Edição 1864 . 28 de julho de 2004

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Carta ao leitor
Um asilo de idéias


João Castellano/Futura Press
Vandalismo no campus da USP

O Brasil precisa ter muito cuidado para não se tornar uma espécie de asilo de idéias, um lugar onde elas buscam abrigo depois de terem se aposentado em outros lugares do planeta. Um rápido exame de movimentos políticos que se intitulam sociais no Brasil mostra que suas reivindicações podem ter feito sentido em outros períodos históricos, mas hoje estão francamente decrépitas. A mais flagrante delas é a reforma agrária da forma como vem sendo imposta ao país por um grupo de bolcheviques e padres medievalistas, o Movimento dos Sem-Terra (MST). Na semana passada, uma centena de membros do MST invadiu a sede do Partido dos Trabalhadores (PT) em Itabuna, na Bahia, com o objetivo de obrigar a agremiação governista a incluir em sua chapa para as próximas eleições municipais um de seus militantes. Como vem acontecendo com freqüência preocupante, eles ganharam no grito. O MST tem uma liderança que incentiva ações criminosas e comunga de uma visão de mundo deslocada no tempo e no espaço. Seu líder nacional, João Pedro Stedile, prega o desrespeito às leis e a abolição da propriedade privada. Na semana passada, ele saiu-se com um inesquecível oxímoro ao condenar os formidáveis avanços da agricultura mecanizada e de alta tecnologia, que tem sido o pilar da recuperação econômica brasileira. Disse Stedile: "O agronegócio produz dólar e pobreza". Equivale a dizer que a seca no Nordeste é produzida pelas chuvas.

Na lista das idéias que passaram da data de validade mas continuam tendo tráfego no Brasil podem-se incluir o centralismo do governo e a ressuscitação da política industrial, ambos vertentes do capitalismo de Estado caído em desuso há quatro décadas. O corporativismo, outro ideário superado em outras paragens, ressurgiu em sua modalidade arcaica e violenta no vandalismo promovido por estudantes das universidades públicas paulistas. Apoiados pelo baixo clero dos professores, eles lutam pela ampliação dos privilégios que já desfrutam como beneficiários do ensino gratuito, sustentado, como se sabe, pelos impostos pagos com muito esforço por toda a população, em especial por suas camadas mais pobres. Do parque dos dinossauros das idéias exposto aqui não podia faltar a iniciativa de Aldo Rebelo (PC do B), ministro da Coordenação Política do PT, de editar uma cartilha com ensinamentos do comunista chinês Mao Tsé-tung, morto em 1976. Mao está fora de moda há décadas até em sua própria terra.

 
 
 
 
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