma disputa leal dentro do campo ou foram apenas
fruto da ganância de meia dúzia de apostadores? Como saber?
Os sites Aebet e Futbet, usados pela máfia do apito, existem desde 2002.
Há quase uma década é também possível fazer
apostas de jogos dos campeonatos brasileiros em sites internacionais, como o LiveScore.
O fato de o Aebet já ter recusado apostas em jogos apitados por Edilson
não indica apenas que seus proprietários já vinham desconfiando
da atuação do juiz: sugere também que eles têm alguma
experiência com esse tipo de fraude. Nada garante, portanto, que não
haja outros Fayads e Edilsons operando há anos no futebol nacional
e fazendo de bobos os torcedores brasileiros. O
único escândalo já registrado no futebol do país que
pode se assemelhar ao agora revelado por VEJA foi o que ficou conhecido como o
da "máfia da loteria esportiva". Em 1982, a revista Placar denunciou
a existência de um esquema envolvendo, além de juízes,
jogadores, dirigentes e jornalistas destinado a manipular os resultados
da loteria esportiva. Vinte pessoas foram indiciadas em inquérito policial
comandado, na ocasião, pelo atual diretor da Polícia Federal,
delegado Paulo Lacerda. No processo que se seguiu ao inquérito, porém,
ninguém foi condenado. No caso da máfia do apito, dada a veemência
das provas colhidas até agora, é provável que o resultado
seja diferente. A revelação de mais um escândalo de corrupção
é salutar no seu efeito depurador. Mas a decepção que ela
representa para os milhões de brasileiros apaixonados pelo esporte
bem como o prejuízo que deverá causar à imagem do futebol
brasileiro no exterior é imensurável. O Brasil do
mensalão, do valerioduto e dos dólares na cueca não
merecia mais essa.
O Caso Totonero
O maior escândalo de corrupção no futebol explodiu em 1980,
na Itália. Conhecido como Caso Totonero, ele chocou o mundo e, claro, os
italianos tão ou mais aficionados do esporte do que os brasileiros.
As investigações concluíram que uma máfia de apostadores
havia aliciado atletas, juízes e dirigentes para fabricar resultados dos
jogos que compunham os cartões da Totonero. Loteria esportiva clandestina,
ela movimentava centenas de milhares de dólares por semana e tinha mais
de 3 000 agentes espalhados pelo país encarregados de recolher os palpites.
O atacante Paolo Rossi, então com 23 anos e tido como o melhor jogador
italiano, foi apontado como um dos participantes do esquema, ao lado de mais 37
denunciados. Ele foi absolvido pela Justiça comum e suspenso por 23 meses
pela Justiça Desportiva italiana. O escândalo
se tornou público graças à revelação de um
bookmaker, chamado Alvaro Trinca, que se sentiu traído por atletas (alguns
acertos de jogos, segundo ele, não estavam sendo respeitados) e contou
tudo à polícia. Num mesmo dia, treze jogadores foram presos em estádios
italianos. Além de Rossi, foram detidos atletas da seleção
como Enrico Albertosi, Bruno Giordano e Giuseppe Savoldi. O envolvimento de dirigentes
e jogadores do Milan e da Lazio fez com que os dois times acabassem rebaixados
para a segunda divisão. Assim como Rossi, a maioria dos jogadores denunciados
passou por um curto período de detenção e sofreu punições
no âmbito da Justiça Desportiva que, em alguns casos, significou
o afastamento definitivo do futebol. O atacante Rossi, depois de cumprir a suspensão,
voltou a jogar às vésperas da Copa do Mundo de 1982. Desacreditado
no torneio, foi o autor dos três gols da Itália que eliminaram o
Brasil de Sócrates e Zico na famosa derrota por 3 a 2, no Estádio
Sarriá. | | |