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Diogo
Mainardi
Lulismo e malufismo
"Não dá para entender a
natureza malufista
do lulismo sem analisar o caso de Naji Nahas.
A sua especialidade é facilitar a passagem de
dinheiro do setor público para o setor privado.
E intermediar a passagem de dinheiro
do setor privado para os políticos"
Naji Nahas é a figura mais
extravagante do lulismo. Não dá para entender a natureza
malufista do lulismo sem analisar seu caso. Ao mesmo tempo em que
é investigado pela roubalheira no túnel de Paulo Maluf,
Nahas é investigado pela roubalheira na coleta de lixo de
Marta Suplicy. O lulismo não existiria sem o malufismo. Um
é cria do outro.
Em 1989, Nahas foi acusado de
provocar uma quebradeira no mercado acionário. Inicialmente,
condenaram-no a uma pena de 24 anos e oito meses de prisão.
Depois de muitas idas e vindas, a questão ainda se arrasta
nos tribunais. Em junho deste ano, o STJ considerou que o crime
estava prescrito. Dois meses depois, os juízes voltaram atrás.
Nahas não se abate. Continua a fazer negócios. O capitalismo
brasileiro é parasitário. Depende da boa vontade política.
A especialidade de Nahas é facilitar a passagem de dinheiro
do setor público para o setor privado. E intermediar a passagem
de dinheiro do setor privado para os políticos. Nahas vive
dessa promiscuidade. Um dia alguém precisa escrever um estudo
aprofundado sobre ele. É um dos personagens mais representativos
dos últimos trinta anos da história nacional.
Uma fonte me contou que Nahas
se aproximou de Lula em 2002, doando dinheiro à campanha
presidencial. O dinheiro, segundo minha fonte, pertenceria ao príncipe
Bandar. Deve ser mentira. Há muitos mitos em torno de Nahas.
O fato é que Lula encontrou o príncipe Bandar duas
vezes. O primeiro encontro, em junho de 2003, foi num jantar reservado
na cidade francesa de Evian. O segundo encontro foi em fevereiro
de 2004, quando o príncipe Bandar veio ao Brasil, para estudar
a possibilidade de investir numa refinaria de petróleo, no
Ceará. Nahas articulou os dois encontros. O príncipe
Bandar é o embaixador da Arábia Saudita nos Estados
Unidos. Foi o maior incentivador da guerra no Iraque. Prometeu segurar
o preço do petróleo para garantir a reeleição
de George Bush. Ele representa o contrário de todos os embustes
que o lulismo sempre despejou sobre nós.
A batalha entre as operadoras
de telefone está na origem do mensalão. Para abafar
o caso, Lula precisa pacificar o setor. Nahas é sua melhor
opção. Ele já conseguiu vender à Telecom
Italia a cota de Daniel Dantas na Brasil Telecom. Agora o principal
parceiro de Nahas, Delfim Netto, está intimando o Citibank
a aceitar uma oferta semelhante, abrindo mão de um acordo
altamente vantajoso com os fundos de pensão. Os fundos de
pensão, por sua vez, terão de se contentar com uma
oferta incomparavelmente pior. É o preço que Lula
está disposto a pagar para tentar salvar o que lhe resta
do mandato. Lula acredita que, com muito dinheiro, poderá
calar a boca de todos aqueles que foram achacados pelo governo.
Não vai dar tempo. Ele acaba antes.
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