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Tecnologia
Liberdade de bolso
A memória flash e novos programas permitem carregar o conteúdo
do PC num pen drive  Rafael
Corrêa
Lee
Jae Won/Reuters
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flash de 32 gigabytes (acima): potência suficiente para começar
a substituir os discos rígidos em laptops |
Os laptops tornaram o PC portátil e facilitaram a vida de quem precisa
levar grandes quantidades de informação embaixo do braço.
Um novo recurso pode agora transformar essa maravilha da tecnologia em pré-história
da mobilidade digital. Trata-se do pen drive, que, além do uso habitual
como memória auxiliar, pode rodar parte do sistema operacional Windows.
Ou seja, com a ajuda de softwares especialmente desenvolvidos para essa tarefa,
como o PowerToGo, esse aparelho de dimensões minúsculas não
leva mais apenas arquivos, mas também programas. Dessa forma, não
se fica mais preso a um único computador, pois tudo o que é necessário
para o uso pessoal está no pen drive. O computador se torna apenas um hospedeiro,
que empresta sua memória e capacidade de processamento para o pen drive
executar os programas. Essa manobra
só é possível devido à memória flash, um chip
que vem revolucionando o mundo dos aparelhos portáteis. Esse chip, que
equipa os pen drives, também é encontrado nos iPod nano e em outros
tocadores de MP3 que se tornaram sonho de consumo até mesmo dos não
aficionados de tecnologia digital. São os cartões de memória
flash que armazenam as fotos tiradas nas últimas férias com a câmera
digital. Celulares que fotografam, tocam músicas e servem de agenda pessoal
também se valem da memória flash para funcionar. O tamanho reduzido
e a funcionalidade, aliados à grande capacidade de armazenamento, tornam
a memória flash uma opção melhor do que disquetes e CDs para
transportar arquivos. Por isso, os pen drives se popularizaram tanto nos últimos
anos. Só em 2005, segundo a consultoria americana Gartner, as vendas em
escala global desses dispositivos ultrapassaram 2 bilhões de dólares.
A estimativa é a de que elas cresçam pelo menos 15% ao ano até
2010. Boa parte dessa previsão otimista tem por base os pen drives dotados
de softwares capazes de transformá-los numa espécie de PC portátil.
"O hábito de ter tudo guardado num disco rígido, preso num PC ou
num laptop, está mudando", diz Kate Purmal, presidente da U3, empresa que
desenvolve pen drives com softwares operacionais. "Cada vez mais gente instala
os programas em seus pen drives porque eles são minúsculos e permitem
que se escolha em qual computador se quer trabalhar."
O funcionamento desses softwares é relativamente simples. Quando o pen
drive é conectado ao PC, o próprio programa abre uma interface de
navegação no monitor do computador hospedeiro. Isso permite acesso
aos arquivos e programas armazenados na memória flash. A impressão
de quem utiliza o pen drive é a de estar sempre usando o mesmo computador,
ainda que migre de um hospedeiro para outro. Os programas transportados no pen
drive mantêm as configurações pessoais, como a lista de sites
favoritos do browser de internet e a relação de contatos do programa
de chat. Quando um programa é executado, o pen drive utiliza a capacidade
de processamento do computador hospedeiro, mas não seu disco rígido.
As informações são gravadas apenas no chip de memória
flash. Retirando-se o pen drive, não resta no computador hospedeiro nenhum
vestígio do conteúdo que ele executou. Essa propriedade garante
boa margem de segurança no caso de o pen drive ser acoplado a computadores
públicos, como aqueles instalados em lan houses, cibercafés ou aeroportos.
Evidentemente, a conexão entre um PC e um pen drive não é
uma operação livre de riscos. Os computadores hospedeiros podem
conter programas maliciosos especialmente projetados para roubar as informações
contidas nos dispositivos. Criados
no começo dos anos 80 pelo japonês Fujio Masuoka, da Toshiba, os
chips de memória flash são um produto da nanotecnologia. Esse campo
de pesquisa trabalha com dispositivos medidos em nanômetros. Um nanômetro
é 80.000 vezes menor que a espessura de um fio de cabelo. Cada chip de
memória flash contém bilhões de pequenos transistores, construídos
em escala nanométrica. Quanto menores forem os transistores, maior é
a capacidade de armazenamento da memória flash. Os transistores das primeiras
versões mediam 220 nanômetros. Hoje, alguns fabricantes conseguem
produzir transistores de 50 nanômetros. A evolução é
tão rápida que supera a célebre Lei de Moore. Esse cânone
da informática, cunhado por Gordon Moore, um dos fundadores da Intel, estabelece
que a capacidade de processamento de um chip dobra a cada dezoito meses. Os fabricantes
de memória flash têm conseguido fazer isso em apenas doze meses.
O chip de maior capacidade atualmente
é o de 32 gigabytes da coreana Samsung, com 35 bilhões de transistores.
É o suficiente para armazenar 8.000 músicas ou 32 horas de vídeo
em alta resolução. "Essa capacidade de armazenamento deve aumentar
logo, pois os fabricantes já estão testando chips com 20 nanômetros",
diz o físico Euclydes Marega Júnior, professor do Grupo de Semicondutores
do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São
Paulo. A evolução na capacidade de armazenamento é inversamente
proporcional ao preço. De acordo com a consultoria americana Semico, 1
gigabyte de memória flash custava 1.900 dólares seis anos atrás.
Hoje, sai por 50 dólares. Estima-se que caia para 9 dólares em 2009.
A memória flash está
menos sujeita aos problemas que afetam o funcionamento do disco rígido.
Para fazer a leitura ou a gravação de arquivos de forma rápida,
ele precisa girar em velocidades superiores a 4.200 rotações por
minuto. As peças se desgastam com o uso, comprometendo o desempenho do
disco. Movimentos bruscos também podem danificar o HD de laptops ou PCs.
Como não tem partes móveis, a memória flash consome menos
energia. Por tudo isso, seus fabricantes acreditam que ela é uma ótima
candidata a substituir os discos rígidos de tamanho reduzido usados em
aparelhos portáteis como os tocadores de MP3 e laptops. O primeiro sinal
dessa substituição é o surgimento dos HDs híbridos.
Eles combinam a memória flash com o mecanismo convencional dos discos rígidos.
No HD híbrido, informações requisitadas com muita freqüência,
como os arquivos do sistema operacional ou programas pesados, ficam armazenadas
no chip flash. Assim, o acesso a essas informações pode ser 50%
mais rápido e o consumo de energia diminui, visto que o disco rígido
é menos solicitado. Uma das versões do Windows Vista, o próximo
sistema operacional da Microsoft, será especialmente preparada para tirar
proveito do potencial desses HDs. Já há quem acredite que, num futuro
relativamente próximo, a memória flash assumirá totalmente
as funções atuais do HD. Quando isso acontecer, ninguém sentirá
saudade do velho e encrenqueiro disco rígido.
A revolução flash
Fotos
divulgação
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O
DEDO DO DONO Garantir que ninguém acesse informações
valiosas guardadas no pen drive é um problema para os donos desses aparelhos.
No Bio Drive da Kanguru, parte do conteúdo armazenado é protegida
por um código e só pode ser acessada depois que a impressão
digital do dono é reconhecida pelo dispositivo. Armazena até 2 gigabytes
de informação e pesa só 19 gramas. Custa 280 dólares
GUARDADO
PARA SEMPRE Um tipo de cartão de memória flash de baixo
custo oferece uma nova possibilidade de uso: serve para guardar de forma permanente
as fotos feitas com câmeras digitais. Substitui os CDs graváveis,
que estragam com facilidade. Também poupa tempo, pois não é
preciso baixar as imagens primeiro no computador. Elas ficam armazenadas direto
no cartão, que funciona como um arquivo pessoal. O modelo da Sandisk de
128 megabytes custa 18 dólares AGORA,
NO NOTEBOOK A Samsung lançou o primeiro notebook com memória
flash no lugar do HD. O Q30-SSD tem 32 gigabytes de capacidade de armazenamento.
A memória flash é mais veloz, mais leve e gasta menos energia do
que os HDs tradicionais. O Windows carrega 50% mais rápido com a memória
flash. O melhor de tudo: não tem aquele barulhinho irritante do disco rígido
girando. Custa 3 700 dólares | | |