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Estilo
Feitas para sonhar
Para reforçar
a imagem, e
faturar,
grifes de luxo lançam jóias
que equivalem
à alta-costura: pouquíssimos
podem comprar

Flávia Varella, de Paris
Divulgação
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| Salamandra, dragões e medusa: o inusitado
predomina no Bestiário Fantástico, da Dior |
Há 150 anos produzindo acessórios
de luxo de couro e mais recentemente moda, a grife francesa Louis
Vuitton lançou no início deste mês sua primeira
coleção de jóias. Além das obrigatórias
flores estilizadas do monograma da marca, anéis, brincos,
colares e pulseiras têm espírito jovem e fazem referências
constantes a seu ícone máximo, as bolsas. Assim, quase
todas as peças são arrematadas por tarraxas arredondadas
e miniaturas dos fechos das bolsas e malas, tudo de ouro, diamantes
e pedras preciosas, com detalhes no couro macio e brilhante que
faz sua fama. Com a introdução desses materiais valiosos
em sua bagagem, a Louis Vuitton desembarca num mercado em expansão,
o da alta joalheria um dos principais responsáveis
pelos sinais de retomada dos lucros que a indústria do luxo
apresenta depois de três anos minguados. A entrada no mundo
das jóias explora um veio único: no geral, as grandes
grifes lucram com os produtos menos caros, de lenços a perfumes,
dirigidos a consumidoras que apenas podem admirar de longe os produtos
de alto luxo, como os vestidos de alta-costura. As peças
mais "importantes", como se diz no jargão, visam a um público
tão rarefeito quanto o da alta moda. Para as mortais comuns,
funcionam como um reforço à imagem da marca
e um incentivo ao sonho.
A Louis Vuitton está entrando num segmento
em que outras grifes renomadas, como Christian Dior e Chanel, já
procuram espaço. Elas lançam duas coleções
de jóias por ano, e têm lojas na Praça Vendôme,
em Paris, a meca das joalherias mais chiques do mundo. A italiana
Versace, desde o ano passado, salpica de diamantes alguns de seus
pingentes e anéis para valorizar sua linha de acessórios.
A estréia de grandes marcas no mundo das jóias agita
mais ainda o mercado de diamantes, que vive momentos de ebulição.
A sul-africana De Beers, que durante décadas monopolizou
o comércio de diamantes brutos, vem tendo sua posição
abalada pela ambiciosa Alrosa, do israelense Lev Leviev, num embate
de gigantes. A coleção LV é produto de uma
tentativa da De Beers, que se associou à grife, de entrar
na esfera das pedras lapidadas e montadas.
Divulgação
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| Christina Ricci e sua ametista: a marca é
Louis Vuitton; o preço, só para quem fizer a encomenda |
Num ramo de negócios em que imagem é
tudo, as grifes de alto luxo procuram transportar para suas jóias
toques do estilo que as consolidou no ramo de roupas e acessórios.
A Louis Vuitton fez um anel chamado Mini-Mala, no qual um quartzo
rosa e outro fumê são fixados a duas placas de ouro
branco com tarraxas. Os três aros em que o dedo entra lembram
alças. Tudo pretende refletir o estilo jovem e moderno das
criações de Marc Jacobs, o estilista da marca. "Decidimos
entrar num novo ramo para reforçar nossa imagem de marca
de luxo global e ampliar nosso savoir-faire. Mas todas as
atividades têm de estar ligadas, para conservar a coerência
da grife", disse a VEJA Stephanie Le Badezet, gerente de marketing
da Louis Vuitton.
Já que a idéia é impulsionar
a imagem, as jóias Chanel são calcadas na herança
de mademoiselle em pessoa. Sua coleção mais famosa,
a Bijoux de Diamants, lançada em 1932, foi reeditada em 2002
em peças "reinterpretadas": o famoso colar Cometa, por exemplo,
que dá a volta ao pescoço mas não fecha, caindo
na direção do colo (Hebe Camargo ostenta um idêntico),
ganhou versão mais flexível com uma estrela em cada
ponta e um total de 3.593 diamantes.
A coleção de primavera deste ano é inspirada
em Veneza e faz referência à influência que o
espírito barroco-bizantino da cidade italiana teve sobre
a fundadora da marca. Entre as jóias Chanel de todos os tempos,
destacam-se os quartzos imensos (no anel Cristaux Glacés,
ele tem 30 quilates), a gargantilha Swing, de franjas salpicadas
com 955 diamantes, e um deslumbrante relógio-bracelete de
aros ondulantes que vão até o meio do braço,
encimados por um diamante rosa.
As jóias da Christian Dior, criadas
pela designer Victoire de Castellane, também recorrem aos
famosos arquivos, onde está a memória das marcas mais
legendárias. As peças são inspiradas nos laços,
espartilhos, plumas e frufrus das saias produzidas pelo estilista.
A cada coleção, porém, a criadora ameniza a
tradição e enfatiza o inusitado. "Costumo dizer que
o luxo aceita todos os caprichos da imaginação. Por
isso, exagero, ouso. Meu estilo não é o mesmo de John
Galliano, que faz as roupas Dior. Mas acho que nós dois temos
um ponto em comum: a extravagância", disse Victoire a VEJA.
Algumas jóias da linha Bestiário Fantástico
deste ano, composta de medusas, quimeras, dragões e salamandras,
demoram um ano e meio para ser feitas peças únicas
cujos preços começam em 150.000
euros (cerca de 555.000 reais). Na Louis
Vuitton, a tabela é, por assim dizer, mais modesta: há
brincos a 500 euros (1.850 reais), embora
o anelão de ametista usado pela atriz Christina Ricci na
propaganda da marca nem tenha etiqueta de preço. Só
é feito "sob encomenda".
Fotos divulgação
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ação
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| Gargantilha de franja, anelão
e o fantástico relógio-bracelete da Chanel: inspiração
nas peças de mademoiselle |
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