Edição 1864 . 28 de julho de 2004

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Aviação
Mais gente nas alturas

O sucesso das companhias de baixas
tarifas é tanto que elas já contam com
aviões adaptados para carregar um
maior número de passageiros


Ariel Kostman

NESTA REPORTAGEM
Quadro: O que muda nos aviões

Em todo o mundo, quem viaja de avião escolhendo as passagens mais baratas já descobriu as maravilhas das companhias aéreas de baixas tarifas (em inglês, "low fare airlines"). Nelas, compram-se bilhetes em média 30% mais em conta do que nas companhias tradicionais. Em alguns casos, quando a reserva é feita com bastante antecedência, esse desconto pode chegar a até 90%. Com relação aos vôos convencionais, o espaço entre as poltronas é um pouco menor (sim, isso é possível) e o serviço de bordo é mais frugal. Não são servidos refeições nem drinques – no máximo um salgadinho com refrigerante, e olhe lá. Algumas até cobram por esses itens quando o passageiro os solicita. Com esse perfil, as companhias low fare se tornaram um tremendo sucesso e hoje respondem por 27% das passagens aéreas vendidas nos Estados Unidos e 11% na Europa. No Brasil, a única empresa aérea do gênero, a Gol, criada há pouco mais de três anos, já detém 22% do mercado nacional.

O triunfo das low fare fez com que os grandes fabricantes de aviões começassem a adaptar seus aparelhos às necessidades dessas companhias. Na última feira de aviação de Hamburgo, a Airbus apresentou uma versão modificada do modelo A319. A eliminação de um dos três banheiros e de metade de uma cozinha resultou em mais dezesseis lugares. A maior novidade do modelo, no entanto, são as poltronas que ficam junto ao corredor. Seus assentos são dobráveis, como aqueles das salas de cinema, o que traz duas vantagens. Primeiro, permitem que os passageiros acessem com maior conforto os compartimentos de bagagens de mão. Segundo – e mais importante –, eles facilitam a circulação dos passageiros que ficam nas poltronas do meio e junto às janelas, agilizando o desembarque da aeronave. Um dos segredos da lucratividade das companhias low fare é a redução do tempo em que os aviões permanecem em terra. Desembarques mais rápidos significam escalas mais curtas, mais tempo no ar e, conseqüentemente, mais vôos realizados pelo mesmo aparelho. Na ponta do lápis, segundo a Airbus, a nova poltrona proporciona uma economia de três a cinco minutos no tempo de desembarque. A cada dez escalas, portanto, o avião ganha de trinta a cinqüenta minutos de vôo, tempo suficiente para percorrer a distância, por exemplo, entre São Paulo e Rio de Janeiro.

As empresas low fare usam vários outros procedimentos para diminuir seus custos e, dessa forma, oferecer passagens mais baratas. Depois de um vôo, a limpeza da aeronave é feita pela própria tripulação, que, antes do pouso, pelo microfone, pede aos passageiros que colaborem com a tarefa depositando o lixo em sacolas. As companhias usam sempre aviões novos e, portanto, com custos de manutenção mais baixos. A maioria dos bilhetes é reservada e vendida pela internet, o que reduz o quadro de funcionários nos balcões e dispensa o pagamento de comissões a agentes de viagem. Outra diferença importante é que a manutenção das aeronaves é realizada em etapas, sempre nos períodos noturnos, quando há poucos vôos, e em épocas de pouca demanda. Com isso, os aviões da Gol, por exemplo, operam durante os doze meses do ano – nas grandes companhias aéreas, eles voam durante onze meses e param um para a manutenção. Nesse cenário, as companhias aéreas tradicionais sentem os efeitos da concorrência e acenam com promoções para tentar manter suas fatias de mercado. Mas não tem sido fácil. "Num futuro próximo, a tendência é que existam menos companhias grandes, com custos drasticamente reduzidos, e mais empresas do tipo low fare", diz Philip Baggaley, analista especializado em aviação da consultoria americana Standard & Poor's.

 
 
 
 
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