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Internet
terror.com
Grupos terroristas usam largamente a rede
para recrutar assassinos, ensinar a fabricar
bombas e planejar atentados

Gabriela Carelli
Photodisc
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| Site do palestino Hamas: em sete anos, o número
de páginas de extremistas saltou de doze para 4 000 |
Era inevitável acontecer: o terrorismo
adotou em larga escala a internet. Organizações do
Oriente Médio e alguns grupos da Europa, da América
Latina e da Ásia transformaram a rede mundial num
dos mecanismos mais eficientes para disseminar suas ideologias,
recrutar e treinar militantes. Mais do que isso: a web tornou-se
um importante canal para trocar informações sobre
alvos potenciais e ensinar estratégias para furar esquemas
de segurança. Os ativistas do Hamas, por exemplo, utilizam-se
de salas de bate-papo para planejar e coordenar operações
em Gaza, na Cisjordânia, no Líbano e em Israel. Também
ensinam a fabricar e a usar explosivos. Sabe-se hoje que, para planejar
e coordenar os ataques de 11 de setembro a Nova York e a Washington,
a rede Al Qaeda lançou mão de e-mails codificados.
Oficiais americanos localizaram milhares de mensagens citando o
ataque numa área protegida por senha de um dos sites da organização.
Hoje, a Al Qaeda oferece manuais de treinamento on-line aos interessados
em aderir à sua causa. No ano passado, o SITE Institute,
grupo de Washington especializado em rastrear sites terroristas,
descobriu que um dos cinqüenta endereços da rede de
Osama bin Laden recruta candidatos para lutar contra os americanos
no Iraque. Eles recebem senhas para acessar softwares contendo orientações
nesse sentido.
Reuters
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| Carro incendiado no Líbano: os fanáticos
agora costumam usar e-mails para coordenar ataques |
A evidência mais recente da expansão do terror no mundo
virtual encontra-se num estudo feito pela Universidade de Haifa,
em Israel. Os pesquisadores identificaram 4.000
endereços de grupos terroristas, contra apenas doze encontrados
no primeiro rastreamento, há sete anos. "O crescimento se
dá em progressão geométrica", disse a VEJA
o coordenador do estudo, Gabriel Weimann, uma das maiores autoridades
em terrorismo on-line. "Em 1998, metade das trinta maiores organizações
estava na internet. Hoje, todos os grupos conhecidos, sem exceção,
participam dela, seja por meio de sites oficiais, salas de bate-papo
ou endereços criados por simpatizantes", ele diz.
Os sites classificados como "oficiais"
contendo a história do grupo, de seus líderes, farto
material de propaganda e até lojinhas virtuais de camisetas
e DVDs costumam ficar muito tempo nos mesmos endereços.
É o caso daqueles mantidos pela organização
separatista basca ETA e pelas Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia (Farc). Já as versões com conteúdo
mais agressivo, comuns entre os extremistas islâmicos, têm
seus endereços alterados com muita freqüência,
para despistar governos e entidades especializadas em rastreá-los.
"Os que ensinam como construir e utilizar bombas, têm campos
de treinamento virtuais ou recrutam pessoas duram apenas alguns
dias no mesmo endereço eletrônico", diz Weimann.
É o caso do Hezbollah. Um dos sites
do grupo libanês, que circula pela rede desde fevereiro do
ano passado, já teve mais de vinte registros diferentes.
O motivo da precaução é que a página
permite fazer o download do videogame Special Force, uma
simulação de um ataque a forças israelenses.
"É um jogo muito rastreado, pois incita o ódio aos
judeus e foi criado especialmente para seduzir crianças e
jovens", disse Brian Jenkins, especialista em terror do Centro de
Estudos Rand Corporation, com sede em Washington. O objetivo do
jogo, que começa com a explosão de um tanque de Israel
seguida de imagens de bandeiras daquele país em chamas, é
liquidar o maior número de israelenses possível e
matar o primeiro-ministro Ariel Sharon. Quem atinge a testa de Sharon
com um tiro obtém a pontuação máxima.
A recompensa é a frase: "A vitória vem por meio de
ninguém senão Alá". O Special Force
pode ser jogado em rede, com a participação simultânea
de pessoas de diversos países. Além de ser uma excelente
forma de comunicação entre os membros de uma mesma
organização terrorista, a web promove a interação
entre facções diferentes. Grupos menores, localizados
em países como a Indonésia, a Malásia e as
Filipinas, recebem cartilhas de organizações mais
graúdas para montar núcleos locais.
A maioria dos sites é desenvolvida
e mantida por meio de doações dos visitantes. O grupo
extremista egípcio Hizb ut-Tahrir usava uma rede interligada
de sites com base na Europa e na África para pedir dinheiro
as informações bancárias mudavam constantemente
para despistar as autoridades, que mesmo assim conseguiram estourar
o esquema. Os separatistas da Chechênia, na Rússia,
também fornecem o número de contas bancárias
a seus simpatizantes. Descobriu-se que uma dessas contas era de
uma agência de Sacramento, na Califórnia. Globalização
também é isso aí.

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| Imagens de sites de organizações
terroristas: muitos, além de recrutar simpatizantes,
pedem doações em dinheiro. E todos, claro, promovem
o ódio |
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