Edição 1864 . 28 de julho de 2004

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Tecnologia
Para ouvidos muito exigentes

Os equipamentos de som que podem
custar mais caro que uma Ferrari


Gustavo Poloni

Quem examina os equipamentos de som numa loja de eletrodomésticos e se impressiona com o design arrojado, a quantidade de botões e as luzes que piscam imagina estar diante do que há de mais sofisticado no mundo da reprodução sonora. Esses aparelhos, sem dúvida, tiveram uma notável evolução tecnológica nas últimas duas décadas. Para a maioria dos ouvintes, eles são suficientes para garantir o prazer da boa música. Há uma outra família de equipamentos de som, no entanto, que quase os relega à pré-história de sua espécie. São os chamados sistemas high end, exclusividade de uma confraria de ouvintes devotados ao som de altíssima pureza e com alentada conta bancária. Os aparelhos high end em geral são produzidos artesanalmente, transformam a audição de um CD numa experiência única e custam muito, muito caro. Alguns tweeters são dotados de diamantes para se extrair o máximo dos agudos. Há cabos que contêm ouro e prata. Um par de caixas acústicas fabricadas pela empresa americana Wilson Audio alcança 200.000 dólares. Junte-se a ele um CD-player da alemã Burmester, ao preço de 58.000 dólares, um pré-amplificador da canadense Bryston, de 4 200 dólares, e um amplificador da dinamarquesa GamuT, de 160.000 dólares, e tem-se um sistema de som do mesmo preço de uma Ferrari Challenge Stradale, um dos modelos mais sofisticados da montadora italiana.

Ouvir música nos equipamentos high end é como transportar uma orquestra ou um cantor para a própria sala de casa. "É possível até identificar a posição de cada integrante de um conjunto de jazz na hora da gravação e perceber quando o vocalista vira a cabeça enquanto está cantando", observa o consultor de áudio Wram Accorsi, especializado em montar sistemas high end no Brasil. Além disso, não há nenhuma deformação no som emitido pelos instrumentos. Os amplificadores não possuem botões de controle de graves e agudos, necessários nos aparelhos comuns para reparar distorções com relação ao que foi gravado originalmente. A sensação geral é que a música nem sequer está sendo reproduzida por caixas acústicas, mas executada ao vivo.

Calcula-se que, no Brasil, existam cerca de 20.000 audiófilos munidos de sistemas high end. Os aparelhos podem ser comprados em lojas de equipamentos sofisticados que atuam como representantes dos fabricantes europeus e americanos. "Gosto muito de música clássica e hoje, quando a ouço em outro aparelho, chega a me doer o ouvido", diz o engenheiro eletrônico Carlos Adonai, que mora em Campinas, no interior de São Paulo, e tem uma sala recheada de aparelhos high end. Para tirar o melhor proveito desses equipamentos são necessárias algumas precauções. Primeiro, o CD ou LP a ser reproduzido precisa ter sido bem gravado – caso contrário, os defeitos sobressaem também de forma exponencial. Segundo, após a instalação do sistema é importante encontrar na sala o que os americanos chamam de sweet spot (ponto doce). É ali que se podem usufruir todas as nuances sonoras. Às vezes é preciso também fazer adaptações na rede elétrica para filtrar ruídos (os mesmos que provocam "chuviscos" em televisores). Cumpridas essas exigências, a recompensa é descobrir um novo mundo dentro da música.

 
Fotos divulgação

 

 

 

 
 
 
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