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Internacional Ameaça
concreta Aquecimento global causa
multiplicação de furacões, como o Rita e o Katrina AFP
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furacão Rita em foto feita por satélite: ventos de 217 quilômetros por hora |
Um
novo furacão no Golfo do México serve como mais uma prova de que
se tornou impossível ignorar os efeitos do aquecimento global, como VEJA
publicou na edição passada. Pela segunda vez em menos de um mês,
um furacão se aproximou da costa sul dos Estados Unidos com ventos de mais
de 250 quilômetros por hora, o que os caracteriza como sendo de categoria
5, a mais potente. Na semana passada, mais de 2,5 milhões de pessoas tiveram
de abandonar suas casas nos estados do Texas e da Louisiana para fugir das áreas
por onde poderia passar o furacão Rita, que se aproximava da costa do Golfo
do México. No fim do mês passado, outro furacão, o Katrina,
já havia deixado mais de 1 000 mortos na região. Estudos recentes
mostram que os furacões estão mais fortes e acontecem com mais freqüência
devido às mudanças climáticas causadas pelo homem, através
da emissão de gases poluentes que impedem a dispersão do calor da
superfície terrestre. Dados da Administração Nacional do
Oceano e Atmosfera, dos Estados Unidos, indicam que, enquanto na década
de 70 ocorriam cinco furacões por ano no Oceano Atlântico, nos últimos
dez anos essa média subiu para 7,8. Em 2005, oito desses ciclones já
se formaram na região, e os meteorologistas prevêem que até
novembro o número pode chegar a onze.
Um
segundo estudo, do meteorologista americano Peter Webster, publicado há
duas semanas na revista Science, uma das mais respeitadas do meio científico,
revela que os ciclones também estão mais poderosos. Webster fez
um levantamento de todas as tempestades tropicais que ocorreram no planeta desde
a década de 70 e concluiu que praticamente dobrou o número de furacões
das categorias 4 e 5 os mais fortes na escala que mede a intensidade desses
fenômenos. A prova de que o aumento da freqüência e da intensidade
dos furacões tem a ver com o aquecimento global foi estabelecida em uma
terceira pesquisa, realizada pelo climatologista americano Kerry Emanuel, do Instituto
de Tecnologia de Massachusetts, e publicada na revista Nature um mês
antes da chegada do Katrina. Para que os furacões se formem é preciso
que em determinada região dos oceanos as águas atinjam 26 graus
até uma profundidade de pelo menos 45 metros. Como nos últimos trinta
anos a temperatura média dos oceanos aumentou 0,5 grau, é natural
que essas condições sejam alcançadas com mais freqüência
e os furacões se tornem mais comuns, já que a evaporação
da água alimenta as tempestades que vão se transformar em ciclones.
Com as águas mais quentes, mais vapor d'água se forma, dando energia
adicional aos furacões. Neste ano, outros dois furacões além
do Rita e do Katrina atingiram a categoria 4. Em julho, o Dennis matou 60 pessoas
em Cuba e no Haiti. Dez dias depois, o Emily provocou enchentes que geraram um
prejuízo de 200 milhões de dólares no México. |