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Aviação
Mais gente nas alturas
O sucesso das companhias de baixas
tarifas é tanto que elas já contam com
aviões adaptados para carregar um
maior número de passageiros

Ariel Kostman
Em todo o mundo, quem viaja de avião
escolhendo as passagens mais baratas já descobriu as maravilhas
das companhias aéreas de baixas tarifas (em inglês,
"low fare airlines"). Nelas, compram-se bilhetes em média
30% mais em conta do que nas companhias tradicionais. Em alguns
casos, quando a reserva é feita com bastante antecedência,
esse desconto pode chegar a até 90%. Com relação
aos vôos convencionais, o espaço entre as poltronas
é um pouco menor (sim, isso é possível) e o
serviço de bordo é mais frugal. Não são
servidos refeições nem drinques no máximo
um salgadinho com refrigerante, e olhe lá. Algumas até
cobram por esses itens quando o passageiro os solicita. Com esse
perfil, as companhias low fare se tornaram um tremendo sucesso e
hoje respondem por 27% das passagens aéreas vendidas nos
Estados Unidos e 11% na Europa. No Brasil, a única empresa
aérea do gênero, a Gol, criada há pouco mais
de três anos, já detém 22% do mercado nacional.
O triunfo das low fare fez com que os grandes
fabricantes de aviões começassem a adaptar seus aparelhos
às necessidades dessas companhias. Na última feira
de aviação de Hamburgo, a Airbus apresentou uma versão
modificada do modelo A319. A eliminação de um dos
três banheiros e de metade de uma cozinha resultou em mais
dezesseis lugares. A maior novidade do modelo, no entanto, são
as poltronas que ficam junto ao corredor. Seus assentos são
dobráveis, como aqueles das salas de cinema, o que traz duas
vantagens. Primeiro, permitem que os passageiros acessem com maior
conforto os compartimentos de bagagens de mão. Segundo
e mais importante , eles facilitam a circulação
dos passageiros que ficam nas poltronas do meio e junto às
janelas, agilizando o desembarque da aeronave. Um dos segredos da
lucratividade das companhias low fare é a redução
do tempo em que os aviões permanecem em terra. Desembarques
mais rápidos significam escalas mais curtas, mais tempo no
ar e, conseqüentemente, mais vôos realizados pelo mesmo
aparelho. Na ponta do lápis, segundo a Airbus, a nova poltrona
proporciona uma economia de três a cinco minutos no tempo
de desembarque. A cada dez escalas, portanto, o avião ganha
de trinta a cinqüenta minutos de vôo, tempo suficiente
para percorrer a distância, por exemplo, entre São
Paulo e Rio de Janeiro.
As empresas low fare usam vários outros
procedimentos para diminuir seus custos e, dessa forma, oferecer
passagens mais baratas. Depois de um vôo, a limpeza da aeronave
é feita pela própria tripulação, que,
antes do pouso, pelo microfone, pede aos passageiros que colaborem
com a tarefa depositando o lixo em sacolas. As companhias usam sempre
aviões novos e, portanto, com custos de manutenção
mais baixos. A maioria dos bilhetes é reservada e vendida
pela internet, o que reduz o quadro de funcionários nos balcões
e dispensa o pagamento de comissões a agentes de viagem.
Outra diferença importante é que a manutenção
das aeronaves é realizada em etapas, sempre nos períodos
noturnos, quando há poucos vôos, e em épocas
de pouca demanda. Com isso, os aviões da Gol, por exemplo,
operam durante os doze meses do ano nas grandes companhias
aéreas, eles voam durante onze meses e param um para a manutenção.
Nesse cenário, as companhias aéreas tradicionais sentem
os efeitos da concorrência e acenam com promoções
para tentar manter suas fatias de mercado. Mas não tem sido
fácil. "Num futuro próximo, a tendência é
que existam menos companhias grandes, com custos drasticamente reduzidos,
e mais empresas do tipo low fare", diz Philip Baggaley, analista
especializado em aviação da consultoria americana
Standard & Poor's.
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