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Tecnologia
Para ouvidos muito exigentes
Os equipamentos de som que podem
custar mais caro que uma Ferrari

Gustavo Poloni
Quem examina os equipamentos de som numa loja
de eletrodomésticos e se impressiona com o design arrojado,
a quantidade de botões e as luzes que piscam imagina estar
diante do que há de mais sofisticado no mundo da reprodução
sonora. Esses aparelhos, sem dúvida, tiveram uma notável
evolução tecnológica nas últimas duas
décadas. Para a maioria dos ouvintes, eles são suficientes
para garantir o prazer da boa música. Há uma outra
família de equipamentos de som, no entanto, que quase os
relega à pré-história de sua espécie.
São os chamados sistemas high end, exclusividade de uma confraria
de ouvintes devotados ao som de altíssima pureza e com alentada
conta bancária. Os aparelhos high end em geral são
produzidos artesanalmente, transformam a audição de
um CD numa experiência única e custam muito, muito
caro. Alguns tweeters são dotados de diamantes para se extrair
o máximo dos agudos. Há cabos que contêm ouro
e prata. Um par de caixas acústicas fabricadas pela empresa
americana Wilson Audio alcança 200.000
dólares. Junte-se a ele um CD-player da alemã Burmester,
ao preço de 58.000 dólares,
um pré-amplificador da canadense Bryston, de 4 200 dólares,
e um amplificador da dinamarquesa GamuT, de 160.000
dólares, e tem-se um sistema de som do mesmo preço
de uma Ferrari Challenge Stradale, um dos modelos mais sofisticados
da montadora italiana.
Ouvir música nos equipamentos high
end é como transportar uma orquestra ou um cantor para a
própria sala de casa. "É possível até
identificar a posição de cada integrante de um conjunto
de jazz na hora da gravação e perceber quando o vocalista
vira a cabeça enquanto está cantando", observa o consultor
de áudio Wram Accorsi, especializado em montar sistemas high
end no Brasil. Além disso, não há nenhuma deformação
no som emitido pelos instrumentos. Os amplificadores não
possuem botões de controle de graves e agudos, necessários
nos aparelhos comuns para reparar distorções com relação
ao que foi gravado originalmente. A sensação geral
é que a música nem sequer está sendo reproduzida
por caixas acústicas, mas executada ao vivo.
Calcula-se que, no Brasil, existam cerca de
20.000 audiófilos munidos de sistemas
high end. Os aparelhos podem ser comprados em lojas de equipamentos
sofisticados que atuam como representantes dos fabricantes europeus
e americanos. "Gosto muito de música clássica e hoje,
quando a ouço em outro aparelho, chega a me doer o ouvido",
diz o engenheiro eletrônico Carlos Adonai, que mora em Campinas,
no interior de São Paulo, e tem uma sala recheada de aparelhos
high end. Para tirar o melhor proveito desses equipamentos são
necessárias algumas precauções. Primeiro, o
CD ou LP a ser reproduzido precisa ter sido bem gravado caso
contrário, os defeitos sobressaem também de forma
exponencial. Segundo, após a instalação do
sistema é importante encontrar na sala o que os americanos
chamam de sweet spot (ponto doce). É ali que se podem usufruir
todas as nuances sonoras. Às vezes é preciso também
fazer adaptações na rede elétrica para filtrar
ruídos (os mesmos que provocam "chuviscos" em televisores).
Cumpridas essas exigências, a recompensa é descobrir
um novo mundo dentro da música.
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