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Olimpíadas
A hora do cheque
As semanas que antecedem os Jogos são
as melhores para os atletas engordarem
a conta bancária

André Fontenelle
Divulgação Federação
Internacional de Vôlei
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| Bernardinho e o prêmio equivalente a
1,6 milhão de reais: a maior parte do dinheiro fica com
os atletas e a comissão técnica |
Nas
próximas semanas, muitos dos 245 rostos da delegação
brasileira enviada aos Jogos Olímpicos de Atenas se tornarão
bastante familiares. Não necessariamente pelas medalhas que
vão conquistar, mas pelas campanhas publicitárias
que estrelam. O negócio interessa às duas partes:
as empresas associam sua imagem aos bem-sucedidos atletas que durante
dezessete dias serão campeões de audiência.
E estes aproveitam a ocasião para faturar mais. É
o caso, por exemplo, da ginasta Daiane dos Santos, que tem contrato
desde 2002 com uma empresa de telefonia. O valor que recebe mensalmente
aumenta à medida que seus resultados progridem, mas neste
ano deu um salto olímpico: estima-se que tenha passado de
15.000 para 60.000
reais. Nada mau para quem antes tinha o patrocínio de uma
pizzaria de Porto Alegre.
Anuncia-se de tudo, de leite a refrigerantes,
passando por calçados e bingos. O nadador Fernando Scherer
associou sua imagem à carne de gado nelore. "Experimentei
a carne e não tinha por que não aceitar o contrato",
ele conta. Treinadores, como Bernardinho, também aproveitam
a onda. O técnico da seleção masculina de voleibol
já apareceu neste ano em comerciais de calçados esportivos
e de uma bebida à base de soja.
Além da publicidade, os prêmios
engordam o faturamento pré-olímpico. A vitória
na Liga Mundial de Vôlei, um treinamento para os Jogos de
Atenas, rendeu ao time de Bernardinho um cheque de 1,6 milhão
de reais. A maior parte desse valor será dividida entre os
jogadores e a comissão técnica. Os bons resultados
dos últimos meses valeram a Jadel Gregório, candidato
a uma medalha no salto triplo, uma barra de ouro de meio quilo (equivalente
a 19.000 reais), presente de seu patrocinador,
a Bolsa de Mercadorias e Futuros de São Paulo. Há
mais de uma década a entidade patrocina o atletismo e, a
cada olimpíada, premia os medalhistas olímpicos brasileiros
com barras de ouro. "Escolhemos o atletismo porque reúne
atletas com menor poder aquisitivo", afirma o presidente do conselho
de administração da entidade, Manoel Felix Cintra
Neto. Segundo ele, no último ano foram gastos cerca de 4,5
milhões de reais no esporte.
Apoios de longo prazo, como o do Banespa,
há vinte anos no vôlei (2,8 milhões de reais
anuais), são exceção. A maior parte dos contratos
de patrocínio assinados pelos atletas olímpicos vale
por poucos meses, antes e depois dos Jogos. Às vésperas
das Olimpíadas, representantes das empresas caçam
garotos-propaganda nas pistas, quadras e piscinas, levando contratos
já redigidos para oferecer a quem se qualifica para os Jogos.
Em junho, no campeonato brasileiro de atletismo, houve quem assinasse
patrocínios de 1.500 reais mensais.
É pouco para um atleta de alto nível, mas bem mais
do que em Olimpíadas passadas, quando os atletas ainda não
podiam se declarar profissionais. "No meu tempo pagava-se muito
pouco", diz Joaquim Cruz, campeão olímpico dos 800
metros em 1984.
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