|
|
Carta
ao leitor
Um asilo de idéias
João Castellano/Futura Press
 |
| Vandalismo no campus da USP |
O Brasil precisa ter muito cuidado para não
se tornar uma espécie de asilo de idéias, um lugar
onde elas buscam abrigo depois de terem se aposentado em outros
lugares do planeta. Um rápido exame de movimentos políticos
que se intitulam sociais no Brasil mostra que suas reivindicações
podem ter feito sentido em outros períodos históricos,
mas hoje estão francamente decrépitas. A mais flagrante
delas é a reforma agrária da forma como vem sendo
imposta ao país por um grupo de bolcheviques e padres medievalistas,
o Movimento dos Sem-Terra (MST). Na semana passada, uma centena
de membros do MST invadiu a sede do Partido dos Trabalhadores (PT)
em Itabuna, na Bahia, com o objetivo de obrigar a agremiação
governista a incluir em sua chapa para as próximas eleições
municipais um de seus militantes. Como vem acontecendo com freqüência
preocupante, eles ganharam no grito. O MST tem uma liderança
que incentiva ações criminosas e comunga de uma visão
de mundo deslocada no tempo e no espaço. Seu líder
nacional, João Pedro Stedile, prega o desrespeito às
leis e a abolição da propriedade privada. Na semana
passada, ele saiu-se com um inesquecível oxímoro ao
condenar os formidáveis avanços da agricultura mecanizada
e de alta tecnologia, que tem sido o pilar da recuperação
econômica brasileira. Disse Stedile: "O agronegócio
produz dólar e pobreza". Equivale a dizer que a seca no Nordeste
é produzida pelas chuvas.
Na lista das idéias que passaram da
data de validade mas continuam tendo tráfego no Brasil podem-se
incluir o centralismo do governo e a ressuscitação
da política industrial, ambos vertentes do capitalismo de
Estado caído em desuso há quatro décadas. O
corporativismo, outro ideário superado em outras paragens,
ressurgiu em sua modalidade arcaica e violenta no vandalismo promovido
por estudantes das universidades públicas paulistas. Apoiados
pelo baixo clero dos professores, eles lutam pela ampliação
dos privilégios que já desfrutam como beneficiários
do ensino gratuito, sustentado, como se sabe, pelos impostos pagos
com muito esforço por toda a população, em
especial por suas camadas mais pobres. Do parque dos dinossauros
das idéias exposto aqui não podia faltar a iniciativa
de Aldo Rebelo (PC do B), ministro da Coordenação
Política do PT, de editar uma cartilha com ensinamentos do
comunista chinês Mao Tsé-tung, morto em 1976. Mao está
fora de moda há décadas até em sua própria
terra.
|