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Copa A
diferença que a idade faz
Após os 30, o corpo do jogador já não é mais o
mesmo. Mas ninguém quer pendurar as chuteiras
 Duda
Teixeira
Treinos
na medida certa, suplementos alimentares e cirurgias que recuperam totalmente
os membros e as articulações. Os avanços da medicina esportiva
esticaram a vida útil dos jogadores de futebol. Entre os escalados para
a Copa do Mundo, nada menos que um em cada quatro atletas tem mais de 30 anos.
A descoberta da fonte da juventude, porém, trouxe um efeito colateral indesejado:
a dificuldade em encontrar o momento oportuno de se aposentar do futebol e se
dedicar a outros assuntos, como família ou uma nova carreira. Se antes
uma lesão ou o cansaço eram os principais motivos para pendurar
as chuteiras, hoje a realidade é outra. "Poucos são os que têm
a dignidade para interromper a carreira quando ela ainda está no auge",
diz Regina Brandão, psicóloga do esporte da Universidade São
Judas Tadeu, em São Paulo, que já realizou trabalhos para o Internacional
de Porto Alegre e para o Cruzeiro de Belo Horizonte. "A maioria dos jogadores
atua até não agüentar mais, mesmo que já tenha acumulado
muitos milhões no banco." Na
seleção brasileira, há cinco veteranos: Cafu, 36 anos, Roberto
Carlos, 33, Dida, 32, Zé Roberto, 31, e Emerson, 30. Cada um deles sofre,
a seu modo, as conseqüências da idade. Depois dos 30, a freqüência
cardíaca máxima que o coração atinge por minuto diminui
em um batimento a cada aniversário. O hormônio masculino testosterona
inicia seu declínio, o que afeta a velocidade de arranque, a força
do chute e a resistência a lesões. A sobrevida esportiva do trio
nacional e de outros trintões como Figo, 33, de Portugal, e Claudio Suárez,
37, do México, deve-se a uma grande mudança no preparo dos atletas.
Os treinamentos excessivos, que incluíam subidas e descidas na arquibancada
e corridas ininterruptas de mais de 15 quilômetros na década de 70,
foram substituídos por sessões de musculação, que
preparam o corpo de forma harmônica e protegem as articulações.
Suplementos alimentares de carboidrato e de proteína ingeridos no vestiário,
logo após o jogo, ajudam a evitar danos aos músculos. Cirurgias
artroscópicas, que dispensam cortes, permitem que muitos jogadores voltem
a campo com o mesmo desempenho de antes. Cafu, que ainda pode tornar-se o atleta
com mais atuações pela seleção nacional em Mundiais,
sofreu uma lesão no menisco do joelho esquerdo no início deste ano
e voltou a jogar em trinta dias. "Se fosse com a tecnologia de dez anos atrás,
ele ficaria pelo menos seis meses parado", diz o fisiologista Turibio Leite de
Barros, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Certamente não
estaria nesta Copa." O lateral-direito
da seleção brasileira é um dos mais conhecidos exemplos de
como a idade pode ser contornada. Na posição que exige mais velocidade
e resistência, ele não decepciona. Embora muitos considerem que a
entrada de Cicinho na última quinta-feira deu mais velocidade ao jogo,
o capitão tem muito a somar quando é escalado. "Cafu tem vigor físico
comparável ao de muitos laterais de 20 anos. Além disso, sua constituição
genética dá a ele uma condição muito boa de jogo",
diz Ivan Piçarro, fisiologista que já treinou o craque no Palmeiras.
O segredo de Cafu está na motivação, exatamente o ponto em
que os outros atletas costumam falhar. Normalmente, a perda da vontade de jogar
é oriunda da rotina estressante desses profissionais. Partidas a cada três
ou quatro dias, fins de semana longe da família e regras sociais rígidas
são os itens que mais induzem o cansaço mental. Quando esse sentimento
fica mais intenso, a perda de flexibilidade e o aumento de peso são as
conseqüências mais imediatas.
Enquanto adiam a aposentadoria, esses atletas exercem impactos decisivos sobre
o restante da equipe. Com eles, o time pode ficar mais apático, com reduzida
vontade de jogar. "Antes de tentarem recuperar uma bola perdida, os mais experientes
avaliam o lance para saber qual é a probabilidade de tomarem a bola ou
não", afirma a psicóloga Regina. Os novatos, por sua vez, tentam
todas. Perdem muitas, mas ganham algumas também, e dão sua contribuição
para o moral da equipe. Em contrapartida, a ausência dos veteranos diminui
o equilíbrio emocional do grupo. Numa tese de doutorado defendida na Universidade
Estadual de Campinas, em 2000, Regina avaliou o stress em boleiros de diferentes
faixas etárias e notou que os mais velhos se abalam muito menos com a pressão
decorrente do favoritismo ou de placares desfavoráveis. Com tantos trintões
brigando por vaga, dosar a presença deles nas seleções tornou-se
um dos principais desafios dos técnicos deste Mundial. 
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