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Eleições
Marta e seus dois maridos
Enquanto o bom de voto Eduardo Suplicy
esnoba a campanha da ex-mulher, Luis
Favre, o atual da prefeita, é apontado por
caciques do PT como fator de rejeição à
candidata

Cynara Menezes e Otávio Cabral
Claudio Rossi
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Dida Sampaio/AE
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| Luis Favre: para ele, rejeição a Marta é
culpa "da situação em que a cidade se encontrava
e da oposição da mídia" |
Suplicy: senador diz que quer ajudar a ex-mulher, mas só
se sobrar tempo na agenda |
Entre os muitos problemas que uma candidata
é obrigada a enfrentar na largada de uma campanha eleitoral,
a prefeita Marta Suplicy vem deparando com dois com os quais não
contava: seu marido e seu ex. O atual, Luis Favre, por ela nomeado
coordenador da campanha para a reeleição à
prefeitura de São Paulo, em menos de um mês tornou-se
o pivô de uma rede de intrigas que já resultou na formação
de uma ala que defende seu afastamento. Já o senador Eduardo
Suplicy seria, para Marta, antes uma solução que um
problema. Tradicional campeão de votos, o petista é
um cabo eleitoral e tanto. A questão é que se recusa
a entrar de corpo e alma na campanha da ex-mulher, como gostariam
a prefeita e seu marqueteiro, Duda Mendonça. Na quarta-feira
passada, Duda encontrou-se com ele para pedir-lhe que gravasse um
depoimento "pessoal", contando como foi a experiência de ser
casado com Marta. O filme, que deverá ser levado ao ar no
horário gratuito de TV, incluirá a participação
dos filhos do casal, além do motorista e de empregados da
casa que ela e o petista dividiram até 2001. Suplicy aceitou
gravá-lo e comprometeu-se a comparecer a comícios
da ex-mulher. Deixou claro, no entanto, que seu engajamento na campanha
não será uma prioridade. Diariamente, o comitê
de Marta envia ao senador a relação de compromissos
da candidata para que "verifique a disponibilidade de comparecer".
Até agora, ele achou tempo para dar o ar da graça
em apenas um desses eventos: a homologação da candidatura
da petista, há três semanas. Desde então, encontrou-se
apenas casualmente com ela em lançamentos de candidaturas
de vereadores. "Tenho muitos chamados a tantos outros lugares. Vou
tentar compatibilizar os eventos da Marta com esses inúmeros
chamados", diz.
Tanto o filme que Duda prepara quanto as solicitações
para que o senador enfeite o palanque da ex-mulher têm o mesmo
objetivo: diminuir os altos índices de rejeição
à petista, tida como "arrogante" por parte do eleitorado.
E é nesse ponto da discussão que entra o atual marido
da prefeita. Na quarta-feira passada, reunidos em um almoço
em Brasília, cinco ministros petistas Antonio Palocci,
Luiz Gushiken, Jaques Wagner, Luiz Dulci e José Dirceu
discutiram a preocupação com a eleição
paulistana. Embora Duda Mendonça afirme estar "100% seguro
de que Marta já está no segundo turno", o alto escalão
do partido, presidente Lula incluído, não está
tranqüilo quanto ao que pode acontecer a partir daí.
Pesquisas internas apontam que o índice de rejeição
da prefeita continua intacto. Sobre esse ponto, os ministros comentaram
que a relação da candidata com Favre em nada melhora
sua performance. "Ela já tem uma imagem coquete, e o marido
só ajuda a reforçá-la", diz um deles.
Renata Ursaia
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Sergio Lima/Folha Imagem
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| Suplicy e Mônica Dallari,
a namorada: Lula (à dir.) quis que ele assumisse
o romance para melhorar a imagem da prefeita |
Empregado de Duda em sua empresa de marketing,
o franco-argentino (ou francês de origem argentina, como prefere)
é tido como um homem "pouco humilde", "difícil" e
"autoritário". O próprio Duda já disse a amigos
que não suportará intervenções de sua
parte na área de marketing justamente aquela na qual
Favre se considera entendido. Um dirigente petista de São
Paulo diz que o afastamento de Favre da coordenação
seria bom para a campanha. "Além de não contribuir
para a popularidade da Marta, o fato de ser seu marido e, ao mesmo
tempo, coordenador da campanha confere a ele um poder inédito
e constrangedor para os outros membros do comitê", comenta.
"É como se a Marisa tivesse chefiado a campanha do Lula.
Quem é que ficaria à vontade para contrariá-la?"
O mesmo dirigente critica a insistência de Favre em expor-se
na mídia. "A própria Marta é contra o fato
de Favre dar entrevistas, mas ele não resiste a aparecer."
Para piorar o quadro, o jornal Folha de S.Paulo publicou
na semana passada uma reportagem que fala sobre uma suposta ligação
de Favre com o megainvestidor Naji Nahas, ao lado de quem ele teria
tentado obter, na prefeitura paulistana, um contrato de coleta de
lixo para a empresa Vega Engenharia Ambiental. Favre declarou que
não conhece o investidor e que pretende processar o jornal.
Ele não admite, evidentemente, que
seja um empecilho para a vitória de Marta: "As razões
da rejeição são a situação financeira
em que a cidade estava, o desgaste natural pelo qual todo governante
passa e a oposição sistemática da mídia",
diz. Favre tem obsessão por notícias de jornais que
dizem respeito a ele ou a sua mulher. Diária e sistematicamente,
ele as lê e questiona para exasperação
da equipe de Duda, defensora da tese de que notícias impressas
não são lidas pelas classes C e D, "as que definem
uma eleição", como o marqueteiro gosta de repetir.
Favre também é vaidoso. Costuma freqüentar salões
de cabeleireiro para domar o ondulado dos cabelos à força
de secador e, em algumas ocasiões, irrita companheiros por
agir "como uma autoridade". Um exemplo desse comportamento ocorreu
no mês passado, num evento em São Paulo que contou
com a presença do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Como
Marta estava atrasada, o locutor interrompeu a cerimônia para
anunciar sua chegada. Minutos depois, suspendeu-a novamente, desta
vez para comunicar a presença no local do "marido da prefeita".
Constrangimento geral.
Na vida privada, Marta e Favre continuam em
lua-de-mel. Nos fins de semana, costumam freqüentar a Vila
Toscana, propriedade do empresário Ivo Rosset, em Campos
do Jordão. Rosset, cuja mulher, a psicanalista Eleonora Mendes
Caldeira, é amiga de infância de Marta, é dono
de uma das maiores adegas de São Paulo. Para homenagear os
convidados, ele, não raro, abre preciosidades como o borgonha
Montrachet, produzido pela Romanée-Conti e considerado um
"stradivarius" dos vinhos brancos uma garrafa não
sai por menos de 1.700 dólares.
Os amigos de Rosset, Favre incluído, são geralmente
de origem judaica e gostam de divertir-se contando piadas em iídiche
que as mulheres não entendem. Nessas ocasiões, a prefeita
brinca dizendo que é só uma "gói" (não-judia).
A noite quase sempre termina com os convidados sentados ao redor
da lareira, enquanto o primeiro-casal paulistano dança de
rosto colado.
O presidente Lula está fazendo o que
pode para ajudar na campanha da prefeita. Decidiu que, até
outubro, virá com freqüência a São Paulo
e, a ministros do partido, pediu que agilizem a liberação
de recursos para a capital paulistana. Olívio Dutra já
prometeu acelerar a inauguração de obras de saneamento
na cidade. No início do mês, Lula sugeriu ao senador
Suplicy que tornasse público seu namoro com a jornalista
Mônica Dallari. "O presidente me disse que, como eu e a Marta
nos tornamos amigos, faria bem mostrar publicamente que não
tenho nenhum ressentimento em relação a ela", diz
o senador. Com a manobra, o presidente pretendia que, aos olhos
dos eleitores, Suplicy perdesse o ar de eterna vítima e Marta,
o de antipática contumaz. Pesquisas a ser divulgadas nesta
semana trazem ao menos uma boa notícia para Marta: o candidato
José Serra cai. A prefeita, no entanto, aparece tecnicamente
empatada com ele e Paulo Maluf. Terá, portanto, de sorrir
muito para conquistar a simpatia dos eleitores. E se esforçar
para que seu ex, muito querido em São Paulo, suba para valer
em seu palanque. Se a nova namorada deixar, claro.
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