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Comportamento
O macho cruel
Os homens seriam naturalmente
mais propensos à perversidade do
que as mulheres. Culpa dos genes

Monica Weinberg
J. Gomes/Rondoniagora/AE
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| Barbárie em presídio de Rondônia:
a brutalidade de origem genética estimulada pelo meio
social |
Com uma regularidade muito além do tolerável,
o noticiário mostra presos rebelados torturando inimigos
e matando-os com requintes de perversidade. Também é
relativamente comum virem à tona histórias macabras
de serial killers, como a do maranhense que matou e retalhou 41
crianças. Para além das explicações
sociológicas e daquelas de caráter estritamente individual
(psicológicas por excelência), os estudiosos procuram
saber se haveria um motivo mais recôndito e geral
para os crimes que envolvem crueldade. Se cometer um delito significa
freqüentemente fazer uso de força bruta, praticar um
ato cruel é diferente: envolve prazer em fazer o mal.
No
passado, esse prazer, mais disseminado e livre, serviu para erigir
impérios dentro do que seria o território da legalidade.
Mutilar e esquartejar os inimigos e estuprar as suas mulheres era
uma forma corriqueira e aceita de exibir a força dos vencedores.
O processo civilizatório ajudou a conter a crueldade, limitando-a
no mais das vezes ao terreno da criminalidade pura e simples, mas
foi incapaz de eliminá-la. Por quê? O que leva, afinal,
alguém a infligir dor e tormento a suas vítimas? E
por que, na esmagadora maioria dos casos, esses delinqüentes
são homens? A explicação pode estar na genética.
Coordenado pela psiquiatra americana Helen Morrison, um grupo de
cientistas que estudou por dez anos o corpo e a mente dos serial
killers encontrou evidências de que, ainda no útero,
eles teriam sofrido uma mutação no cromossomo Y. Essa
transformação ficaria praticamente invisível
até a adolescência, quando, precipitada pela ebulição
hormonal, passaria a determinar um padrão de comportamento
de extrema brutalidade e ausência de julgamento moral. O fato
de a mutação ocorrer unicamente no cromossomo Y, definidor
da masculinidade, explicaria, entre outras coisas, por que a história
não registra a existência de uma única mulher
serial killer.
É claro que, como ocorre na maior parte
dos distúrbios mentais causados pela genética, o meio
tem um papel fundamental na construção da brutalidade
extrema e perversa. Estudo realizado na Universidade da Califórnia,
em Santa Barbara, mostrou que crianças perfeitamente saudáveis
podem desenvolver uma agressividade desmedida como resultado da
experiência de ter crescido em um lar violento. "O surgimento
da crueldade é, muitas vezes, resultado de uma tentativa
desesperada de sobreviver às adversidades", diz a pesquisadora
Leda Cosmides, uma das autoras do trabalho. Outro estudo, feito
na favela carioca Cidade de Deus, revelou que, para muitos homens,
ser cruel é sinônimo de "virilidade", "força",
"poder" e "status". "Demonstrações de frieza e exibição
da força física são atitudes que valorizam
o indivíduo no grupo", diz a antropóloga Alba Zaluar,
do Núcleo de Pesquisa das Violências na Universidade
Estadual do Rio de Janeiro, que coordenou o estudo. "Para alguns,
a prática de atos cruéis é a única forma
de se impor como homem", afirma. Impor-se como homem por meio da
perda de humanidade eis um paradoxo trágico, ainda
mais pela possibilidade de estar inscrito também nos genes.
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